NAS ONDAS

Uma nova geração de surfistas se forma em Santos

Turma 50+ da Escola Radical de Surfe de Santos encontra na atividade um novo sentido para a vida e para a criação de novos laços de amizade

Redação
Publicado em 15/09/2023, às 11h13

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Todo dia é dia surfe para a turma 50+ da Escola Radical de Surfe - Kleber Moura/PMS
Todo dia é dia surfe para a turma 50+ da Escola Radical de Surfe - Kleber Moura/PMS

No Posto 2 na orla da Pompéia em Santos, as manhãs têm início com um "ritual": reunião calorosa, dança ao som de músicas do estilo rock and roll, alongamento e um caloroso aloha (palavra da língua havaiana usada como forma de saudação ou despedida). Quem são os personagens? A turma 50+ da Escola Radical de Surfe, que define a prática da atividade como “uma nova razão para continuar vivendo”. 

Na sequência do "ritual", todos seguem alegremente para o mar e, durante a prática de manobras do esporte, o coordenador e professor Francisco Alfredo Alegre Araña, mais conhecido como Cisco, acompanha os alunos orgulhosamente. “Cada um tem seu objetivo individual, uma vontade de aprender e superar coisas diferentes, mas a nossa finalidade com eles é conectá-los com o amor. Se depender de mim, esse projeto sempre existirá para o bem dessas pessoas”. 

Escola Radical de Surfe
Escola tem 200 alunos na turma de 50 a 80 anos - Kleber Moura/PMS

No caso de Denise Dias, 67 anos, na prática do esporte há 6 meses, ela viu uma forma de ajudar a superar a dor do luto que carrega há 3 anos desde que o marido faleceu. “Me emociono ao lembrar que a perda do meu marido foi forte para mim, acabei me fechando para mim mesma. Esses anjos me salvaram e hoje distribuo sorrisos. O surfe foi o melhor caminho”. Para a aposentada, se pudesse definir as aulas em uma só palavra, ela não teria dúvida de que seria ‘vida’.

Além da adrenalina sentida nas ondas, e a busca pelo bem-estar, as aulas também trouxeram para Claudemir Fernandes, 72, que mora em Santos há 1 ano e meio, a oportunidade de fazer amigos. “Eu devo tudo ao surfe. Sou novo na cidade e me sentia solitário, sem alguém para conversar. Hoje estou muito mais feliz e ainda ganhei uns 100 amigos. Eu saio daqui diferente de tanta satisfação, não importa o clima”.

A colega de Claudimar, Guiomar Costa, 60, fez questão de reafirmar a amizade que existe entre os participantes. “Às vezes conversamos. Oi!, estou precisando bater um papo. Vamos sair? Nos abraçamos e compartilhamos uma relação forte que está além da praia”, completou.

Na despedida do treino, depois de um dia de renovação de energias, a turma entoa um “mantra marinho” em frente ao mar e respira profundamente enquanto contempla a natureza. No final, os alunos se abraçam promovendo o que eles conhecem como “coração com coração”. O sentimento presente neste momento entre todos é o de gratidão por superarem obstáculos e desafios e enxergarem no surfe a possibilidade de um recomeço.

Neste ano, a primeira escola pública de surfe do país, localizada no Posto de Salvamento 2, completou 32 anos. Atualmente, são 200 alunos na turma de 50 a 80 anos, divididos em turmas de segunda e terça-feira. Mais informações podem ser obtidas no telefone (13) 3251 9838.

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