Em 4 de fevereiro de 1969, o Peixe interrompeu um conflito armado para enfrentar a seleção do Meio Oeste, em Benin, e marcou a história mundial

A cidade de Benin, na Nigéria, testemunhou um dos capítulos mais emblemáticos do futebol mundial, em 4 de fevereiro de 1969: o dia em que o Santos Futebol Clube parou a Guerra de Biafra.
Partida não estava prevista pelo empresário Samuel Ratinoff e só foi confirmada após a delegação receber garantias de segurança.
O Alvinegro seguiu até Benin, cidade próxima à fronteira com a região separatista de Biafra, para enfrentar a seleção do Meio Oeste. Com a vitória por 2 a 1, o Santos transformou-se no primeiro time da história a interromper um conflito armado.
Naquela época, o Santos vivia uma hegemonia absoluta, com a vitória sobre o Vasco por 2 a 1, no Maracanã, em dezembro de 1968, quando conquistou seu sexto título brasileiro. O técnico João Saldanha, ao assumir a seleção brasileira, chegou a convocar nove jogadores santistas para as eliminatórias.
Como a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) estava em conflito com a Confederação Sul-Americana, Santos e Internacional não participaram da Libertadores de 1969. Os dirigentes consideravam os amistosos internacionais, pagos em dólares, financeiramente mais vantajosos que a competição continental.
O Santos iniciou então uma excursão histórica pela África; passou primeiro pelo Congo, que estava dividido em dois países sem relações diplomáticas. O time precisou jogar em ambos os lados, sempre cercado pela euforia dos africanos que queriam ver Pelé.

Após passagens por Lagos e Lourenço Marques, surgiu o convite para retornar à Nigéria e jogar em Benin, porta de entrada de Biafra. O jornalista Gilberto Marques, de A Tribuna, relatou que o governador Samuel Ogbemudia liberou a ponte que ligava Benin a Sapele e ainda decretou feriado, para que a população visse o jogo.
Cerca de 25 mil pessoas lotaram o estádio e Pelé foi recebido com flores. O técnico Antoninho escalou: Gylmar (Laércio), Turcão, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo (Oberdan); Lima e Negreiros (Marçal); Manoel Maria, Toninho (Douglas), Pelé (Amauri) e Edu (Abel).

A guerra separatista de Biafra, motivada por tensões étnicas e disputas por petróleo, deixou entre 500 mil e três milhões de mortos até 1970, boa parte por fome. Em meio a esse cenário de bombardeios, o Santos entrou em campo e garantiu algumas horas de paz ao povo nigeriano, momentos que entrariam para a história mundial, não apenas do esporte.