O MAIOR DA TERRA

Santos FC 114 anos: a história do clube que pintou o mundo de branco e preto

Da fundação, em 1912, à era de ouro com Pelé e o protagonismo de Neymar, Peixe celebra aniversário e mantém sua identidade de "fábrica de ídolos"

Santos FC 114 anos: a história do clube que pintou o mundo de branco e preto
Santos Futebol Clube, o maior time da Terra - Foto: Raul Baretta/Santos FC


O Santos Futebol Clube completa, nesta terça-feira (14), 114 anos de uma trajetória que atravessou oceanos e transformou o futebol em arte. Muito antes de se tornar um dos maiores do Brasil, o clube nasceu sob uma filosofia que se mantém intacta até hoje: o jovem no centro do palco.

A história começou em um 14 de abril ameno, em 1912. Enquanto o Sol iluminava a movimentada cidade portuária, três jovens estudantes (Francisco Raymundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Júnior) ousaram criar algo que estava predestinado a ser grande.

Na sede do Clube Concórdia, após descartarem nomes como "Brasil Atlético", "África FC", "Euterpe" e "Concórdia", Edmundo Jorge de Araújo sugeriu a homenagem definitiva: Santos Foot Ball Club.



A identidade e o branco e preto

Embora hoje as cores sejam inconfundíveis, o Santos nasceu azul e branco com fios dourados. Foi apenas um ano depois, em 1913, que a dificuldade em confeccionar os uniformes originais levou o sócio Paulo Peluccio a sugerir o alvinegro.

Para ele, o branco representava a paz, e o preto, a nobreza; uma proposta aprovada por unanimidade que se tornaria a armadura de conquistas históricas.

O protagonismo juvenil veio cedo. Adolpho Millon (16 anos) e Arnaldo Silveira (17), fundadores do clube, estiveram nas duas primeiras partidas oficiais da seleção brasileira e conquistaram a Copa Roca sobre a Argentina. No plano estadual, o primeiro título paulista veio em 1935, seguido por um hiato de 20 anos até a conquista de 1955.



A era do rei e o topo do mundo

Em 1956, a história mudou para sempre com a chegada de um menino de 15 anos vindo de Bauru: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Com ele, a Vila Belmiro tornou-se o palco de um reinado. O Santos conquistou dois Mundiais, duas Libertadores, seis Brasileiros e dez Paulistas.

Aquele esquadrão foi o único na história do futebol brasileiro a vencer o Brasileirão, a Libertadores e o Mundial no mesmo ano. O impacto foi tamanho que o Peixe parou a Guerra de Biafra, na África, apenas para que pudessem ver Pelé jogar. Aquele time recebeu da Fifa o título de “Melhor Time do Século nas Américas”.

O príncipe e a promessa

Após a era Pelé, a base santista continuou a surpreender o mundo. Em 2009, um novo fenômeno surgiu com a ousadia e alegria de Neymar Júnior. Ao lado de Paulo Henrique Ganso e outros ídolos, Neymar conquistou três Paulistas, uma Copa do Brasil, uma Libertadores e uma Recopa Sul-Americana. Individualmente, foi eleito o Rei da América por duas vezes e conquistou o prêmio Puskas.



Em 2013, ao sair para a Europa, Neymar deixou uma jura: "Eu vou, mas eu volto". Após acompanhar de longe o período mais amargo da história do clube, em 2023 e 2024, o craque cumpriu sua promessa. Com o Santos de volta à elite do futebol brasileiro, Neymar decidiu escrever mais um capítulo com a camisa alvinegra, que já se tornou histórico mesmo ainda sem um fim.

Orgulho que nem todos podem ter

A trajetória de 114 anos ensinou ao torcedor santista todos os sentimentos: da glória absoluta ao sofrimento profundo e necessidade de reconstrução. No entanto, o abandono nunca fez parte dessa relação. Como diz o lema que ecoa nas arquibancadas da Vila, "Nascer, viver e no Santos morrer".

O Peixe celebra mais um ano de vida não apenas olhando para os troféus do passado, mas almejando um futuro diferente do presente. O próximo ídolo sempre está pronto para nascer, o raio sempre pode cair de novo no mesmo lugar. E é isso que torna o Santos diferente.



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