Por meio das redes sociais a sociedade ganhou, força, autoridade e voz, e as empresas foram obrigadas a pensar de forma diferente
Cris Aragoni
Publicado em 16/02/2021, às 12h20

“As redes sociais já ocupam um espaço importante no mundo, por meio delas atualmente a opinião pública ganhou força e está alterando o comportamento de consumo e forçando as empresas e meios de comunicação tradicionais a pensar de forma diferenciada.” (Clas Marketing Blog).
Passamos dos antigos telemarketing às mídias interativas ao piscar dos olhos, estamos hoje cara a cara, com nossos parceiros, ao vivo e a cores, diante dos fatos, das necessidades e insatisfações oriundas dos relacionamentos diversos e suas frustrações. Esta nova maneira de pensar e de se comunicar representa na atualidade, o maior desafio das instituições e de seus gestores. Os consumidores de hoje, acostumados à internet, veem nesta ferramenta a extensão de seus sentidos, estar conectado é estar respirando, compram, vendem, namoram, viajam, são artistas e protagonistas de histórias diversas, compartilhadas por amigos e desconhecidos, ao apertar de um click.
Nestes novos tempos de novos costumes, a VOZ, saiu das mãos das Corporações e caiu nas mãos dos indivíduos.
Este processo constitui a revolução humanista mais sensacional da nossa história recente.
Enquanto a Administração e a Tecnologia foram os pilares do desenvolvimento e da construção das Corporações no século XX, as Relações Humanas, a Inteligência Social, e Inteligência Artificial constituirão as bases destas Corporações neste século.
O poder da internet a serviço do indivíduo, é o maior desafio para os detentores do poder, no mundo todo.
Especificamente no mundo dos negócios, as instituições não poderão se valer apenas do poder econômico na criação de sua Imagem, este processo passará pela participação coletiva dos consumidores na construção de uma nova cultura de Imagem e Marca.
Estar lado a lado, juntos e de mãos dadas com seu cliente, é o único caminho para se manter vivo no negócio.
Neste novo contexto, lideranças autoritárias e resistentes, podem fazer um grande estrago, este perfil de profissional vem perdendo espaço pela sua própria incapacidade de movimentação. Admitir: “Sei que nada sei”, é questão de sobrevivência.
Os tais Gerentes de gabinete, ou se aposentam, ou mudam.
O mercado busca diplomatas, indivíduos aptos a negociação, capazes de ouvir e entender a narrativa de seus clientes e de sua equipe, esta competência vale mais que um currículo estrelado.
Diplomas na parede sem inteligência emocional, vai virar decoração.
Quem não sabe argumentar, ouvir e entender a insatisfação no detalhe, vai ter problemas, não existe mais dono da verdade, saber engolir sapo e assoviar ao mesmo tempo é uma boa competência a ser buscada.
A atenção é a moeda mais valiosa do momento, dar atenção, conseguir a atenção dos consumidores é tão desafiador que nem mesmo algoritmos de mídia sociais tem a receita.
Única certeza: negligenciar seus clientes, negligenciar o que os seus clientes pensam do seu produto, negligenciar o que os clientes querem consumir, negligenciar o quanto os consumidores estão dispostos a pagar pelo seu produto é estratégico, é primário é não aceita desaforo.
Cliente não passa vontade, ele vira as costas e vai embora, as empresas que Lutem!!
As empresas que Lutem para construir, produtos ou serviços com competitividade para colocar no mercado e ser consumido, quem gosta de andar de salto alto no mundo de hoje, pode quebrar a perna.
E as pessoas, e a gestão?
Bem, a coisa toda está tão diferente, que por exemplo, as Maiores e Melhores já se deram conta que as lideranças devem ser construídas pelo mérito, que as competências importantes de ontem não são as mesmas, as lideranças devem saber guiar os times com uma administração auto dirigida, à fim de fazer com que, cada colaborador, de o melhor de si, em benefício do todo.
Só para dar como exemplo dos desafios, Google, EDP, Klabin, Ambev, Itaú, Coca Cola, retiraram a exigência de inglês nos programas de contratação de trainee para estimular a inclusão e descobrir talentos, “idioma se ensina “, dizem alguns diretores executivos de multinacionais.
Descobrir lideranças inspiradoras, que aplicam a política do convencimento e das boas relações é tão importante quanto ser, competitivo e ter lucro.
Qual o Pulo do Gato então?
É utilizar este imenso Big Brother on line que se transformou nossa história recente, em uma ferramenta positiva, ver com humildade as críticas, respeitar a percepção dos erros e tentar corrigi-los, utilizar a transformação digital para facilitar processos, facilitar a vida das pessoas, desburocratizar empresas, aceitar sugestões aprendendo com a troca de ideias e a multiplicidade de opiniões.
Uma ideia genial pode vir de qualquer um.
E as forças do atraso? bem, sabemos que o Brasil é um país cartorial, então, vamos na direção oposta, aproveitar a transformação digital e mudar tudo, chega de burrocracia, (isso mesmo, a palavra não está errada não), melhor, burrocracia não é processo, o controle do controle do controle, não vai fazer você vender mais.
Vide a fábula da formiga desmotivada. https://www.linkedin.com/pulse/f%C3%A1bula-da-formiga-desmotivada-cristina-aragoni/
Por fim, plano de ação hoje em dia tem que ter 1 PowerPoint, se tiver mais que isso, volte e refaça.
Vou repetir uma frase para reflexão:
A moeda mais valiosa do momento é a atenção.
Sem conteúdo, sem conteúdo inteligente, sem conteúdo que entregue algum valor, que entregue simpatia, que demonstre empatia, que traga inovação e coragem, não conseguiremos a atenção de ninguém.
O mundo cansou dos chatos e dos donos da verdade.
Cris Aragoni
Obs: este artigo é uma releitura de meu artigo publicado em 2012.