
Se, por um lado, a importância da emancipação de Bertioga é indiscutível e só trouxe vantagens como a liberdade de seguir seus próprios passos sob comando específico, por outro, trouxe problemas comuns de uma cidade que nasce e começa a se estruturar. Numa avaliação sobre os últimos cinco anos e também sobre a administração, os nove vereadores eleitos para representar, pela primeira vez, os anseios dessa população, avaliam o desenvolvimento do município.
Em enquete especial do Costa Norte, eles apontam o que foi positivo e negativo nos últimos anos e opinam sobre as prioridades de Bertioga.
Antonio de Jesus Henriques (PMDB) - Tudo foi positivo e não esperávamos chegar aonde chegamos em termos de desenvolvimento e obras. Foram criadas oito emeis, um pronto-socorro, ampliadas escolas estaduais. Há ainda a avenida Anchieta e a aquisição do prédio da prefeitura.
Não houve nada negativo, apesar de faltar muita coisa na cidade. Não houve possibilidade e nem dinheiro para resolver alguns problemas. A prioridade é levar água aos bairros.
A liberdade e independência de Santos era necessária para Bertioga deixar de ser um fundo de quintal.
Faltou maior entrosamento entre prefeitura, Legislativo e comunidade. Até o ano passado, vivíamos sob um estado ditador onde o prefeito fazia o que queria. A administração poderia ter feito mais como a elaboração do Plano Diretor, que deveria ter sido entregue à Câmara no final de 1993, e não na última hora.
De positivo, só as próximas eleições, pois o povo estará mais amadurecido, a eleição de Mauro Orlandini e tenho uma parcela de culpa nisso e a incompetência pública. A administração deixou a desejar nas áreas de saúde e habitação.
Lairton Gomes Goulart (PRP): Tudo foi positivo a partir da emancipação, principalmente, porque Bertioga começou a caminhar com as próprias pernas. Somos nós que dirigimos nossos destinos. Errando ou acertando, nós é que decidimos. Embora discorde em 80% da administração de Mauro Orlandini, faço ressalvas devido ao início da história da cidade. Mas a arrecadação tributária ainda não está bem organizada, o que dificulta o orçamento. Saúde é prioridade. Precisamos de melhor planejamento, equipe médica, assistência maternal-infantil, que hoje é precária. Cabe aos municípios a absorção de quase totalmente seus doentes, provendo os hospitais com equipamentos e pessoal necessário para resolver, pelo menos, os casos triviais.
Miguel Bichir (PSD): É positivo o fato de podermos gerir nossos destinos, mesmo com todas as dificuldades. O governo e a administração em todos os sentidos. Faltam investimentos e infraestrutura, uma administração viável preocupada com a coisa pública, decente e ética.
Ney Moura Nehme (PSD): O município conseguiu vida própria, fugiu do domínio de Santos que a escravizava. A vantagem da independência é poder crescer ordenadamente. É uma cidade nova, carente de muita coisa. Poderia ter crescido mais se tivéssemos um Plano Diretor, uma Planta Genérica de Valores e um Código Público, pois ainda hoje seguimos as diretrizes de Santos. A própria arrecadação poderia ter seus impostos corrigidos, com uma taxação mais honesta. Hoje o imposto é um castigo. Tudo é prioridade em Bertioga, mas é preciso realizar as obras com os pés no chão e dentro das possibilidades, tendo respaldo financeiro e técnico, não só fazendo promessas.
Nelson Turri (PSL): Com a emancipação, foi criada a necessidade de cidadania no povo de Bertioga. Como pontos de destaque da administração estão os investimentos na educação, o desenvolvimento cultural e a geração de empregos através da estrutura da máquina pública. Não existe nada negativo no município, a não ser o fato de que vivemos uma transição política onde sentimentos são mostrados em função das próximas eleições. Mas é um sentimento passageiro e todas essas pessoas são de boa fé.
José Carlos Buzinaro (PSL): Quem ganhou com a emancipação foi a comunidade, que aprendeu, democraticamente, a definir seu futuro. Não tem nada negativo. Mas temos prioridades. É preciso investir em infraestrutura, saneamento básico, e definir um Plano Diretor para obter novos investidores.
Antonio Rodrigues (PMDB): Mais de 40 anos ficamos sob o domínio de Santos. Bertioga mudou radicalmente graças à boa administração de Orlandini. A cidade se desenvolve através de um planejamento ordenado; temos registrado índice de crescimento maior do em outros municípios. Estamos sabendo conciliar nosso desenvolvimento, preocupados com a qualidade ambiental. Procuramos subsídios para nos desenvolver naquilo que é nossa vocação: o turismo, a indústria do futuro.
Falta mais união entre os poderes. Mas essa é a nossa primeira legislatura. Sabíamos que teríamos dificuldades para direcionar a vida do município. Porém, mais como cidadão do que como político, tenho certeza que posso ajudar nas prioridades da população.