Jesuíta viveu 44 anos no Brasil e teve muitos de seus trabalhos inspirados na região

A relação de José de Anchieta com Bertioga e toda a região, no período da colonização, será abordado pelo pesquisador Nilo Nunes, que pretende editar um livro contando fatos pitorescos sobre as visitas do jesuíta durante o período de catequização dos índios. Sua participação na formação histórica da região e do país foi intensa e fecunda, tanto que Anchieta pode ser considerado um dos primeiros educadores do Brasil.
Nascido em 19 de março de 1534, em São Cristóvão da Laguna, nas ilhas Canárias, na Espanha, José de Anchieta era o terceiro entre 12 irmãos. Aos 14 anos, foi estudar em Portugal, matriculando-se no Colégio das Artes, anexo à Universidade de Coimbra. Seus colegas o chamavam de “Canário de Coimbra” em alusão à sua origem, que era das ilhas Canárias.
Convidado por Inácio de Loyola, ingressou na Ordem Jesuítica em 1° de maio de 1551. Nos primeiros anos de sua juventude contraiu uma enfermidade que deixou marcas até o fim de sua vida, passando a sofrer fortes dores na coluna e seus ombros arquearam. Como a doença se agravou, ainda em 1551 foi convidado pelo padre Miguel Torres, seu superior, a viajar ao Brasil, que tinha um clima favorável para a recuperação de sua saúde.
Anchieta partiu do Tejo, em Lisboa, em 9 de maio de 1553, acompanhando a caravana do 2° governador-geral Duarte da Costa, que chegou a Salvador, na Bahia, em 13 de julho. No Brasil, já estavam padre Manoel da Nóbrega e mais quatro jesuítas.
Nóbrega enviou à Bahia o padre Leonardo Nunes com a missão de levar Anchieta e seus companheiros para a Capitania de São Vicente, aonde chegaram em 24 de dezembro de 1553. No local foi fundado um colégio, que ficava a três léguas da Vila de Santo André da Borda do Campo, onde vivia João Ramalho, e a meia légua da aldeia de Piratininga.
Trabalhos
Anchieta ministrava aulas ao ar livre, compunha versos, músicas e peças teatrais. Foi literato, poeta e primeiro “tupinólogo”, escrevendo a primeira gramática em vocabulário tupi, que ajudou os missionários no convívio com os índios. Ele produziu dois poemas importantes: De Gentis Mem de Saa Os Feitos de Mem de Sa, e o Poema da Virgem, com 5.732 versos latinos criados nas areias de Iperoig (Ubatuba). Esse trabalho aconteceu durante os meses em que permaneceu com os índios após partir de Bertioga, em 1564, com Nóbrega, no barco de José Adorno, para a missão de paz que resultou na Confederação dos Tamoios.
Em 1565, partiu novamente de Bertioga com Estácio de Sá, para acompanhar a expulsão dos franceses e fundar a cidade do Rio de Janeiro. De volta a São Vicente, exerceu por seis anos a reitoria do Colégio São Paulo, até 1577.
Anchieta faleceu em 9 de junho de 1597, com 63 anos, 44 deles vividos no Brasil. Seu corpo foi enterrado na Igreja de São Tiago, em Vitória, capital do Espírito Santo, onde também trabalhou intensamente. Em 1606, os ossos foram traslados para a Igreja do Colégio da Bahia.
Após pedidos feitos por jesuítas do Brasil, em 1617 foram abertos processos de beatificação e canonização do “Santo Padre José de Anchieta", mas sua beatificação foi confirmada em 22 de junho de 1980 pelo Papa João Paulo II. Por sua passagem pela região há muitas histórias, inclusive, relacionadas a milagres, explica Nilo Nunes, que tem estudado a vida do padre e promete divulgar tudo em detalhes.