2001

Emancipação: o sonho de uma comunidade

Após lutas e pressões políticas, que duraram cerca de nove anos, a população bertioguense deu seu grito de independência


Da Redação
Publicado em 30/09/2019, às 08h24 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h12

FacebookTwitterWhatsApp

Imagem Emancipação: o sonho de uma  comunidade


Quando houver a emancipação, Bertioga vai crescer muito. O sonho de Licurgo Mazzoni era compartilhado por muitos moradores que queriam o progresso do antigo distrito de Santos, até então vivendo com poucos recursos do volume de impostos arrecadados pela administração santista. Ele, que acreditava no desenvolvimento de Bertioga, faleceu em 1993, dois anos após o povo bertioguense ter declarado sua independência de Santos, com o plebiscito realizado no dia 19 de maio de 1991, que obteve voto favorável de 99% dos 60% dos eleitores do então distrito. O sonho de Licurgo Mazzoni foi realizado e ele estava feliz com a primeira administração, sob o comando do então prefeito Mauro Dedemo Orlandini, quando faleceu aos 62 anos, deixando muita saudade, mas que tem o carinho e o respeito eternos de seus amigos e de toda a comunidade, lembra sua mulher Norma Mazzoni.

Porém, a luta pela emancipação não foi fácil. Foram quase nove anos entre guerra de poderes, pressões políticas e um grande esforço da comunidade, que começou em 1982. Nessa luta, algumas pessoas foram fundamentais como todos os integrantes da Comissão Organizadora da Emancipação, presidida por Licurgo Mazzoni e o deputado federal Maurício Najar. Na época, ele foi o responsável pela apresentação, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, do projeto que resultou no processo de emancipação de Bertioga.

A comissão era também integrada por Antonio Duarte, Antonio Purita, Gerônimo de Souza Lobato, Eunice Lobato, Irene Vaz de Pinto Lyra, Pérsio Dias Pinto, Abelardo de Araújo Barros e os conselheiros José Nunes Viveiros (Zeca do Gás), Paulo Sérgio Martinez, Sérgio Pastori e mais 129 fundadores.



Houve muita pressão, em âmbito federal, pois existia uma lei que impedia os distritos paulistas de se emanciparem, exigindo que, para isso, deveriam ter cinco milésimos de arrecadação de impostos do estado, o que era inviável.

A própria prefeitura de Santos tentou impedir a emancipação. Isso fez com que, em 1987,  Pérsio Dias Pinto e Eunice Lobato levassem a Brasília, aos representantes da Subcomissão de Assuntos Municipais da Assembleia Constituinte, uma minuta de lei, elaborada por Diógenes Gasparini, responsável pela Lei Orgânica dos Municípios, solicitando que questões relacionadas à emancipação dos distritos passassem para a alçada do governo do estado.

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!