Com a pista concluída e o terminal de passageiros em obras, o novo modal entra em etapa decisiva para transformar a conectividade de Guarujá e aproximar turismo, negócios e atividade portuária

Pista pronta, terminal de passageiros em obras e a expectativa de ver aviões comerciais pousando e decolando de Guarujá começa a ganhar contornos concretos. Instalado na Base Aérea de Santos, em Vicente de Carvalho, o Aeroporto Civil Metropolitano Professor José Gonçalves dos Santos entra agora em uma fase decisiva. Um dos principais passos é a conclusão do Plano Básico de Zona de Proteção de Aeródromo (PBZPA) e do Plano de Zona de Proteção de Auxílios à Navegação Aérea (PZPANA).
Os estudos, atualmente em desenvolvimento pela empresa Surface Engenharia e Topografia, definirão o perfil, o modelo das aeronaves que poderão operar e as restrições urbanísticas necessárias para garantir a segurança dos voos. O trabalho envolve não apenas Guarujá, mas também municípios da região, como Santos, São Vicente e Cubatão. Segundo a Secretaria de Assuntos Portuários e Aeroportuários, o contrato para elaboração dos planos tem duração de 12 meses, com conclusão prevista entre março e abril de 2027.
A prefeitura trabalha com a expectativa de que o documento possa ser entregue antes do prazo, já que parte da estrutura existente na Base Aérea serviu como referência para os estudos. Depois dessa etapa, será necessário reunir a documentação técnica e estrutural do empreendimento e encaminhar o processo de homologação aos órgãos federais competentes. A Infraero, contratada pelo município para prestar assessoria técnica e fazer a interlocução com instituições como Anac, Decea e Ministério de Portos e Aeroportos, participa desse processo.
A autorização para o início dos voos, portanto, ainda depende de uma etapa que está fora do controle direto da prefeitura. A expectativa municipal é que os primeiros voos comerciais possam ocorrer em 2027. A data, entretanto, ainda não está definida. Conforme explica a secretária de Assuntos Portuários e Aeroportuários do município, Fábia Margarido, depois que o processo for protocolado, o prazo para a análise federal poderá variar de acordo com os procedimentos dos órgãos técnicos envolvidos.
Nova porta de entrada
O aeroporto é apresentado pelo município como parte de uma transformação mais ampla na posição de Guarujá. A lógica é direta: quanto mais fácil chegar à cidade, maior o potencial de circulação de pessoas, investimentos e negócios. A expectativa é especialmente relevante para empresários e visitantes que hoje dependem de deslocamentos rodoviários a partir dos aeroportos da capital paulista.
Para Fábia Margarido, a conexão aérea pode contribuir, inclusive, para o desenvolvimento da margem esquerda do Porto de Santos, ao facilitar a chegada de empresários e investidores nacionais e estrangeiros interessados nas atividades portuárias e logísticas.
A prefeitura defende que o crescimento da atividade portuária seja acompanhado pela ampliação da infraestrutura de acesso, da perimetral e da malha ferroviária, de forma a reduzir os impactos sobre a população.
Quem poderá chegar
A definição das companhias e das rotas ainda não está fechada, mas a prefeitura afirma que existe interesse do mercado, e que empresas aéreas já acompanham a evolução do projeto. O perfil da operação ainda depende da conclusão do Plano de Zoneamento Aéreo, prevista para março ou abril de 2027.
Perfil de operação: uso compartilhado entre atividades civis, incluindo operações comerciais e mercantis, e atividades militares;
Plano de Zoneamento Aéreo: em elaboração; contrato prevê conclusão entre março e abril de 2027;
Homologação: depende do término da documentação técnica e da análise dos órgãos federais competentes;
Previsão de início dos voos: prefeitura trabalha com o ano de 2027, mas ainda não há data oficial definida.
O estudo também definirá parâmetros técnicos que poderão alterar as projeções para o aeroporto. Para a fase inicial, a previsão é de operação com aeronaves da categoria ATR, de pequeno porte. Há ainda um estudo para uma futura ampliação da pista, que permitiria receber aeronaves maiores e poderia alterar significativamente a capacidade projetada. Por isso, no momento atual, o município trabalha com as estruturas já em execução: a pista de pouso e decolagem concluída e o terminal de passageiros em obras.
A hotelaria já enxerga efeitos potenciais sobre o perfil do visitante. No Casa Grande Hotel Resort & Spa, o turismo de negócios e eventos corporativos tem apresentado crescimento nos últimos anos. Para Lourival de Pieri, diretor-presidente do Casa Grande Hotel e presidente do Movimento Guarujá 2034, a chegada do aeroporto poderá ampliar tanto o turismo de lazer quanto o de negócios.
O que fica na cidade
Para o Movimento Guarujá 2034, o equipamento não deve ser entendido isoladamente, mas como um possível indutor de transformação econômica. Beatriz Laurindo, secretária executiva do movimento, avalia que a conectividade aérea pode inserir Guarujá em novas redes econômicas, turísticas e empresariais, estimulando investimentos, empregos qualificados e uma economia menos dependente da sazonalidade.
A aposta é na formação de novas cadeias econômicas interligadas. A transformação, no entanto, traz uma condição:
Todo este crescimento previsto precisa vir acompanhado de planejamento territorial, mobilidade, saneamento, habitação, proteção ambiental e qualificação da população local”, defende Beatriz.
Para ela, o sucesso do aeroporto não deverá ser medido apenas pelo número de passageiros, mas por quanto desse desenvolvimento permanecerá na cidade e melhorará a vida de seus moradores.