Com apenas um funcionário, Bradesco de cidade do litoral paulista é alvo de reclamações por demora no atendimento, que chega a mais de uma hora

Clientes da única agência bancária do Bradesco, em Ilhabela, litoral norte de São Paulo, queixam-se da demora no atendimento nos caixas, que, apesar do pouco movimento, chega a mais de uma hora, mesmo em dias de semana, segundo alguns correntistas.
De acordo com clientes, na maior parte da semana, há apenas um caixa funcionando para atendimento à demanda da agência, como depósitos, saques, pagamentos de contas, retirada de cartões, entre outros serviços.
Na sexta-feira (27), a reportagem esteve no local para apurar as reclamações. Havia apenas quatro clientes à espera, entre eles, uma idosa que havia retirado senha que lhe garantiria atendimento prioritário. Mesmo assim, foi atendida após 45 minutos de espera. O tempo de atendimento da senhora levou menos de um minuto.
Antes de ser atendida, quando sua senha foi exibida no painel, a idosa protestou com o único funcionário do caixa, em voz alta: “Quarenta e cinco minutos na fila prioritária, é demais!”. Os outros três clientes, que também aguardavam atendimento, concordaram, sinalizando com a cabeça em sinal de positivo.
A reportagem permaneceu na agência por uma hora. Durante este período, a média era de quatro a cinco clientes para serem atendidos. Apesar do baixo movimento, cada atendimento levava cerca de 10 minutos. “Esse funcionário conversa demais. A cliente querendo ir embora e ele puxando assunto”, reclamou uma das correntistas que aguardava o atendimento.
Com a demora no atendimento, a agência do Bradesco de Ilhabela descumpre a lei municipal 320/2005, que estipula limite de até 20 minutos para atendimento em dias normais, e até 30 minutos, em véspera ou após feriados prolongados, o que não foi o caso na sexta-feira.
A lei prevê advertência, multa de 20 Ufesp's (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), que resultaria em valor de R$ 768,40, dobrado em caso de reincidência, além de suspensão do alvará de funcionamento.
A lei municipal também obriga as agências bancárias a fixar cópia da lei em local visível ao público, mas a reportagem não conseguiu localizá-la no Bradesco. Quando a lei foi promulgada, em 14 de junho de 2005, as agências tiveram prazo de 60 dias para se adaptarem às exigências.
No caso da idosa que aguardou 45 minutos para ser atendida, a agência também descumpriu o Estatuto da Pessoa Idosa, que garante atendimento preferencial imediato, o que implica que a demora na fila de prioridade deve ser minimizada ao máximo.
A prefeitura de Ilhabela informou que a fiscalização municipal não recebeu denúncias recentes relacionadas ao tempo de espera para atendimento na agência do Bradesco. A administração disse que mantém canais permanentes para o recebimento de reclamações e reforça a importância da participação dos munícipes para a atuação dos órgãos competentes.
No caso da fiscalização, segundo a prefeitura, as reclamações devem ser formalizadas no Via Verde e, sempre que possível, acompanhadas de documentos que comprovem a irregularidade, como senhas de atendimento, comprovantes ou outros registros que atestem o tempo de espera.
Os moradores e turistas podem entrar em contato com a fiscalização da prefeitura pelo telefone (12) 3896 9218, ou registrar a demanda junto à ouvidoria municipal, por meio do número 162.
O Procon de Ilhabela orienta que, nos casos em que o usuário identifique eventual descumprimento da legislação, quanto ao tempo de espera em filas bancárias, é fundamental formalizar a reclamação. O atendimento do órgão também ocorre no Via Verde, no bairro Perequê.
A partir do registro, o Procon poderá emitir a CIP (Carta de Informação Preliminar) à instituição financeira, quando solicita esclarecimentos sobre as queixas relatadas e requer a adequação dos serviços às normas vigentes, o que garante cumprimento dos padrões de qualidade e agilidade no atendimento ao consumidor.
Em nota de três linhas, o Bradesco informou que “a agência está operando normalmente” e que “pode ocorrer eventual demora em razão de demandas pontuais”. Afirmou, ainda, que “todas as medidas necessárias foram adotadas para garantir pleno funcionamento dos serviços prestados”.