A criança estava esperando uma vaga na UTI pediátrica pelo sistema CROSS

Uma bebê de oito meses faleceu neste último domingo (09). A criança estava esperando uma vaga na UTI pediátrica pelo sistema CROSS (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde do Estado de São Paulo).
História
Apesar dos exames pré-natais não apresentarem nenhuma alteração, com 38 semanas de gravidez a mãe precisou fazer uma cesárea de emergência, por sofrimento fetal. A bebê nasceu com Cardiopatia Congênita e foi levada diretamente para a UTI.
Com quatro meses foi internada para realizar uma cirurgia, sofrendo posteriormente três paradas cardiorrespiratórias e uma cirurgia de emergência.
Mesmo após tantas batalhas, a criança, que leva o nome de Lorena, se recuperou.
Porém, um acontecimento mudou o rumo de Lorena, nesta última quinta-feira (04) a criança estava internada com desconforto respiratório e cianose, no Hospital São José. De acordo com Raiza, mãe da criança, pela falta de estrutura do hospital a bebê foi encaminhada ao Hospital Municipal de São Vicente (antigo CREI).
Segundo a mãe, Lorena possuía plano de saúde, porém a internação foi negada devido ao tempo de carência. Mesmo apelando ao plano, não obteve sucesso.
O prazo da carência acabou 16 dias após o óbito da criança, que se encontrava na fila do CROSS, procurando um melhor atendimento no Hospital Dante Pazzanese, em São Paulo.
A mãe revela que tentou de tudo para que ocorresse a intubação da própria filha, mas a o hospital que a criança se encontrava não estava apto.
A história nas redes
Antes do falecimento de Lorena, a mãe postou um apelo em suas redes sociais, onde levantou comoção de diversos internautas, entre eles um vereador que se sensibilizou e prontificou a ajudar.
No apelo postado nas redes sociais a mãe dizia “O hospital não tem suporte algum para mantê-la. Não tenho mais aonde ir, já fui em defensoria pública, fórum, delegacia, já conversei com conhecidos e até vereadores, mas tudo sem sucesso."
O Vereador Tiago Peretto (PL), interveio após tomar ciência do caso, iniciou uma comoção na porta do hospital, no sábado (06), lá chamou o Conselho Tutelar, a Polícia Militar, o Prefeito e a Secretaria de Saúde, mas nada funcionou.
Lorena acabou falecendo por volta das três horas no domingo.
“A intubação foi realizada tarde demais. Tentaram reanimar, mas não deu. É culpa de um sistema falido. Faltam médicos, equipamentos... Quem deixou a cidade dessa maneira é um assassino. O desvio de verba, a negligência mata. Nossa cidade depende quase que 80% do SUS e não temos atendimento de qualidade”, declarou o Vereador.
Justiça
A mãe de Lorena revelou que irá buscar as medidas judiciais necessárias, primeiro com a Unimed, que negou socorro perto do prazo de encerramento da carência. Após o Hospital São José, que não quis se responsabilizar e negligenciou a situação da criança, encaminhando-a para o antigo CREI. Terceiro, o Hospital Municipal por não ter suporte ou profissionais 24 horas. E então, a Santa Casa de Santos, que negou a Lorena. Um contato da mãe informou-a que lá haviam duas vagas na UTI, mas para conseguir, precisava dar entrada na UPA de Santos, infelizmente não deu tempo.