Episódios de agressões contra adversários políticos vêm se multiplicando

O episódio do final de semana em Foz do Iguaçu, em que um bolsonarista mata a tiros um petista, traduz a escalada de estupidez e brutalidade em que vem se transformando o debate político no Brasil.
Marcelo Arruda, o petista, guarda municipal, comemorava o aniversário de 50 anos numa festa em que o PT e Lula davam o tom da decoração. Casado, 4 filhos. Jorge José Guaranho, o assassino, invadiu a festa. Testemunhas relatam que a invasão foi acompanhada de gritos de “Bolsonaro” e “Mito”. Saiu em seguida. Arruda, assustado, foi no carro buscar a arma. Guaranho voltou e atirou contra o aniversariante, que reagiu, evitando uma chacina. Mas morreu. O assassino, mesmo atingido na cabeça, sobreviveu.
Esse, infelizmente, não é um episódio isolado.
Um drone despejou no mês passado substância tóxica e de mau cheiro em manifestantes petistas em Minas Gerais. No Rio de Janeiro, neste mês, petistas numa manifestação também foram vítimas de um atentado com uma bomba de explosivos e fezes.
O discurso de ódio no Brasil não é recente. Lula, no poder, cansou de estimular o “nós contra eles”. O MST, no período dos governos petistas, promoveu invasões contra propriedades produtivas e até um importante centro de pesquisas foi atingido por esse tipo de violência e destruição.
Bolsonaristas argumentam com a facada de 2018. Mas uma estupidez não justifica a outra.
Bolsonaro tem como tom permanente o discurso do ódio. Lula, por outro lado, agradeceu neste final de semana ao ex-vereador petista de Diadema (SP), Maninho, a agressão feita ao empresário Carlos Alberto Bettoni em 2018. Empurrado por Maninho e pelo filho, Bettoni bateu a cabeça num caminhão e ficou em coma, com traumatismo craniano. Maninho ficou 7 meses preso por tentativa de homicídio.
O que já está muito ruim, horrível, pode piorar. Bolsonaro, Lula e os adeptos de ambos os lados deveriam olhar para o exemplo negativo ao extremo do México, em que 122 candidatos e 351 não-candidatos foram assassinados na campanha eleitoral de 2018.
É aí que queremos chegar?