CONTRA O SEDENTARISMO

Grupo Córre promove bem-estar, saúde, movimentação e interatividade em Bertioga

Grupo formado pelo professor de educação física Rodrigo Borelli já tem mais de 200 integrantes de diversas idades e níveis de experiência

Equipe corre pela orla da praia, no bairro Centro - Eleni Nogueira/Costa Norte
Equipe corre pela orla da praia, no bairro Centro - Eleni Nogueira/Costa Norte


Emagrecimento, melhora da saúde física e mental, acompanhados de mais energia para os desafios do dia a dia, além da sensação de bem-estar: estes são alguns dos benefícios oferecidos pela corrida de rua, uma das atividades físicas mais populares de Bertioga, no litoral paulista. É com foco nestes pontos que o educador físico Rodrigo Borelli, de 43 anos, criou o Grupo Córre, uma equipe de corrida que já conta com mais de 200 pessoas.

O grupo une participantes de todas as idades e níveis de experiência na prática do esporte. Com determinação, mesmo quando o tempo não favorece tanto, o grupo atrai olhares ao correr pelos arredores da avenida Tomé de Souza, no bairro Centro, com paradas apenas para se recuperar e reagrupar, durante os cinco quilômetros na orla da praia da Enseada.

Uma das histórias mais impressionantes da equipe é a de Diogo Klebis, de 32 anos. Ele conta que perdeu 30 quilos em um ano de Córre. “Eu comecei como forma de emagrecimento, pois estava com 100 quilos. Foi aí que veio a paixão pelo esporte. Desde então, estou correndo e treinando firme com o Rodrigo, que é meu professor. Hoje em dia, estou com 70 quilos; [sinto] muita diferença no dia a dia. A saúde melhora muito. Claro, com a corrida também tive que fazer algumas mudanças na alimentação, mas a corrida foi essencial. Quando estava mais pesado, já estava me dificultando o trabalho, ficando cansado no dia a dia, com certeza houve uma mudança ótima. Ajuda também na disciplina, de você ter que ir correr mesmo quando está cansado”, pontua Diogo.



Mariléia Alexandrino, de 53 anos, diz que começou a participar do grupo em fevereiro deste ano, por já conhecer Rodrigo, que ela descreve como um excelente profissional. “Fazer parte desse grupo pra mim é terapêutico, ver que todos somos capazes, que todos somos iguais, não existe um melhor ou pior, todos estão ali buscando algo para melhorar, seja físico, mental ou emocional. O projeto é uma cura para muitos de nós. Minha expectativa é fazer amigos, melhorar meu condicionamento, minha saúde e acima de tudo vencer meus limites”, completa Mariléia.    

As corridas

A equipe se reúne todas as quartas-feiras, com ponto de encontro no Forte São João, às 19h30. Antes de partir para o corre, o grupo faz alongamentos no Parque dos Tupiniquins, para garantir que todos estejam prontos. O percurso de cinco quilômetros é todo pela orla da praia, pela calçada/ciclovia da avenida Tomé de Souza. A equipe sai do Forte, vai até a sede do Departamento de Operações Ambientais (DOA), no final do calçadão, e volta. As quatro paradas rápidas, para que os atletas possam se recuperar e para que todos fiquem juntos novamente, ocorrem na rampa de skate e no trecho de encontro com a avenida 19 de Maio, tanto na ida, quanto na volta.

Grupo Corre se aquecendo e se alongando no parque dos Tupiniquins, antes da corrida
Aquecimento do grupo Córre, no Parque dos Tupiniquins - Reprodução/Rodrigo Borelli



O professor Rodrigo diz que não há exigências quanto ao condicionamento físico, mas é preciso que haja bom senso por parte do atleta. “Deixamos bem explicado que é um grupo de corrida e não uma caminhada. A pessoa já vai ciente de que vai correr. O ponto é que se você tem alguma restrição que te impede ou algum fator de risco, é interessante procurar um médico que dê um ‘ok’ para a prática de corrida”, conclui.

Para participar do grupo, é simples, basta preencher um formulário para que se esteja ciente dos riscos de correr na rua e assim se responsabilizar por sua segurança. “Não tem taxa nenhuma, a única taxa é a coragem de sair de casa e experimentar um pouco dessa vibe top”, brinca Rodrigo. O corredor terá acesso ao formulário assim que entrar no grupo de Whtsapp do Córre, disponível aqui.

Rodrigo Borelli

Rodrigo Borelli, criador do Grupo Córre, em uma das competições de sua carreira como atleta
Rodrigo Borelli, criador do grupo Córre - Reprodução/Rodrigo Borelli/Instagram



Muito antes do grupo Córre e de conhecer o poder do esporte, Rodrigo passou por muitas dificuldades. Natural de São Carlos, no interior de São Paulo, ele sempre teve o sonho de morar no litoral, e foi em meio a um momento complicado que ele decidiu vir para o litoral. “Estava passando por um momento difícil no meu relacionamento e decidimos em conjunto mudar por completo, e nessa, viemos para o Guarujá, inicialmente. Moramos um ano e meio lá antes de vir pra Bertioga”, explica.

Mesmo em Bertioga, no ano de 2017, Rodrigo ainda não tinha formação acadêmica e passou por dificuldades financeiras; já foi um dos proprietários de uma hamburgueria que não lucrava, e também trabalhou como instrutor de trânsito. “Nessa época eu estava mal emocionalmente, depressivo e levava uma vida sedentária total”, lamenta. Então, decidiu fazer uma prova para guarda-vidas temporário, mas outra frustração veio, pois ele foi reprovado.

Tudo começa a mudar em 2018. “Resolvi virar a chave nesse momento. Ao invés de aceitar isso [a reprovação], resolvi mudar essa história e treinei natação durante um ano todos os dias, praticamente. Fiz a prova para GVT, no final de 2018 para 2019 e passei com louvor. Depois que passei nessa prova, depois de toda a luta durante um ano treinando e ter conseguido vencer a mim mesmo, eu me senti capaz de fazer tudo que queria fazer”, comemora.



Rodrigo, enfim, começou sua faculdade de bacharel em educação física, se tornou maratonista como corredor e ultramaratonista como nadador. Hoje ele dá aulas de natação na prefeitura de Bertioga, além de coordenar o grupo Córre. “A ideia de fazer um projeto social sempre existiu, desde quando iniciei meu curso de educação física. Sempre quis retribuir um pouco daquilo que o esporte fez por mim. Meu cunhado é da área do marketing e um dia falei com ele a respeito desse assunto; uns dias depois ele veio com essa ideia incrível. Projetos assim são uma tendência por todo lugar, aproveitamos o modelo de grupo e colocamos em prática com todo amor e boa vontade”, explica.

O professor exalta a transformação que o esporte fez em sua vida: “Todas estas conquistas foram um grande cenário para minha transformação interior. A cada conquista eu fui me transformando em uma pessoa melhor, com valores morais e éticos que antes não tinha. Me tornei um pai melhor, um marido melhor, um ser humano mais humano. E a conclusão disso tudo é que o esporte me salvou de mim mesmo. Hoje é meu dever, minha missão como ser humano, professor de educação física, promover a saúde e alegria de viver que o esporte proporciona. Pode parecer meio clichê, mas a grande verdade é que o esporte salva, de dentro pra fora”.

Para quem deseja acompanhar Rodrigo nas redes sociais, o Instagram dele é @_rodrigoborelli.



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