Trilha que leva à Prainha Branca sofre deslizamento


Costa Norte
Publicado em 07/03/2016, às 06h55 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h04

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*Foto: JCN

Por Fábio Chaib

A forte chuva iniciada na noite de domingo, 28, e que se manteve durante toda a segunda-feira, em toda a região, causou estragos na Prainha Branca, localizada na Serra do Guararú, em Guarujá, divisa com Bertioga. Parte do morro desmoronou e um trecho da trilha, de 1,2km, calçada com pedra e único acesso terrestre da comunidade local, deslizou barranco abaixo. O grande volume de terra, água e troncos de árvores seguiu desceu e atingiu outra trilha que dá acesso à Ponta da Armação, à margem do canal de Bertioga, caminho alternativo dos moradores da Prainha Branca.



Os moradores realizaram um mutirão, com cerca de 15 pessoas, para limpar o acesso principal e fizeram uma proteção provisória para sinalizar o trecho desmoronado. Mas o risco é evidente, segundo alerta o funcionário público Adelson de Oliveira Alves: "A situação está complicadíssima, é perigoso alguém cair lá embaixo. Precisa de órgãos competentes para reformar isso aqui, só a gente, os moradores, não vai conseguir".

Outra moradora, Ivanete Lemos dos Santos, mostra preocupação: "Muito difícil. Se desabar o resto que ficou da trilha não vai dar para passar. Vai ter que ir pelo caminho de baixo, onde caiu muita terra. Como vamos fazer? Passar a nado? É perigoso, corremos riscos dia e noite, pois pode desabar o outro pedaço a qualquer hora. A gente depende desse caminho para tudo. Na hora em que estamos doentes, dependemos desse caminho, senão, temos que ir de barco ".

A prefeitura informou que a Defesa Civil vistoriou o local e iniciará os trabalhos de reconstrução da trilha. O presidente da Sociedade dos Amigos da Prainha Branca, Márcio Flávio, confirma a ida da Defesa Civil até o local e o auxílio dos agentes nas diretrizes a ser traçadas para a reconstrução que leva à comunidade. Segundo ele, em conversas preliminares, ficou acordado que, a princípio, o material necessário para a reforma será bancado pela prefeitura de Guarujá, enquanto a mão de obra ficará a cargo dos próprios moradores. Ele revela que a lista de material já foi encaminhada à prefeitura.



O calçamento atual da trilha foi feito em 2006 pela Sociedade dos Amigos da Prainha Branca com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.

Chuvas de dois dias equiparam o esperado para um mês

As chuvas que atingiram a Baixada Santista no final de semana também causaram estragos em Bertioga e desalojou duas famílias dos bairros Chácaras e Caiubura. Somente nas 48 horas de domingo e segunda-feira, dias 28 e 29, foram registrados 195,6 milímetros de chuva, o volume esperado para um mês. A prefeitura informou que, no período, a Defesa Civil registrou 20 ocorrências, que incluem pontos de alagamento, enchentes e queda e vistoria em árvores. As famílias desalojadas, que totalizam seis pessoas, foram encaminhadas a casas de parentes.



Os chamados iniciaram na noite de domingo com 12 ocorrências relatadas à Defesa Civil, incluindo três pontos de alagamentos, sete de enchentes e duas quedas de árvores.

Duas famílias (seis pessoas) ficaram desalojadas nos bairros Chácaras e Caiubura e foram encaminhadas para casa de parentes. Na segunda-feira, 29, foram mais oito chamados, sendo um de ponto de alagamento, em Guaratuba, e outros sete relacionados à vistoria e queda de árvores, na Riviera, Boraceia, Indaiá, Guaratuba e Centro.

O diretor da Defesa Civil Plinio Aguiar afirmou que os atendimentos começaram com o chamado de uma família residente no Centro. “Com as fortes chuvas, o volume de água acumulou, impedindo que a família, com duas crianças, deixasse o imóvel. Também fomos acionados para atender uma senhora no Caiubura, que teve sua casa invadida pela água. Chegamos ao local e a moradora estava sobre boias. A casa estava totalmente inundada e tivemos que levá-la para a  casa de parentes”.



No bairro Vista Linda, considerado área de risco, o órgão atendeu a uma ocorrência de retirada de árvore em risco de queda próximo a uma residência, conforme relata o diretor: “Ancoramos a árvore com uma corda para que ela pudesse ser retirada com segurança e aconselhamos, em parceria com o Corpo de Bombeiros, que a dona da residência e sua filha deixassem o local, até que fosse feita a remoção do risco”.

Na terça-feira, 1, um deslizamento de terra também ocorreu no município, no bairro Costa do Sol, na Quadra B. De acordo com a prefeitura, não houve necessidade de interdição de imóveis, no entanto, os agentes do órgão fizeram a contenção do local com lonas, para que o solo não ficasse mais encharcado e aumentasse a erosão. “Estamos monitorando o local. Existem três imóveis próximos ao local atingido, porém, não há necessidade de os moradores deixarem seus imóveis”, comentou Plínio.

As áreas mais atingidas pelas consequências das chuvas passaram por monitoramento da Defesa Civil. A orientação é que os moradores fiquem atentos aos locais de risco, principalmente em momentos de chuva torrencial. A Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199.



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