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Redação
Publicado em 30/01/2018, às 12h58 - Atualizado em 23/08/2020, às 16h25

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Sucessão presidencial Com a decisão do TRF-4 (sede em Porto Alegre) de tornar inelegível o ex-presidente Lula, o cenário da sucessão presidencial embaralhou mais ainda. Levou os partidos políticos a buscarem novas estratégias para definirem seus próprios rumos, ao tratar das eleições gerais de outubro. O PT acabou perdendo com essa mudança, devido ao esvaziamento da candidatura de Lula, ex-presidente da República, pelo menos, no atual momento. Diante de tantas incertezas e precauções no cenário político nacional, o clima ficou mais tenso, o que se estenderá até 7 de abril, certamente. Neste dia, encerra-se o prazo para filiações e o troca-troca de partidos pelos parlamentares. Isso ditará a capacidade de atuação nas eleições das 34 legendas legalizadas junto à Justiça Eleitoral. Até lá, acontecerá um desfile de ações e de intensas negociações para a escolha dos candidatos a participar das eleições, principalmente os nomes que estarão na corrida presidencial. Ocorrerá um enorme interesse na indicação dos candidatos à Câmara dos Deputados. É que, a partir de 2019, só terão acesso ao Fundo Partidário e aos programas gratuitos de televisão e rádio, as legendas que conseguirem eleger pelo menos nove deputados país afora.

PT perde aliados - Como uma fera ferida, o Diretório Nacional do PT partiu para o confronto com a Justiça Federal de primeira e segunda instância, no dia seguinte à decisão histórica de Porto Alegre. Para os caciques petistas, juízes e desembargadores federais são adversários e decidiram fazer de tudo para impedir a volta de Lula ao Palácio do Planalto. O Diretório oficializou o lançamento de Lula como pré-candidato presidencial. Agiram assim mesmo sabendo que, hoje, a principal preocupação e dificuldade é evitar que Lula seja levado para a prisão para cumprir, em regime fechado, a pena de 12 anos que lhe foi imposta pelo TRF-4, na semana passada. As manobras dos petistas serão feitas junto ao Supremo Tribunal federal, Superior Tribunal de Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral. A “guerra” será para anular a ordem de prisão, que deverá sair nos próximos dois meses e será mais desgastante do que a própria campanha. Os tradicionais apoiadores do PT- PDT, PCdoB e PSol- se solidarizaram com as agruras enfrentadas por Lula, mas optaram por procurar rumos próprios na corrida presidencial. O PDT anunciou que terá Ciro Gomes como seu pré- candidato presidencial. O ex- governador do Ceará, ministro do governo Lula, tentará pela terceira vez chegar ao Palácio do Planalto, pela via dos votos. Ciro Gomes sonha ter apoio do PT, caso se inviabilize de vez a candidatura de Lula. O PCdoB oficializou como pré-candidata presidencial a ex-deputada federal e atual deputada estadual no Rio Grande do Sul, Manuela D’ Ávila. Ela, inclusive, já está participando de comícios pelo país afora. O PSol, que tem atuado como um puxadinho do PT, também decidiu lançar como pré-candidato o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, um ativista da esquerda radical. Outros pré-candidatos - Se de fato consumada a saída de Lula da disputa presidencial, crescem as chances de um candidato do centro chegar ao Palácio do Planalto. Os nomes hoje com possibilidades de vir a ser contemplados são o governador Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles e o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia. Por incrível que pareça, o presidente Michel Temer aspira entrar nesta lista. Os meios políticos, empresariais e do sistema financeiro, estão bem agitados e atuando na busca de um consenso para que as forças políticas do centro não percam a oportunidade que está lhe sendo oferecida no presente momento político nacional. Este dilema certamente estará resolvido até abril, quando os partidos terão a definição de seus quadros para a disputa que se avizinha. Tudo está caminhando para uma aproximação pra valer entre o PSDB, MDB, DEM, PP, PSD e outras forças menores. Inviabilizada a candidatura Lula, Marina Silva é apontada como a principal herdeira dos votos dele. Marina será candidata pela terceira vez e sua candidatura será bancada pela Rede Sustentabilidade, legenda da qual é fundadora. Nas pesquisas realizadas até agora, ela aparece com 12% das intenções de votos, atrás de Lula e Jair Bolsonaro. O deputado federal Jair Bolsonaro hoje disputa a preferência de votos com o ex-presidente Lula. Sua boa avaliação decorre do fato de ele ter se apresentado como adversário ferrenho de Lula. A tendência é que ele caia nas pesquisas caso Lula seja defenestrado da corrida ao Palácio do Planalto. Quem apareceu na semana passada dizendo que quer ser presidente de novo foi o senador Fernando Collor de Mello. Afirmou estar convicto de que o eleitorado brasileiro consertará o erro do Congresso Nacional de 1998, quando cassou seu mandato de presidente por corrupção. Essa atitude de Fernando Collor resulta da balburdia em que se transformou a sucessão presidencial. Outro postulante à presidência é o senador Álvaro Dias. Deixou o PSDB alegando que lhe foi negada a chance de ser candidato dos tucanos. Hoje está filiado à recém-criada legenda Podemos (PTN). Ele já viaja pelo Brasil em busca de votos. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, parece que alimenta o desejo de ser candidato presidencial. Foi sondado por liderança do PSB para disputar, mas continua na dúvida. Seu nome é bem aceito em setores da sociedade brasileira por sua atuação marcante no processo que culminou com as prisões de várias lideranças do PT, por roubalheira do dinheiro público, e deu início a esse movimento anticorrupção, hoje tão bem conduzido pela Lava-Jato. Os pequenos partidos, os chamados nanicos, voltarão a ter candidatos, a maioria deles evangélica. Estão de olho na verba de R$ 1.7 bilhão, que sairá dos cofres públicos para financiamento das campanhas eleitorais. Com as incertezas que dominam o cenário de sucessão presidencial, não está afastada a possibilidade de ainda surgir um candidato “salvador da Pátria”. O nome mais cogitado é do apresentador de televisão Luciano Huck. Ele tem dito que está fora dessa “guerra”. Mas como no Brasil tudo é muito dinâmico, a bússola costuma mudar de direção ao sabor dos acontecimentos. Até abril, tudo pode acontecer.

Mais derrotas de Lula - No dia seguinte à sua condenação em Porto Alegre, Lula sofreu outra dura derrota. Em Brasília, juiz da 10ª Vara Federal mandou apreender seu passaporte e proibiu suas viagens ao exterior. No dia seguinte, Lula viajaria para a Etiópia, a fim de participar de um seminário sobre a fome, promovido pela FAO, órgão da ONU, que trata dos assuntos alimentares. Sete dias depois de torna-se inelegível, por decisão do TRF-4, o juiz Sergio Moro determinou que seja leiloado o tríplex de Guarujá, no litoral paulista. Esse imóvel foi “passado” para Lula, como propina paga pela construtora OAS, em troca de benefícios recebidos em empreendimentos da Petrobras. Daí sua condenação pela Justiça Federal de Porto Alegre, na semana passada. Na terça-feira, 30, Lula sofre nova derrota: o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça Humberto Martins negou à defesa de Lula o habeas corpus que blindaria o ex-presidente contra uma eventual ordem de prisão, ultratemida pelo petista, depois da confirmação unânime, pelo TRF-4, da sentença do juiz Sérgio Moro e o aumento da pena de prisão para 12 anos. Em março, Lula deve enfrentar outro julgamento na 13ª Vara Federal de Curitiba, cujo titular é o juiz Sergio Moro. O processo trata de um prédio de R$ 12 milhões comprados pela Odebrecht, na zona sul de São Paulo, para ser a sede do instituto Lula. Mais uma propina a Lula em troca de benefícios à construtora, na área da Petrobras.

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