População precisa descobrir e amar a cidade para que ela possa ser grande

Ao comemorar, neste sábado, 19 de maio de 2001, seus 10 anos de emancipação político-administrativa, a população de Bertioga tem uma necessidade premente: começar a pensar no futuro da cidade, que vive uma crise de identidade e precisa urgentemente definir sua vocação. Mas nada disso pode acontecer e a cidade realmente seguir seu destino, que é ser grande, se as pessoas que aqui moram não se conscientizarem de seu valor histórico, seu potencial turístico, de suas riquezas naturais e, principalmente, não demonstrarem seu amor a uma cidade que está apenas dando os primeiros passos.
Essa campanha de uma verdadeira declaração de amor vem sendo defendida e anunciada pelo gerente da Colônia de Férias Ruy Fonseca, Nelson Lourenço, há pelo menos três anos. Segundo ele, é preciso recuperar a autoestima da população, fazer com que ela sinta orgulho de ser bertioguense, o que está faltando. Essa demonstração pode se dar nos pequenos gestos.
Como exemplo, Lourenço cita que, dos 25 coqueiros plantados pelo Sesc na rotatória da avenida Anchieta com a Pastor Djalma Coimbra, 18 foram arrancados. As valas e galerias de águas pluviais estão cheias de lixo, inclusive geladeiras e sofás, e até mesmo a praia é usada de forma predatória. Precisamos arregaçar as mangas e ajudar a cuidar do que temos, o que não é pouco, pois a cidade tem tudo para crescer e se tornar grande, mas que seja de uma forma ordenada, consciente e que beneficie o turismo e todos os moradores. Afinal, a cidade só vai ser boa para o turista, quando for boa para quem mora nela, um pensamento unânime entre autoridades e até mesmo representantes de vários setores da comunidade.
“Só temos 10 anos de emancipação, mas a vida inteira pela frente para fazermos a cidade que queremos", lembra Lourenço.
Quem no mundo tem isso aqui?
Bertioga pode ser considerada um pulmão verde a 104 quilômetros de São Paulo, o maior centro gerador e emissor do mundo. Possui a maior variação de ecossistemas conhecidos desde a floresta de Mata atlântica, em estado de preservação, até complexos de mangue em extraordinária característica de intocabilidade. A Mata Atlântica densa e fechada propicia ao turista muita adrenalina e garante o contato com uma variedade de espécies da fauna e flora nativas.
Além disso, tem um imenso sistema hídrico, situado entre o mar e a montanha, de alta importância pela possibilidade de total navegabilidade representada pelos rios Itapanhaú, Itaguaré, Guaratuba e o canal de Bertioga, que faz a ligação fluvial com Santos. Bertioga tem praias extensas e propícias a banhos e também à atividades esportivas, principalmente, do setor náutico.
Isso, sem contar seus atrativos históricos, culturais e arqueológicos, como o Forte São João, o primeiro erguido no Brasil, Armação das Baleias, sambaquis, a Usina de Itatinga, um verdadeiro patrimônio do município, e muito mais. Todos esses dados constam de um levantamento realizado por uma empresa de consultoria em meio ambiente, a pedido do Sesc Bertioga, para análise do potencial das áreas da região.
Diante disso, fica a questão colocada por todos que conhecem essa riqueza. Quem, no mundo, tem o que temos? Basta, então, cuidarmos dessa riqueza que muitos invejam e poucos têm, valorizá-la, explorá-la racionalmente e, acima de tudo, amá-la.