
Ao completar cinco anos de Bertioga, um município com cerca de 25 mil habitantes, vê esse número. A cidade, que cresce rapidamente, com casas de veraneio e belos condomínios, ainda conta com regiões de vida primitiva, manguezais, riquezas de uma história que remonta ao ano de 1531, quando a cidade surgiu através da construção do Forte de São Tiago pelo donatário da Capitania de São Vicente, Martin Afonso de Souza
De seu passado colonial, restam o Forte de São João e os índios tupi-guaranis, que vivem numa aldeia, em reserva demarcada pelo governo federal na beira do rio Silveiras, divisa com São Sebastião. A força da cultura indígena está presente no nome de Bertioga, a Buriquioca dos índios, que significa “morada dos grandes macacos". Mas foi para se defender dos ataques indígenas e franceses, que o forte foi construído.
Em 1545, foi feita a doação da sesmaria de Bertioga para Jorge Pires. Dois anos depois, a fortificação de madeira foi reformada, ganhando muros de alvenaria. Nesse ano, um ataque dos índios, que chegaram com mais de 70 canoas, foi rechaçado. A povoação ocupava um trecho à beira-mar defendido pelo morro da Senhorinha. O Forte de São João, que era a defesa do povoado, também abrigou pessoas ilustres da história do Brasil como os jesuítas Anchieta e Nóbrega, que vieram catequizar os índios. O local foi morada, ainda, do armeiro alemão Hans Staden, autor da primeira obra importante sobre a vida das comunidades indígenas no Brasil. Foi de Bertioga que, em 1565, saiu a esquadra comandada por Estácio de Sá para fundar o Rio de Janeiro
Em 1699, o Forte foi novamente reformado, ganhando as características atuais, e rebatizado em 1765, tornando-se, então, Forte de São João. O Exército utilizou suas instalações até 1945 para abrigar as tropas. A última guarnição, do Batalhão de Caçadores de Caçapava, defendeu a região da ameaça alemã durante a Segunda Guerra Mundial.
Vale lembrar que, nos séculos XVI e XVII, a caça à baleia foi intensificada em Bertioga, que contou com uma armação de baleias para extração do óleo, que era destinado para a iluminação das cidades de São Vicente, Santos e São Paulo.
Quatro séculos depois, a cidade que viveu comandada por Santos, até sua emancipação, em 1991, ainda guarda lembranças desse passado. Andar por Bertioga é reviver parte importante da história de um dos povoados mais antigos desse país. É sentir a importância de se preservar culturas originárias e de civilizações mais antigas, que deixaram suas marcas nessa região através de sambaquis, resquícios de uma civilização com mais de cinco mil anos.
Enfim, história, cultura, lendas e mistérios, além de belezas naturais, convivem num único espaço, que merece ser conhecido e espera por você.