Prefeito aborda os desafios de transformar grandes investimentos que se avizinham em desenvolvimento, infraestrutura e qualidade de vida para Guarujá

Nesta entrevista, o prefeito Farid Madi apresenta a visão da administração municipal para os próximos anos, e defende o planejamento como caminho para conciliar crescimento econômico, preservação e qualidade de vida.
Qual a sua visão de cidade para os próximos dez anos?
Estamos trabalhando para que Guarujá retome o protagonismo que lhe pertence. Encontramos a cidade em uma situação financeira e estrutural difícil, em janeiro de 2025, e iniciamos um processo de recuperação que precisa preparar o município para aproveitar os grandes investimentos previstos. Túnel, aeroporto e expansão portuária representam oportunidades, mas o desafio é transformar esse movimento em qualidade de vida, desenvolvimento econômico e social, com sustentabilidade. É nesse sentido que trabalhamos na revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável, para ordenar o crescimento e evitar problemas que ainda hoje afetam a cidade.
Também avançamos na segurança, fundamental para recuperar a credibilidade de Guarujá como destino turístico, e iniciamos uma nova etapa de requalificação urbana, como o projeto para a orla de Pitangueiras. A expectativa é que, nos próximos dez anos, Guarujá passe por uma transformação marcada por mais organização, infraestrutura e oportunidades.
O novo terminal do porto e a retroárea de Vicente de Carvalho prometem investimentos e empregos. Como a prefeitura pretende garantir que esse crescimento chegue à população, com qualificação e oportunidades locais?
Planejamento e trabalho. Estamos consultando empresas do setor portuário para identificar a demanda por mão de obra qualificada e, a partir desses estudos e de parcerias, criamos cursos gratuitos de qualificação profissional. Mais de três mil moradores já participaram de capacitações voltadas ao setor portuário. É uma forma de preparar a população para ocupar as oportunidades que surgirem. Ao mesmo tempo, acompanhamos os investimentos porque a expansão portuária também pode ajudar a enfrentar gargalos históricos de infraestrutura. O traçado do túnel, por exemplo, terá ligação direta com o retroporto e poderá contribuir para a reorganização viária da entrada da cidade.
O túnel Santos–Guarujá e o Aeroporto Metropolitano vão facilitar o acesso à cidade e ampliar o fluxo de turistas, moradores e trabalhadores. Como o município se prepara para aproveitar, e ordenar, o impacto dessas obras na mobilidade e no uso do solo?
A revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável é uma das principais ferramentas para preparar Guarujá para esse novo momento. A proposta busca preservar paisagens e recursos naturais, orientar o crescimento econômico, organizar a expansão imobiliária e criar condições para investimentos em obras estruturantes e serviços essenciais. A minuta será debatida com a população em reuniões e audiências públicas. A última revisão do Plano Diretor é de 2013, e já não responde às novas demandas da cidade. Estamos propondo um planejamento que evite o crescimento desordenado e considere os interesses da população.
Na mobilidade, já executamos intervenções preparatórias para os impactos do túnel e do aeroporto. Também propomos uma nova organização administrativa, com zonas específicas para o centro e Vicente de Carvalho, distrito que concentrará parte importante dessas transformações. A chegada do túnel por Vicente de Carvalho, com ligação direta ao retroporto, permitirá reorganizar o fluxo de veículos, especialmente de caminhões, e melhorar a fluidez do trânsito. Esse redesenho foi resultado do diálogo entre o município, a Autoridade Portuária e os responsáveis pelo empreendimento.
Que ações a gestão toma para dessazonalizar o turismo e, ao mesmo tempo, preservar o patrimônio ambiental?
Guarujá tem potencial para receber visitantes durante todo o ano. São 27 praias, patrimônio histórico, trilhas e possibilidades ligadas ao turismo náutico, esportivo, cultural e de natureza. Estamos fortalecendo a agenda de eventos e programando atividades também fora da alta temporada. Entre junho e setembro, por exemplo, realizamos ações esportivas, culturais e tradicionais justamente para ampliar o movimento turístico no inverno.
O Guarujá Matsuri e uma competição internacional de jet ski, realizada em agosto, mostram como diferentes segmentos podem atrair público em outras épocas do ano. Também trabalhamos na elaboração do novo Plano Diretor de Turismo, que deverá orientar o desenvolvimento dos diferentes segmentos, como turismo náutico, cultural, esportivo, de negócios e ecoturismo. Ao mesmo tempo, buscamos preservar e valorizar os principais patrimônios ambientais da cidade. A praia do Tombo mantém o recorde de certificações Bandeira Azul na América do Sul, e caminha para a 17ª conquista consecutiva. Trabalhamos ainda para que a praia do Guaiúba seja a próxima a receber a certificação. A região também abriga o primeiro Museu Subaquático de São Paulo.
A construção civil cresceu 38% em 2025, e o Guarujá vive um novo ciclo imobiliário. Como conciliar esse adensamento com moradia, infraestrutura e a identidade da cidade?Os números mostram que o mercado voltou a olhar para Guarujá. Nosso desafio é garantir que esse crescimento seja acompanhado de qualidade de vida e infraestrutura. A revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável deverá indicar as áreas com maior potencial de desenvolvimento e estabelecer condições para que a expansão seja acompanhada pela rede de serviços essenciais. Defendemos um crescimento sustentável, que respeite o meio ambiente, a identidade da cidade e a qualidade de vida de quem mora aqui. Ao mesmo tempo, seguimos investindo na recuperação de equipamentos públicos e infraestrutura urbana. Escolas, unidades de saúde e sistema viário fazem parte de uma agenda necessária para preparar a cidade para esse novo ciclo.
Segurança e educação estão entre as maiores preocupações do morador. Que resultados o senhor destaca, e quais são as prioridades para o restante da gestão?
Na segurança, os números mostram avanços, mas não há espaço para acomodação. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado apontam queda significativa em ocorrências como furtos e roubos no primeiro semestre de 2026. Os resultados do último ano contribuíram para que Guarujá fosse considerada a cidade mais segura do litoral sul paulista. Esse trabalho envolve a atuação integrada da Guarda Municipal com as Polícias Civil e Militar, operações estratégicas e ampliação do monitoramento. Também estamos em processo de implantação de uma central de câmeras com uso de Inteligência Artificial, integrada aos bancos de dados dos governos estadual e federal.
Na Educação, iniciamos reformas estruturais, ampliamos o ensino integral e desenvolvemos o projeto Ilha Educadora, com polos educacionais. Também começamos a construção de uma nova escola de tempo integral na Enseada, com estrutura voltada à tecnologia e à transformação social. Além da rede municipal, Guarujá passa a contar com a Fatec e o Instituto Federal, duas instituições públicas de ensino que ampliam o acesso à formação profissional e ao ensino superior gratuito. Educação e segurança são políticas que precisam caminhar juntas. Acredito que a Educação é a ferramenta mais poderosa de transformação social.