SANÇÃO

Medalhista paralímpico de Santos é suspenso do tênis de mesa até 2029

Israel Stroh foi considerado culpado por corrupção esportiva e realização de apostas esportivas; decisão é da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF) e cabe recurso

Medalhista paralímpico de Santos é suspenso do tênis de mesa até 2029
Atleta conquistou a medalha de prata nos Jogos Paralímpicos do Rio em 2016 - Manca Meglic/ITTF


O mesatenista paralímpico santista Israel Stroh foi suspenso do tênis de mesa por quatro anos, por ser considerado culpado de corrupção esportiva e fazer apostas esportivas.

Decisão veio da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), vigora até junho de 2029 e cabe recurso ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça.

Medalhista dos Jogos Paralímpicos do Rio em 2016, Israel foi primeiramente acusado de propor manipulação de resultados durante o Aberto da Polônia de 2024 (categoria MD14), visando à classificação para os Jogos Paralímpicos de Paris no mesmo ano.



Durante investigação, a ITTF descobriu que Israel fez 68 apostas esportivas entre março de 2022 e abril de 2024, o que vai contra o código de ética da modalidade, pois atletas não podem apostar.

O aleta foi suspenso de forma provisória em 2024, mas conseguiu disputar os Jogos Paralímpicos de Paris, mediante liminar na Corte Arbitral do Esporte. Em janeiro do ano passado, ele foi suspenso novamente por seis meses.

Em longa nota divulgada à imprensa e publicada no Metrópoles, Israel se defende dizendo que não há provas da primeira acusação de corrupção esportiva em 20 meses de processo e que, no caso das apostas esportivas, ele “nunca teve ganho relevante”. 



Afirmou também que não apostou em jogos seus, de amigos, ou outras partidas nas quais esteve presente, além de ter declarado que a ITTF nunca publicou essa proibição para os paratletas em seu site.

Veja a nota na íntegra:

Em maio de 2024, fui notificado pela ITTF de que havia uma denúncia contra mim por suposta oferta de vantagem para que eu vencesse uma partida importante de classificação para os Jogos de Paris2024. Desde o início, garanto que essa acusação é mentirosa. Obviamente, nunca houve prova disso nestes 20 meses de processo em curso, em que sempre fui solícito ao processo.

A acusação foi feita com base em depoimentos de três pessoas, sendo um atleta, o belga Ben Despineux, seu técnico, Nico Vergeylen, e seu então companheiro de duplas, o norueguês Krizander Magnussen. Os três deram uma entrevista e a ITTF acreditou. Simples assim! Sem provas, sem material de apoio, nada!



Eu ganhei a vaga ao ser campeão do torneio de duplas na Polônia, ao enfrentar exatamente esses dois adversários e este técnico em questão. Vitória limpa, como todas em minha carreira. Eles disseram que eu ofereci vantagem para perderem a partida para mim, o que é absolutamente mentira. Do lado belga, havia uma raiva com as regras que deram legitimamente a mim a vaga que eles julgavam ser deles, e do lado norueguês, provavelmente amizade com eles ou rusgas normais de uma partida. Em hipótese alguma houve vantagem, tanto que nunca foi e nem será apresentado.

Curiosamente, o próprio Despineux, em 2023, seguindo sua leitura do regulamento sobre suas chances de classificação para os Jogos de Paris, pediu para que eu perdesse a final dos Jogos Panamericanos de propósito, alegando que seria bom para todo mundo. Eu perdi, obviamente que apenas por questões técnicas e naturais do jogo. Mas aquele pedido foi apresentado ao processo e simplesmente ignorado pela ITTF. Tanto pela Unidade de Integridade, que fez a denúncia, quanto pelo Tribunal interno que julga o caso.

Fato é que a acusação e o Tribunal da ITTF tinham uma PROVA de que ele falou o seguinte para mim, e muito estranhamente foi ignorado:



“Nós não seremos concorrentes em duplas nos Jogos de Paris. E em simples, nós somos grandes amigos e que vença o melhor, ou você ganha como sempre”.

O adversário em questão, não só deixou de ser investigado, como foi testemunha no processo, teve sua palavra acreditada e ainda, DEPOIS que a prova foi apresentada, ganhou o convite (wild card) para participar dos Jogos. Sim, ele não se classificou, foi convidado!

CONTEXTO



À título de ilustração, o Aberto da Polônia, em março de 2024, foi cercado de insatisfações. Em particular, uma mudança, ou atualização, abrupta da regra mexeu com a chance de classificação de alguns jogadores. Em particular com as de Despineux. O texto da regra dizia que havia duas vagas pelo ranking de duplas, e o raciocínio lógico dizia ser para os dois primeiros jogadores.

Em janeiro, logo, dois meses antes do fechamento da lista (final de março), a regra “atualizou” e passou a destinar a vaga para as duas melhores duplas. Como Despineux, belga, não tinha um parceiro compatriota, ficou fora da disputa, ainda que alcançando a liderança do ranking. Assim, países estavam incomodados e a própria ITTF geriu mal prazos e regulamentos.

APOSTAS ESPORTIVAS



Eu também estou sendo acusado por ter feito apostas esportivas, o que a ITTF classifica como ilegal. No entanto, além de não haver nenhum ganho relevante nessas atividades, não houve nada que de fato fosse contra a integridade do esporte. Nunca apostei em jogos meus, nem de amigos, nem em jogos que estivesse presente, nem como espectador. E não é só isso. Até porque os jogos paralímpicos sequer entram no mercado de apostas e os calendários são absolutamente independentes.

A ITTF, que até o final de 2024 tinha um site específico para atletas paralímpicos, nunca publicou esta proibição para os paratletas, NUNCA. Na decisão judicial, ela diz que eu era obrigado a ter visto no site para os atletas olímpicos. Além de contraintuitivo, no mínimo, isso viola o devido processo legal e a Convenção da ONU para Pessoas com Deficiência, que exigem adaptação e igualdade formal e MATERIAL, o que não houve.

Dito isso, quero informar que este processo está em curso há mais de 20 meses, com certeza os piores da minha vida. Estou lutando inclusive contra os piores pensamentos possíveis, mas principalmente por justiça. O desejo por Justiça se sobrepõe, infelizmente, ao desejo por me manter vivo e atuante no esporte. Mas não vou permitir que destruam meu nome e minha carreira.



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