Festa Nacional do Índio resgata a importância dos primeiros habitantes e valoriza sua cultura

Bertioga, que, no início de sua história, foi palco de conflitos e muito sangue derramado entre índios e brancos, transformou-se em cenário de paz e confraternização entre uma nova geração de brancos e índios, 501 anos depois da descoberta do Brasil. Esse momento especial foi vivido por cerca de 300 representantes de nove etnias do Brasil, e milhares de pessoas, de todas as idades, cor, religião e raça, numa união pela paz e a valorização da cultura dos primeiros habitantes deste país. O palco, as areias da praia da Enseada, foi para sediar a I Festa Nacional do Índio, que atraiu cerca de 12 mil pessoas por dia, entre 19 e 22 de abril, quando o público pôde conhecer as danças, cantos, rituais e costumes de grupos como os bakairis, bororos, xavantes, xinguanos, terena-terenos e tupi-guaranis.
Hoje, as sociedades indígenas representam cerca de 300 mil pessoas, o equivalente a 0,2% da população de todo o Brasil, sendo que eram formadas por cerca de seis a 10 milhões de índios, que falavam aproximadamente 1.300 línguas quando os portugueses chegaram ao país. Atualmente, são cerca de 200 povos, que se comunicam em 180 línguas diferentes.
Emoção
O evento, que reuniu pela primeira vez os índios no litoral, desde a Confederação dos Tamoios, em 1563, liderada pelo cacique Cunhambebe, trouxe momentos de muita emoção para o público, mas, essencialmente, aos principais personagens dessa festa: a própria comunidade indígena. O encontro entre o sertanista Orlando Villas Boas e os xinguanos, muitos dos quais viu nascer e crescer, foi um momento marcante.
Com a festa, que procurou resgatar a cultura indígena, Bertioga inicia uma nova fase na história e no cenário nacional, mostrando a cultura e o valor de um povo que o Brasil ainda desconhece: um povo que sabe, mais do que qualquer outro, valorizar sua raça e viver em harmonia com a natureza e o próprio ser humano.