2001

Restrições ambientais impedem crescimento

Riviera foi planejada para atender cerca de 80 mil pessoas, mas tem apenas metade de sua área desenvolvida


Da Redação
Publicado em 01/10/2019, às 07h12 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h07

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Arquivo JCN
Arquivo JCN


A Riviera de São Lourenço tem ainda metade de sua área, do total dos nove milhões de metros quadrados, para ser ocupada, mas está impedida de crescer em função de restrições da legislação ambiental. “Não podemos abrir ruas porque não podemos desmatar os locais onde essas ruas passam. Temos o projeto de um resort que está parado e poderia gerar muitos recursos ao município. Poderíamos estar contribuindo com cerca de R$ 4 milhões em geração de impostos se tivéssemos condições de expandir”, explica Luiz Carlos Pereira de Almeida, diretor superintendente da Sobloco Construtora S/A, idealizadora do empreendimento.

Ele não se conforma com o problema que atinge uma empresa séria, que paga seus impostos, gera empregos e tem seu trabalho reconhecido internacionalmente pelos critérios de preservação ambiental adotado. “Enquanto isso, a Justiça não vê o mangue que está sendo aterrado, as invasões por toda a parte, pois é mais cômodo atacar uma empresa séria”.

Este tipo de restrição, na opinião do representante da Sobloco, acaba afastando outros empreendedores da cidade “que têm muita pobreza porque não têm como se desenvolver”. Afinal, em seus 482 quilômetros quadrados de extensão, 85% estão em área de proteção ambiental; a cidade tem apenas 15% para ocupação em zona urbana, que, assim mesmo, é atingida por limitações ambientais. “Bertioga está inserida na Mata Atlântica, uma joia que o Brasil tem e que precisa, evidentemente, ser defendida, com sua fauna e flora riquíssimas. Mas o município também precisa abrigar o ser humano que tem seu espaço reduzido”.

De acordo com o empreendedor, esses 15% restantes não podem ser vistos apenas como áreas de contemplação, pois a cidade não tem outro caminho para seu crescimento. Pereira de Almeida defende a autonomia municipal, para que se estabeleçam regras ordenadas de ocupação visando o crescimento da construção civil, a geração de empregos e, consequentemente, de impostos.

Em outros estados, como na Bahia, por exemplo, os empreendimentos turísticos crescem e geram riquezas, além de receberem incentivos para instalação. “Lá carregam o investidor no colo. Aqui, ele chega com boa vontade, planos, mas é penalizado, condenado e execrado. É assim que tratam os empresários", desabafa Pereira de Almeida.

Loucura



Mesmo assim, após todos esses anos, ele não desanima e nem mesmo se arrepende pelo empreendimento que virou um sucesso quando, na época, em virtude inclusive de dificuldades de acesso, era apenas um sonho. “Aceitamos o desafio e fizemos o primeiro prédio, o Riviera Flat. As pessoas passavam na praia e numa estrada de terra quando iam para o litoral norte. Olhavam aquele prédio saindo no meio da mata, causando espanto e perguntavam: Quem são os loucos que estão fazendo isso aí?", lembra Almeida.

Mas, mesmo naquela época, muito antes de se falar em meio ambiente, já havia essa preocupação com a preservação. “Se a gente busca algum lucro ou resultado financeiro desse empreendimento, não pode ser à custa da natureza", conclui o representante da Sobloco.

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