Estado de São Paulo alcançou 443 pontos em ciências; 434 em leitura e 404 em matemática, na avaliação internacional de estudantes

A educação de São Paulo alcançou o melhor resultado de sua história no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) 2025, avaliação internacional que mede o desempenho de estudantes de 15 anos. Os resultados foram divulgados nesta terça-feira (8), pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Pela primeira vez em dez anos, a organização também divulgou resultados separados por estado. São Paulo ficou acima da média brasileira nas três áreas avaliadas: ciências, leitura e matemática.
No estado, foram avaliados 2.239 estudantes, selecionados por sorteio. Em todo o Brasil, participaram 30.140 alunos.
No Pisa 2025, São Paulo alcançou:
A média brasileira foi de 409 pontos em ciências; 408 em leitura e 377 em matemática. Na comparação com 2015, São Paulo também apresentou crescimento nas três áreas. O estado avançou 34 pontos em ciências; 17 em leitura e 18 em matemática.
O resultado de ciências ganhou destaque porque essa foi a área principal do Pisa 2025.
Diferentemente de avaliações como o Saeb e o Saresp, que verificam conhecimentos previstos para cada etapa escolar, o Pisa procura avaliar como jovens de 15 anos conseguem usar aquilo que aprenderam para resolver situações do cotidiano.
A avaliação é feita a cada três anos e tradicionalmente analisa matemática, leitura e ciências, com uma dessas áreas escolhidas como foco principal em cada edição.
Em 2025, o foco foi ciências. A prova avaliou, entre outras capacidades, como os estudantes interpretam dados científicos, analisam evidências e compreendem fenômenos relacionados ao meio ambiente e às mudanças climáticas.
A amostra reúne estudantes de 15 anos matriculados a partir do 7º ano do ensino fundamental, independentemente da série em que estejam. Além das três áreas tradicionais, o Pisa 2025 também avaliou aprendizagem no mundo digital, por meio do Learning in the Digital World (LDW), e língua inglesa. Os resultados dessas duas avaliações serão divulgados posteriormente pela OCDE.
Os dados mostram a evolução das notas do estado nas três áreas.
| Ano | Brasil | São Paulo |
|---|---|---|
| 2006 | 370 | 370 |
| 2009 | 386 | 390 |
| 2012 | 389 | 403,6 |
| 2015 | 377 | 386 |
| 2022 | 379 | N/A |
| 2025 | 377 | 404 |
| Ano | Brasil | São Paulo |
|---|---|---|
| 2006 | 393 | 392 |
| 2009 | 412 | 424 |
| 2012 | 407 | 421,6 |
| 2015 | 407 | 417 |
| 2022 | 410 | N/A |
| 2025 | 408 | 434 |
| Ano | Brasil | São Paulo |
|---|---|---|
| 2006 | 390 | 385 |
| 2009 | 405 | 412 |
| 2012 | 402 | 417,4 |
| 2015 | 401 | 409 |
| 2022 | 403 | N/A |
| 2025 | 409 | 443 |
* Fontes: OCDE, Inep e Seduc-SP.
Segundo a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, a rede adotou, desde 2023, ações para ampliar a aprendizagem e aproximar os conteúdos de situações vividas pelos estudantes.
Entre as medidas estão a atualização das matrizes curriculares e mudanças no ensino médio. A quantidade de itinerários formativos passou de 11 para três opções: exatas, humanas e ensino médio técnico.
Também houve aumento da quantidade de aulas semanais de língua portuguesa e matemática, nos anos finais dos ensinos fundamental e médio. A rede ainda incluiu educação financeira, orientação de estudos em matemática e língua portuguesa e projeto de vida para os diferentes tipos de escola.
Entre as ações adotadas para enfrentar as defasagens de aprendizagem que permaneceram após a pandemia está o programa de Tutoria de Aprendizagem de língua portuguesa e matemática, voltado para turmas do 6º ao 9º ano.
Antes da aplicação dos resultados apresentados em 2026, o modelo passou por um projeto-piloto, que foi validado por pesquisadores da Universidade de Stanford. Já nas avaliações diagnósticas realizadas no primeiro e no segundo semestres de 2026, os estudantes que participaram da tutoria apresentaram evolução de 1,7 a 2,9 vezes mais rápida que a média regular, segundo os dados divulgados pela Seduc-SP.
A iniciativa faz parte das medidas adotadas pela rede para enfrentar as defasagens que permaneceram no período pós-pandemia.
Outro ponto destacado pelo governo estadual é o crescimento do ensino médio técnico. O número de matrículas nessa modalidade passou de 35 mil estudantes, em 2023, para 231 mil no início de 2026.
A meta informada pela Secretaria da Educação é chegar a 350 mil vagas em 2027. O secretário da Educação de São Paulo, Renato Feder, relacionou a formação prática oferecida aos estudantes à preparação para situações que vão além da escola.
O resultado também foi comentado por Andreas Schleicher, pesquisador em educação, chefe de divisão da OCDE e coordenador do Pisa. Segundo ele, o desempenho de São Paulo mostra avanços concretos quando o currículo aproxima a aprendizagem da vida real e as escolas têm condições e instrumentos para ensinar com eficácia.