PATRIMÔNIO E IDENTIDADE

Dia Nacional da Língua Portuguesa destaca a força e a diversidade do idioma

O idioma português reflete a pluralidade cultural dos países lusófonos; veja análise das transformações, desafios e futuro da língua no Brasil


Redação
Publicado em 05/11/2025, às 10h58

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Brasil celebra o Dia Nacional da Língua Portuguesa nesta quarta-feira (5) - Freepik - Divulgação


O idioma português é falado por cerca de 260 milhões de pessoas, no mundo, e carrega, em cada país, um sotaque, uma sonoridade e uma identidade própria.

No Brasil, a língua portuguesa ganhou ritmo e expressão que refletem a diversidade do país, uma mescla de influências que a torna viva e em constante transformação.

Nesta quarta-feira, 5 de novembro, o Brasil celebra o Dia Nacional da Língua Portuguesa, instituído pela Lei nº 11.310, de 2006. A data homenageia Ruy Barbosa, jurista, jornalista e intelectual reconhecido por defender a educação e o domínio do idioma como instrumentos de cidadania e igualdade.



O português é língua oficial de nove países — Angola; Cabo Verde; Guiné-Bissau; Guiné-Equatorial; Moçambique; Portugal; Timor-Leste; São Tomé e Príncipe e o Brasil, que concentra o maior número de falantes nativos.

O português que se fala no Brasil

Lino Gonzaga de Oliveira, professor da Brazilian International School (BIS), em São Paulo, explica que o português brasileiro se formou a partir da base europeia trazida pelos colonizadores.  "Mas foi moldado por influências indígenas e africanas, criando uma sonoridade e uma estrutura únicas”.

Segundo ele, as variações linguísticas regionais são marcas que enriquecem o idioma e expressam sua vitalidade. “As gírias, os sotaques e as expressões populares mostram que a língua está viva e em constante mudança. O português do futuro será ainda mais plural, refletindo as novas formas de comunicação, especialmente no ambiente digital”.



Entre mitos e desafios

A ideia de que o português é uma “língua difícil” ainda resiste, mas, segundo a professora Janaína Arruda, da Escola Bilíngue Aubrick, essa percepção é relativa. “Nenhum idioma é mais difícil do que outro. A dificuldade depende da língua materna de quem aprende e das semelhanças entre os sistemas linguísticos”, afirma.

Janaína destaca que o ensino excessivamente focado na norma culta pode afastar os alunos. “Dominar o português não é decorar regras, e sim compreender seu funcionamento. A língua é um instrumento vivo, entender o uso é tão importante quanto conhecer a gramática”.

As mudanças da escrita

O novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigor desde 2016, buscou aproximar as normas entre os países lusófonos. O fim do trema e a atualização de regras de acentuação estão entre as principais mudanças.



Para Juliane Pagamice, professora da Escola Internacional de Alphaville, a adaptação foi natural para os mais jovens, mas desafiadora para quem aprendeu com as normas antigas. “As alterações exigem reaprendizado, mas a leitura constante de obras atualizadas ajuda na assimilação das novas grafias.”

Educação e futuro da língua

Mesmo sendo o idioma do dia a dia, o domínio do português ainda é um desafio no Brasil. Estudo do movimento Todos Pela Educação, com base nos dados do Saeb, aponta que apenas 55% dos alunos do 5º ano do ensino fundamental têm aprendizado adequado em língua portuguesa. No ensino médio, o índice cai para 32%.

Para Eloá Schuler, professora do Colégio Progresso Bilíngue, de Santos, litoral paulista, a prática diária é o caminho para aprimorar o uso da língua. “Ler, escrever e revisar textos são exercícios fundamentais. A leitura amplia o vocabulário e fortalece a capacidade de argumentação”.



Ela também ressalta a importância da adaptação ao contexto. “Saber equilibrar o português formal e o informal é uma forma de inteligência linguística. É possível ser claro e criativo em qualquer situação, de uma redação escolar a uma mensagem profissional”.

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