Formação registrada na Baixada Santista tinha aparência de funil, mas análise meteorológica não encontrou condições para confirmar fenômeno

Uma formação de nuvens com aparência incomum chamou atenção no céu de Cubatão, na Baixada Santista. O formato escuro, alongado e aparentemente circular viralizou nas redes sociais no fim de semana e levantou dúvidas sobre a possibilidade de uma nuvem-funil, fenômeno que pode estar associado à formação de tornados.
Apesar da aparência registrada nas imagens, não há elementos suficientes para confirmar que se tratava de uma nuvem-funil ou do início de um tornado. O climatologista Rodolfo Bonafim analisou registros meteorológicos do período e explicou que a identificação de fenômenos desse tipo exige avaliação conjunta de imagens de radar, satélite e características das nuvens.
Segundo Bonafim, a análise não encontrou, naquele momento, sinais atmosféricos suficientes para sustentar essa conclusão. "A conclusão que eu cheguei é que não dá para afirmar que é uma nuvem funil, mas também não dá para totalmente ser descartado, porque a resolução do radar pode não ter abrangido uma pequena formação, uma microformação muito isolada", explicou.
O climatologista afirmou que havia instabilidade no estado de São Paulo, porém os registros de radar e satélite consultados por ele não mostraram, na região analisada, nuvens com perfil compatível com a formação de tornado.
Para confirmar fenômeno desse tipo, Bonafim explica que é necessário observar, entre outros elementos, o desenvolvimento vertical das nuvens. Quanto mais alto o topo de uma nuvem de tempestade, menor tende a ser sua temperatura, sinal que pode indicar forte desenvolvimento vertical e convecção profunda.
É possível que seja uma cumulonimbus, uma nuvem de tempestade muito bem desenvolvida e, portanto, com aquilo que a gente chama de convecção profunda", explicou ao detalhar quais características precisam ser investigadas.
Nessas condições, segundo o climatologista, podem ocorrer fortes correntes ascendentes e descendentes dentro da tempestade, além de raios, chuva intensa, rajadas de vento e até granizo. A existência dessas características, entretanto, não significa automaticamente que haverá tornado.
A principal hipótese apontada por Bonafim é que a formação registrada seja uma nuvem pannus. Trata-se de uma nuvem acessória que pode aparecer abaixo da base de nuvens associadas a condições de tempo instável.
Provavelmente, pode ter sido uma nuvem pannus [...] que é uma nuvem chamada nuvem acessório, que geralmente fica colada na base da nuvem de tempestade”, afirmou.
A aparência fragmentada e baixa desse tipo de formação pode chamar atenção quando observada a distância. Apenas o formato registrado em fotografia ou vídeo, porém, não basta para determinar que exista rotação ou circulação compatível com uma nuvem-funil.
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Não necessariamente. Uma nuvem-funil corresponde a uma formação associada a uma coluna de ar em rotação que se projeta a partir de uma nuvem, mas não alcança o solo. Quando a circulação associada ao fenômeno atinge a superfície, pode caracterizar um tornado.
No episódio registrado na Baixada Santista, Bonafim reforçou a necessidade de cautela. A análise feita por ele não encontrou evidências meteorológicas suficientes para autenticar o registro como nuvem-funil ou início de tornado.
Por isso, embora a imagem possa lembrar esse tipo de fenômeno, a identificação mais prudente, diante das informações disponíveis, é de formação de nuvem com aparência de funil, com a hipótese de pannus apontada pelo climatologista.
No litoral de São Paulo, a passagem do sistema meteorológico que atua sobre o Centro-Sul do país mantém atenção para rajadas de vento fortes nesta segunda-feira (21).
O Inmet emitiu aviso de tempestade que alcança áreas paulistas, com previsão de ventos entre 60km e 100km/h, além de chuva intensa e possibilidade de granizo. A faixa de risco inclui o litoral sul paulista, enquanto as instabilidades associadas ao avanço da frente fria também alcançam outras áreas do estado.
A tendência é de mudança nas condições conforme o sistema avança e a frente fria atravessa São Paulo. Os 100km/h representam o limite previsto pelo aviso e não significam que todas as cidades do litoral registrarão rajadas dessa intensidade.