O artilheiro alemão relatou os primeiros contatos entre brancos e índios na região

Os trechos da publicação Bertioga, Berço da História do Brasil, relacionados às aventuras do artilheiro alemão Hans Staden, de quem partiram os primeiros relatos dos contatos entre brancos e índios, prometem atrair a atenção do leitor. Afinal, sua história, que já virou tema de produção nacional lançada em 2000, durante as comemorações dos 500 anos de Descobrimento do Brasil, é repleta de ação, coragem e inteligência.
Ela começa quando Staden resolve viajar para a Índia e embarca, em 29 de abril de 1547, em um navio que levaria carga de sal para Portugal. Em Lisboa, conhece um alemão que o apresenta como artilheiro ao capitão Penteado, que tinha o Brasil como destino, para onde transportaria criminosos, sujeitos a degredo, para morar nas novas terras.
Staden segue primeiro para Santa Catarina, onde chega em 1549, mas depois sofre um naufrágio durante a viagem à Capitania de São Vicente.
Seus conhecimentos atraíram a atenção dos portugueses, que o contrataram para trabalhar nas fortalezas de São Felipe e São Tiago, que, desde 1765, é conhecido como Forte São João. Na época, os tupinambás eram influenciados pelos franceses, e os tupiniquins apoiados pelos portugueses. Mas a grande aventura de Staden foi ser capturado e aprisionado pelos tupinambás com quem conviveu por cerca de nove meses. Nesse período, ele assistiu à morte de várias pessoas pelos índios, que eram canibais, inclusive de Jorge Ferreira, um dos heróis bertioguenses.
Por ser diferente dos portugueses, ter a pele branca, olhos azuis e muitos conhecimentos, ele passou a ser respeitado pelos índios durante o tempo em que esteve preso em Iperoig (Ubatuba). Os tupinambás ficavam impressionados com as noções que Staden tinha sobre meteorologia, medicina e até psicologia, que ajudaram a salvar sua vida.
Ele foi liberado após um navio francês atracar em Iperoig com mercadorias para os índios. No entanto, para poder voltar à Europa, teve de prometer aos tupinambás que retornaria com muitos presentes.
Assim termina sua aventura, que ficou conhecida em todo o mundo a partir de 1555, quando seus livros foram editados em Frankfurt, na Alemanha. Em 1557, foram traduzidos para o latim, inglês, francês e holandês. No Brasil, a primeira tradução foi de Alencar Araripe, em 1892, e depois, em 1900, por Alberto Logfren, sendo reeditada em 1930 pela Academia Brasileira de Letras. O escritor Monteiro Lobato também chegou a editar uma série sobre as histórias do artilheiro alemão entre os índios.