
A Reserva Indígena Rio Silveira localiza-se na divisa dos municípios de Bertioga e São Sebastião, distante cerca de 40 quilômetros do centro de Bertioga, pela Rodovia Rio-Santos, sentido São Sebastião, mais precisamente nos bairros de Boraceia e Barra do Una. Situa-se nas cabeceiras do rio Silveira e do Ribeirão Vermelho e seus afluentes. Tem cerca de 948 hectares, assegurados pelo Decreto da Presidência da República nº 94.568, de 8 de julho de 1987.
É habitada por índios da etnia guarani dos subgrupos Mbyã e Nandeva. Os guaranis são divididos em três subgrupos: Kaiowa, Năndeva e Mbyã. A cada um destes subgrupos guaranis corresponde três concepções da realidade pautadas antes de tudo sobre incorporações variadas de elementos coletados em acervo mítico-religioso com origens comuns e que constituem ideologias e práticas distintas.
Esse fato se manifesta nos dialetos, rituais, interpretações míticas, organização política, em regras de parentesco ou em outras esferas da sociedade guarani. De maneira geral, esta comunidade indígena tem sobrevivido mediante sua própria estrutura organizacional, sendo que nas aldeias inexiste a presença de brancos. A prática do ritual religioso é constante na vida do grupo e tem uma importância fundamental frente à organização social dos mesmos. Os membros desta comunidade indígena guarani ocupam-se na confecção de artesanato, que geralmente são comercializados em feiras livres nas cidades circunvizinhas da aldeia e ainda na rodovia Rio-Santos, principalmente em época de temporada.
Nesta aldeia existem pequenas plantações familiares de banana, mandioca, batata-doce e também lavouras de milho, feijão para subsistência, cuja área trabalhada é insuficiente para o atendimento do consumo durante o ano todo. Existe, ainda, a criação de pequenos animais como galinhas; praticam a caça, encontrando em suas matas animais como tatu, quatis e ainda outros tipos de aves. Quanto às condições de habitação deste grupo, suas casas são feitas de pau-a-pique, cobertas de sapé e palha de guaritana. O chão é batido e em seu interior encontramos uma ou duas divisórias. Em geral, possuem camas em forma de tarimbas e prateleiras para guardar os utensílios de cozinha (pratos, caldeirões etc.), além de gêneros alimentícios.
Atualmente, 45 famílias têm residência fixa na aldeia, embora ela abrigue vários guaranis de outras regiões, que para cá se dirigem em busca de recursos naturais. Conta uma população de 225 indígenas, entre adultos e crianças, sendo que 65% desta população são constituídas por crianças na faixa etária de 0 a 15 anos.