Enquanto o Sol prevalece na capital, as influências do mar e de uma 'muralha' podem alterar condições meteorológicas no litoral

Moradores da capital paulista e turistas que planejam viagens rumo ao litoral de São Paulo, às vezes, enfrentam situação curiosa e "brigam" com a previsão do tempo: muitos se empolgam com o Sol e calor intenso na capital paulista, mas o cenário muda após a descida da serra, onde podem encontrar céu encoberto e garoa na Baixada Santista e no litoral norte.
Essa variação meteorológica entre as regiões não indica erro dos sistemas. O climatologista Rodolfo Bonafim, da ONG Amigos da Água, e do canal Geoastrodicas, afirma que o desafio principal repousa na interpretação que os modelos computacionais fazem do relevo local.
Bonafim explica que a Serra do Mar atua como "muralha" entre o planalto paulista e a faixa costeira. Os sistemas de previsão utilizam tecnologia avançada, mas enfrentam dificuldades para apontar o desnível de 700m a 800m entre o topo da serra e o nível do mar.
Por causa da limitação da barreira natural, os computadores suavizam o relevo do mapa e calculam temperaturas semelhantes para locais com características distintas. O fator gera previsões de tempo aberto para a capital e para o litoral, mesmo com condições atmosféricas distintas.
Bonafim conclui que encontrar praias sob neblina, após sair de uma capital ensolarada, decorre de um fenômeno característico do litoral paulista. A influência da Serra do Mar e do oceano cria condições climáticas específicas na região litorânea.
O climatologista ressalta que o fenômeno ocorre com mais frequência no fim do inverno e no início da primavera. Nesse período, massas de ar quente se intensificam no interior paulista, enquanto as águas do oceano Atlântico continuam frias.
O encontro do ar quente com a superfície fria do oceano gera condensação de umidade. O processo resulta em neblina, nuvens baixas, chuviscos e frio na costa, enquanto a Grande São Paulo registra tempo seco e temperaturas altas.
Para o especialista, os radares meteorológicos identificam as condições locais com precisão superior. Os modelos climáticos de longo prazo demonstram limitações por causa da dificuldade para separar os efeitos do relevo, da temperatura do mar e da circulação atmosférica.
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