Criado em 2011 pelo professor Tom, projeto social atende mais de 200 alunos, desde crianças de 5 anos até adultos

O projeto social de jiu-jítsu Tom e Jerry transforma a rotina de mais de 200 moradores em Guarujá, no litoral de São Paulo. A iniciativa oferece aulas gratuitas no Centro Esportivo Duque de Caxias para pessoas de baixa renda, desde crianças de 5 anos até adultos.
O projeto nasceu em 2011 com o propósito de expandir o acesso à arte marcial na região. O fundador da iniciativa, professor Tom, atua na modalidade há cerca de 20 anos e coordena as atividades desenvolvidas na Baixada Santista.
Professor Tom detalha a organização das turmas ao longo da semana:
Damos aulas em três horários. Esse agora da tarde, às 14h30. Também temos a das 19 horas com o kids, juvenil às 20h e adulto, 21 horas. Atendemos esses quatro horários de segunda a sábado e, na verdade, muitas vezes damos aulas de domingo a domingo por causa de competição e ritmo de treino."
O crescimento da participação feminina ganha respaldo nos indicadores nacionais. Dados da Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu apontam que o número de mulheres praticantes no país avançou mais de 30% nos últimos anos. A modalidade funciona como suporte para o desenvolvimento de autodefesa, disciplina e autoconfiança.
A superação de barreiras motivou a trajetória da professora Leona Marques, que iniciou os treinos na infância por meio do projeto e hoje lidera as instruções:
Me falaram que eu não poderia fazer porque eu sou mulher, e mulher não faz essas coisas. Me revoltei e falei: 'vou fazer'. Como que eu não posso fazer? Comecei, meu pai conhecia a academia, me trouxe no primeiro dia e foi amor à primeira vista. Não consegui mais parar."
O incentivo constante às competições revela novos talentos locais em torneios regionais e estaduais. A aluna Mariana Rosa, de 9 anos, acumula premiações e relembra a evolução de sua postura competitiva no tatame:
"Pelo meu primeiro eu fiquei nervosa. Aí no segundo, no terceiro, não, não fiquei nervosa não, porque eu já tinha lutado o meu primeiro, né? Aí eu já sabia como era. Muito importante, eu gosto muito e é muito legal."
A dedicação diária gerou resultados importantes para a aluna Ana Julia Camilo, de 11 anos, vencedora da medalha de ouro no campeonato Paulista:
"Comecei bem nervosa, no meu primeiro dia fiquei com vergonha. Mas nos outros dias eu fui evoluindo. Aí mudei, evoluí bem mais, fui para os campeonatos, ganhei a medalha de ouro paulista. Eu gostei muito, não quero desistir nunca."
A aluna Mikaelly Vitória, de 8 anos, iniciou os treinos aos 7 anos e também garantiu o lugar mais alto do pódio em sua estreia: "Esse troféu foi o primeiro campeonato que ganhei, em primeiro lugar. Foi muito legal, foi uma aventura para mim e eu estou feliz de ter isso tudo."
A mobilização demonstra que a modalidade serve de apoio para um futuro promissor, além de transformar o esforço diário em base para a evolução dos jovens guarujaenses.
* Com informações do jornalista Matheus Alves, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral.