Até o fim do ano, comunidade poderá contar com moradias que retratarão aspectos da cultura tupi-guarani

Em 948 hectares demarcados oficialmente pelo governo federal, vivem na área localizada em Boraceia, divisa entre os municípios de Bertioga e São Sebastião, 260 índios da comunidade tupi-guarani, distribuídos em cinco aldeamentos. Deste total, 65% são crianças, e a população cresce em função de um trabalho realizado pelas prefeituras das duas cidades, que ajudam em projetos dando condições de subsistência à aldeia, considerada exemplo nacional de respeito e preservação à cultura indígena.
Até o fim do ano, a reserva poderá contar com um projeto pioneiro em todo o país com a construção de 50 moradias, que vão manter as características da cultura guarani. Orçado em cerca de R$ 840 mil, o projeto será executado pela prefeitura de São Sebastião com recursos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) que repassará R$ 750 mil, enquanto a administração arcará com o restante da verba.
Há exatamente um mês, no dia 19 de abril, o prefeito de São Sebastião Paulo Julião assinou a autorização para o lançamento do edital de concorrência para a construção das moradias, que vão contar com fossas sépticas para garantir saneamento básico à comunidade.
Outro projeto que ajuda na subsistência da reserva é realizado pela Casa da Agricultura da prefeitura de São Sebastião, com o cultivo de helicônias e o replantio do palmito pupunha, trabalho iniciado em 1997 e que começa a dar os primeiros frutos. Segundo Márcio Alvim Nascimento, representante da Fundação Nacional do Índio (Funai) na região, a reserva conta com cerca de 45 mil pés do palmito, que também serão vendidos para ajudar outras aldeias do litoral. No local, também começou a ser construído um Viveiro de Mudas, para comercialização de bromélias e orquídeas que vão contribuir para aumentar a renda da aldeia, que também produz um rico artesanato.
Escola atende 86 crianças
Desde o início do ano, 86 crianças da Reserva Indígena do Rio Silveira frequentam desde a pré-escola até a quarta série, em três salas de aula inauguradas em 22 de dezembro do ano passado por meio de convênio entre a Secretaria Estadual da Educação e a prefeitura de Bertioga. O município mantém três professores, uma merendeira e auxiliar de serviço para atendimento às crianças, que também aprendem em sistema bilíngue, sendo orientadas por quatro professores da própria reserva que atuam como monitores.
Outro fator importante é o atendimento na área de saúde, sendo que a reserva apresenta índice praticamente zero de mortalidade infantil. A comunidade recebe assistência médica gratuita da prefeitura de São Sebastião que, semanalmente, envia uma médica para atender na aldeia e também ajuda na remoção de doentes. Já a Funai, em convênio com a Fundação Nacional da Saúde (Funasa), mantém uma enfermeira-padrão, auxiliar de enfermagem e odontólogo, que atende oito horas por dia.
Tradições são mantidas
Danças, cantos e rituais sagrados para os guaranis falam basicamente da relação entre o homem e a natureza e tudo o que ela representa espiritualmente para a comunidade. Hoje, crianças e jovens, que ainda falam em tupi, se unem para representar e mostrar essa cultura por meio de um trabalho que resgata essa tradição.
A reserva também mantém sua principal festa religiosa, que acontece anualmente em janeiro, entre os dias 9 e 10, quando as crianças que nasceram no ano anterior são “batizadas" e recebem a denominação em guarani. Trata-se de um ritual especial, que envolve o pajé e a família, uma vez que o nome tem importância vital nos destinos dessa criança. Além disso, todas s noites, as crianças se reúnem com suas famílias na Casa de Reza, onde participam de orações com o pajé.