SUPERAÇÃO

Estudantes de Santos levam ouro e prata na Jornada de Foguetes no Rio de Janeiro

Alunos da escola Azevedo Júnior destacam superação, dedicação e aprendizado científico, na competição que reúne diversas escolas do Brasil

Estudantes de Santos levam ouro e prata na Jornada de Foguetes no Rio de Janeiro
Competição da OBA reúne alunos de todo o país, classificados na Olimpíada de Foguetes - Divulgação/E.E. Azevedo Júnior


A escola estadual Azevedo Júnior, localizada no bairro Vila Belmiro, em Santos, litoral de São Paulo, conquistou uma medalha de ouro e outra de prata, na 78ª Jornada de Foguetes, sediada, entre os dias 27 e 30 de outubro, no Hotel Fazenda Ribeirão, em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro.

A competição faz parte do programa anual da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e reúne estudantes de escolas públicas e privadas de todo o país classificados na Olimpíada Brasileira de Foguetes (Obafog).

A primeira etapa ocorreu nas próprias escolas, e as três melhores equipes de cada instituição foram classificadas para a fase nacional. Em junho de 2025, os alunos santistas, sob orientação das professoras Nara Tereza Benevenuto de Amorim e Flávia Martho Landinho surpreenderam com resultados expressivos e representaram o litoral na competição nacional.



O desempenho impressionou até os professores mais otimistas - Divulgação/E.E. Azevedo Júnior
O desempenho impressionou até os professores mais otimistas - Divulgação/E.E. Azevedo Júnior

Os foguetes

A Jornada de Foguetes consiste no lançamento de foguetes feitos com materiais do dia a dia, como garrafas PET, água e ar comprimido. A competição é dividida em cinco níveis, conforme o grau de ensino e o tipo de propulsão: ao Nível 1, com alunos do ensino fundamental que utilizam garrafas PET sem válvula, ao Nível 5, com universitários que constroem foguetes de propelente sólido com sistemas avançados.

Os lançamentos ocorrem em áreas abertas e seguras, como pátios escolares ou campos esportivos; além disso, são usadas bases de PVC, e a distância é medida do ponto de partida até o impacto no solo. 

No caso dos estudantes do 6º ao 9º ano, são feitos foguetes com água e ar comprimido, mas eles também aprendem a fazer foguete que voa por propulsão.



Superação

Gustavo, Clara, Juan e Isadora conquistam destaque com lançamentos premiados na Mobfog - Divulgação/E.E. Azevedo Júnior
Gustavo, Clara, Juan e Isadora conquistam destaque com lançamentos premiados na Mobfog - Divulgação/E.E. Azevedo Júnior

Os estudantes Gustavo Francisco José e Clara Rustighi da Rocha, ambos do 9º ano, alcançaram o ouro com um lançamento de 322,2 metros. Seus colegas do 8º ano, Juan Vinnycius dos Santos Andrade e Isadora Barbosa Bispo da Silva, levaram a prata após atingirem a marca de 149,8 metros. Cada equipe teve direito a dois lançamentos, um em cada dia de evento.

Apesar do sucesso nas pontuações finais, os alunos falharam nos lançamentos iniciais da jornada, marcada por frustração e aprendizado. As professoras Nara e Flávia relataram que o primeiro dia não correu como o esperado. "Foi difícil ver a tristeza nos olhos dos alunos depois de tanto esforço", afirmou a professora Nara. "Mesmo assim, sabíamos que eram vitoriosos por estarem ali, representando uma escola pública sem apoio, mas com muita vontade", completou.

A virada ocorreu após uma palestra motivacional da educadora Larissa Marquezin, experiente competidora e palestrante do evento. "As palavras dela tocaram todos nós. Era exatamente o que precisávamos ouvir naquele momento", contou a professora Flávia. No segundo dia, sob um céu claro e sem chuva, os lançamentos superaram as previsões.



Vaquinha e patrocínio

A professora Nara também destacou os esforços financeiros necessários para levar os alunos à competição. "Fizemos uma vaquinha e atingimos 4.500 reais. Ainda precisávamos completar R$ 13 mil para cobrir todos os custos com inscrições, hospedagem e transporte", explicou.

Segundo ela, as inscrições custavam R$ 1.350 por pessoa e incluíam alimentação completa, hospedagem e taxa do evento. "Conseguimos patrocínio com a empresa Piatec Construções, que foi essencial para nossa participação. O transporte, uma van que dividimos com a Escola Americana, ficou em 3.990 reais", detalhou a docente.

Professoras arrecadaram recursos por meio de vaquinha online e obteve patrocínio para custear a viagem dos alunos - Divulgação/E.E. Azevedo Júnior
Professoras fazem vaquinha e conseguem patrocínio para custear viagem de alunos  - Divulgação/E.E. Azevedo Júnior

Alunos orgulhosos

Entre os estudantes, o orgulho foi evidente. "Quando soubemos que participaríamos da Jornada, foi uma surpresa e uma alegria imensa", relatou Juan Vinnycius. Sua colega Isadora completou. "A viagem e o apoio que recebemos nos mostraram o quanto vale a pena acreditar".



Clara Rustighi destacou os desafios devem ser aplicados no futuro profissional. "Foi uma experiência incrível para nós. Foi um aprendizado muito grande e, principalmente, por ser meu projeto de vida, ser engenheira aeroespacial e, consequentemente, virar um astronauta. Realmente foi incrível para mim". 

Gustavo Francisco contou que no início ele e o colega estavam “com o pensamento negativo” e não acreditavam que “o segundo dia ia dar certo”. Segundo ele, “de última hora”, decidiram insistir e contaram com a ajuda da professora Pâmela, o que fez “tudo dar certo”. Sobre a apresentação, afirmou que ele e Juan ficaram “bem nervosos” ao falar para “mais de 90 equipes” e cerca de “200 pessoas”, descrevendo a experiência como “única”.

Para as professoras, mais do que prêmios, a Jornada de Foguetes deixou um legado educacional marcante. "Ver o foguete intacto, com terra do campo de lançamento, é como guardar um símbolo de tudo o que vivemos", disse Flávia. A equipe retornou a Santos com entusiasmo renovado e a certeza de que o espaço da educação pública brasileira também pode alcançar grandes alturas.



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