MEIO AMBIENTE

Pesquisa aponta que 8 em cada 10 moradores da Baixada Santista já sentem efeitos das mudanças climáticas

Levantamento revela que a crise deixou de ser problema do futuro; para 70% da população, Brasil falha nos cuidados com o meio ambiente


Redação
Publicado em 02/07/2026, às 15h55

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Pesquisa aponta que 8 em cada 10 moradores da Baixada Santista já sentem efeitos das mudanças climáticas
Eventos extremos tornaram a crise climática uma realidade visível no litoral paulista - Divulgação


As mudanças climáticas deixaram o campo das previsões futuras e já afetam diretamente a rotina e o bolso de quem vive no litoral paulista. Um levantamento do Instituto de Pesquisa Aerah House aponta que cerca de oito, em cada dez moradores da Baixada Santista, acreditam que eventos extremos, como ondas de calor, enchentes e secas, já impactam as suas vidas cotidianas.

Os dados ganham peso ainda maior em uma região costeira que convive historicamente com a vulnerabilidade climática, como ressacas, alagamentos crônicos, chuvas intensas e o risco iminente associado à elevação do nível do mar.

Esse cenário de alerta coincide com o monitoramento de especialistas sobre a possibilidade de formação de um novo episódio do El Niño, fenômeno que eleva as temperaturas globais e intensifica desastres naturais.



Para Fernanda Faria, sócia-fundadora do Instituto Aerah House, os números refletem uma virada de chave na percepção da sociedade. "As pessoas não estão falando apenas sobre algo que pode acontecer no futuro. Elas estão falando sobre enchentes, secas, ondas de calor e outros eventos que já afetam seu cotidiano", afirma.

Além de reconhecer os impactos, a população demonstra insatisfação com a gestão ambiental do país: cerca de sete em cada dez entrevistados avaliam que o Brasil não está cuidando do meio ambiente como deveria.

O desafio não é mais conscientizar sobre a existência do problema. O desafio é construir respostas concretas. Isso sugere uma expectativa crescente por planejamento, prevenção e adaptação", alerta a especialista.

Impactos

A pesquisa evidencia que a questão climática rompeu a bolha puramente ambiental e se tornou um problema econômico e social estrutural. Fernanda Faria destaca que a imprevisibilidade do clima reforça a sensação de instabilidade em uma população que já vive sob forte pressão financeira.



Quando secas afetam a produção agrícola e pressionam o preço dos alimentos, quando enchentes interrompem o transporte, o trabalho e a rotina das cidades, ou quando ondas de calor aumentam problemas respiratórios e cardiovasculares, a questão climática deixa de ser apenas ambiental. Ela passa a influenciar diretamente o custo de vida, a saúde, a renda e a qualidade de vida da população", conclui.

Sobre a pesquisa

A pesquisa intitulada O Brasil de Agora - A Vida Sob Novas Condições traçou um raio-X da percepção climática no país. Confira os detalhes metodológicos:

  • Público: 2.000 brasileiros acima de 18 anos, de todas as regiões do país;
  • Período de coleta: abril de 2026;
  • Critérios: amostra representativa por região, sexo, faixa etária e classe social, com mais de 25 perguntas;
  • Confiabilidade: margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

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