Dona de casa de São Vicente relatou que se comoveu com homem deitado no chão na madrugada fria; depois disso, por conta própria, ela investigou sua origem, conseguiu contato com sua família e o abrigou até o reencontro dele e sua família. “A gente adotou ela como uma irmã nossa”, afirmou familiar do homem em situação de rua, desaparecido há uma década

Uma dona de casa de 25 anos, moradora de São Vicente, no litoral de São Paulo, abrigou um homem em situação de rua em sua própria residência. “Senti algo quando vi e falei com ele, me comovi com a história dele. Não queria ser mais uma pessoa que olhasse para ele com olhar de repúdio e desprezo. E, graças a Deus, deu tudo certo”, afirmou Jaíne dos Santos ao Portal Costa Norte, na última terça-feira (18).
Na noite daquela data, Cícero Gomes da Silva, de 53 anos, estava há cerca de três dias abrigado na casa de Jaíne, casada e mãe de duas filhas, aguardando a chegada da irmã dele, moradora da capital.
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Antes de abrigá-lo, Jaíne descobriu sozinha, através das redes sociais, o paradeiro de duas irmãs de Cícero, conhecido como Cicinho - segundo uma de suas irmãs que preferiu não se identificar.
“Ela foi um anjo que apareceu na vida do meu irmão e através dela a gente pôde encontrar ele”, declarou a irmã de Cícero sobre Jaíne, após buscá-lo no litoral. Segundo informações da irmã, Cicinho já foi faxineiro e cobrador. Com enfermidades de ordem psicológica agravadas, ele desapareceu pela primeira vez há cerca de 25 anos. De lá para cá, a família o resgatou algumas vezes, sendo a última há aproximadamente dez anos.
O primeiro encontro entre Jaíne e Cícero aconteceu na noite fria do último dia 14, uma sexta-feira. “Eu estava indo levar minha irmã na casa dela e, lá perto, vi ele deitado no chão. Fui para minha casa, mas retornei. Levei uma coberta e uma janta. Era de noite, sentei do lado dele e comecei a puxar assunto. Ele disse que estava por aqui desde o começo do ano, que estava perdido”, relembrou Jaíne.
Há cerca de dois anos, a irmã de Cícero quase o reencontrou, por intermédio de uma assistente social também em São Vicente, porém, antes de ela ir buscá-lo, Cícero desapareceu novamente. “Ele apareceu lá na praia de São Vicente. A assistente social ligou para minha tia, e ela me avisou. Aí, quando eu estava me preparando pra ir buscar ele, ele sumiu de novo”, relembrou a irmã de Cícero.
No sábado (15), uma dia após tê-lo conhecido, Jaíne viu Cícero novamente vagando pelas ruas de São Vicente, e novamente se sentiu tocada. “Ele passou na frente da minha casa e eu parei ele. Alimentei ele e continuei a conversa. Perguntei se podia tirar uma foto dele e postar no Facebook, mas ele não tinha muita informação, então usei o que eu sabia no momento”, relembrou a dona de casa.
Nas postagens, Jaíne divulgou uma fotografia de Cícero, tirada por ela, com seu consentimento, e contou o que sabia de sua história. Ela fez apelos às pessoas que compartilhassem até que a mensagem chegasse nos familiares. Deu certo. Dias depois, uma irmã de Cícero, moradora de São Paulo, a contatou.
“As irmãs entraram em contato comigo e falaram que ele está nessa vida há 25 anos, mas que não veem ele há 10 anos”, relatou Jaíne, no momento em que Cícero ainda estava abrigado em sua casa, aguardando a chegada da irmã, na noite da última terça-feira.
“Daqui a pouco a irmã dele está chegando”, relatou Jane, ansiosa, na ocasião. No início da noite de terça-feira, os irmãos, separados há 10 anos, se reencontraram na casa de Jaíne.
Segundo a irmã de Cícero, ele passa bem. “Ele tá precisando mesmo é de cuidados mentais. Correr atrás dos documentos dele, passar ele no médico, alimentação, essas coisas, tudo ele já tá tendo. O que a gente pode fazer é dar amor e carinho”, refletiu.
A mulher que buscava um irmão perdido afirmou que acabou ganhando também uma irmã. “Essa moça, a gente adotou ela como uma irmã nossa”.
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