A falta de oxigênio, e o pacto civilizatório que não aconteceu


Cris Aragoni
Publicado em 02/02/2021, às 12h07


Reprodução / Internet
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Em 2017, procurador federal Paulo Roberto Galvão, que integrou a força-tarefa do Ministério Público na Lava jato, já dizia que o Brasil perde anualmente cerca de R$ 200 bilhões com esquemas de corrupção. Infelizmente, a operação Lava Jato, que representou o maior banho de justiça visto no Brasil, hoje, depois de muitos ataques, não passa de um sonho de verão.

Com a sinalização enviada pelo Supremo Tribunal Federal, de que a impunidade estaria de volta, autoridades de todas instâncias perderam a vergonha e voltaram a suas antigas práticas.

Roubar e deixar roubar, já não é tão perigoso assim, afinal, nossa corte constitucional trabalha favorecendo antigas práticas e nosso estado paquidérmico, ineficiente e corrupto mostra sua cara na gestão da Pandemia.

O trem da impunidade voltou !!

Produto recente destas decisões equivocadas tem nome, chama-se COVIDÃO.

O enredo não é uma ficção, com a desculpa de "salvando vidas" assistimos a toda sorte de malandragem, da mascara custando 20 vezes mais, ao sumiço das vacinas, dia após dia, passamos vergonha no noticiário, e as verbas distribuídas ao custo de muito endividamento já visitam, cuecas e malas das ratazanas de plantão.



Sim, ao certo não faltou dinheiro.

Abastecidos com verbas generosas desde o início da crise, os Estados e Municípios que deveriam estruturar sistemas de saúde, modernizando toda rede para o enfrentamento dos desafios da Pandemia, não entregaram, em sua maioria, nada que foi proposto.

 As desculpas não existem, já que não houve restrições nem economias, os insumos poderiam ser comprados com superfaturamento sem critério, e ainda com salvo conduto de legislações lenientes, afinal, vidas deveriam ser salvas.



Atônitos, descobrimos que não foi isso que aconteceu.

Cadê o dinheiro que estava aqui? Ninguém sabe, ninguém viu, ao que tudo indica, só veio a nota fiscal, e a reestruturação do sistema de saúde dos estados, vai ficar para a próxima.

A coisa toda é muito complexa, pois contar mortos ao final do dia, é o premio diário da torcida organizada do Coronavírus. E assim, a dobradinha guerra política x impunidade, prosperou, e fizeram germinar uma das maiores vergonhas da nossa historia recente.



Manaus

Os relatos de filme de terror que assistimos nos noticiários revelando a situação inacreditável vivida em Manaus, com pessoas morrendo asfixiadas por falta de oxigênio, falta de gestão, e falta de responsabilidade com a vida, deixou o Brasil chocado.

Para mim, é o retrato do fracasso civilizatório de nossa sociedade.



O quadro dramático na saúde no Amazonas, apenas escancara que o problema da corrupção está enraizado na sociedade, já que o político não é um alienígena, político não é um marciano, ele é um Silva, ou Souza, ou Eusébio, é alguém comum, que sem medo da justiça, e certo da impunidade, se reproduz como praga, provocando mais injustiça ainda em um ciclo mortal de atraso.

Pandemia

Após dez meses, a visão de ruas vazias, aeroportos desertos, aviões estacionados, escolas fechadas, desemprego, sonhos destruídos com o comercio lacrado, me fez pensar, de como tudo isso, tem a nos dizer, daquilo que somos como civilização.



Confesso que fui estudar a história e os ensinamentos que ficaram nos momentos de maior calamidade que a humanidade já viveu, e pensei realmente que poderíamos sair dessa renovados, pois diante de ameaças gigantescas, pactos civilizatório e de reconstrução, deveriam pautar, todas as outras demais agendas.

Pobre ilusão, o Brasil realmente não é para amadores.

Em meio a Pandemia sanitária, vivemos e uma epidemia de imbecilidades, em um momento que deveria ser de união, assistimos o desfile da vergonha, assistimos o desfile de :



“em época de farinha pouca, o meu pirão primeiro”.

Cada setor da sociedade com sua agenda.

A imprensa colecionando embaraços em sua cruzada diária contra o executivo federal, da Cloroquina ao Leite Condensado, a Velha Idosa Imprensa Tradicional, inconformada com a perda de poder, cava sua cova diariamente e se ridiculariza perdendo autoridade e reputação ao espalhar fake News, desinformando e passando vergonha em uma tentativa patética e suicida de manipular conciencias.



A classe política com suas intrigas diárias, veem suas autoridades protagonizando descomposturas generalizadas e com a moral de duplo padrão:

Governador trancando o Estado e indo para Miami, Prefeito trancando a cidade e indo se aglomerar em jogo de futebol, celebridade pregando o "fique em casa" e indo passar férias no Caribe. Todos estes sinais sendo traduzidos para sociedade de que forma?

A tradução é: o POVO QUE LUTE !!



E o pacto civilizatório que une as sociedades em momentos críticos, não será visto no Brasil.

Nossas instituições estão doentes, não teremos uma união nacional, teremos que sair deste buraco com a força do indivíduo, com a solidariedade das pessoas, com a coragem dos empresários, não temos vacina para falsas verdades, não temos vacinas contra hipocrisia, não temos vacinas para uma guerra irracional, que levará desonra histórica destes personagens.

 Cris Aragoni



crisaragoni.com.br

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