Os primeiros relatos sobre a vida das tribos que habitavam o Brasil foram feitos pelo artilheiro alemão

A saga do artilheiro alemão Hans Staden, que chegou a ser aprisionado pelos tupinambás em Iperoig, região de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, correu mundo após a primeira publicação da história, contando a relação entre índios e brancos no período da colonização. Seus relatos foram editados em 1555, em Frankfurt, na Alemanha, e em 1557, foram traduzidos para o latim, inglês, francês e holandês. No Brasil, a primeira tradução foi de Alencar Araripe, em 1892, e depois em 1900, por Alberto Logfren, sendo reeditada em 1930 pela Academia Brasileira de Letras.
A história de Hans Staden começa quando ele resolve viajar para a Índia e embarca, em 29 de abril de 1547, em um navio que levaria carga de sal para Portugal. Em Lisboa, conhece um alemão que o apresenta como artilheiro ao capitão Penteado, que tinha o Brasil como destino para onde transportaria criminosos, sujeitos a degredo, para morar nas novas terras.
Staden seguiu primeiro para Santa Catarina aonde chegou em 1549. Depois naufragou quando se dirigia para a Capitania de São Vicente. Seus conhecimentos atraíram a atenção dos portugueses, que o contrataram para trabalhar nas fortalezas de São Felipe e São Tiago, hoje Forte São João.
Nessa época, os tupinambás eram influenciados pelos franceses que os induzia a se posicionarem contra os portugueses, que tinham o apoio dos tupiniquins. A saga do artilheiro começou quando foi aprisionado pelos tupinambás, com quem conviveu por cerca de nove meses e assistiu a morte de várias pessoas pelos índios canibais. Ele conseguiu sair ileso, pois ganhou o respeito dos tupinambás em função de sua cor branca e olhos azuis, diferente dos portugueses, e também por seus conhecimentos.
As noções de medicina, meteorologia e até psicologia impressionaram os índios. Staden somente foi libertado depois que um navio francês atracou em Iperoig (Ubatuba), levando mercadorias para os índios. Porém, ele teve de prometer aos tupinambás que voltaria com muitos presentes.