Secretário de Meio Ambiente faz visita técnica ao viveiro de mudas da Fazenda Serramar


Costa Norte
Publicado em 14/02/2014, às 11h32 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h28

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Eduardo Hipólito, Cintia Freitas e técnicos do Parque Estadual da Serra durante a visita

Com o objetivo de conhecer o Projeto de Resgate de Flora, realizado pela empresa Serveng Engenharia, o secretário de Meio Ambiente de São Sebastião Eduardo Hipólito do Rego esteve na manhã de quinta-feira,13, em visita ao viveiro de mudas da Fazenda Serramar, em Caraguatatuba. A visita técnica foi acompanhada pela bióloga Cintia Castro Freitas, chefe da divisão de Agricultura e Abastecimento da pasta, e três técnicos do Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo São Sebastião, além de funcionários da própria Serveng. De acordo com o secretário, o trabalho da Serveng Engenharia com o referido projeto voltado à obra da Nova Tamoios, mais precisamente no contorno dos dois municípios, Caraguá e São Sebastião, “visa a utilização de espécies para o enriquecimento dos nossos parques”. Segundo informou, a empresa fez o convite para que técnicos da secretaria e do parque estadual conhecessem o viveiro e o material vegetal resgatado durante as obras. “As primeiras coletas ocorreram em dezembro do ano passado e, até o momento, foram resgatadas cerca de 900 mudas de, aproximadamente, 12 espécies diferentes retiradas de apenas duas árvores de grande porte”, disse Hipólito. “A nossa intenção é que todas as mudas resgatadas possam ser reintroduzidas nos parques e, para isso, contamos com o apoio dos técnicos do parque estadual, já que o projeto continuará por um período de 20 meses, e essas espécies são de relevante importância ao meio ambiente”, acrescentou o secretário. A bióloga Mariana Cursino, da Serveng, coordenadora dos trabalhos de resgate de flora, explicou que o projeto foi elaborado de forma a mitigar o impacto da redução de cobertura vegetal, causado pela supressão de vegetação necessária à implantação da obra. “O material a ser resgatado será, principalmente, dos espécimes arbóreos férteis; epífitas; hemiepífitas; lianas; sementes e mudas de espécies nativas”, enumerou. Cintia Freitas, por sua vez, explicou que, na Mata Atlântica, quase todas as árvores de uma floresta madura apresentam epífitas, ou seja, plantas herbáceas que apenas usam a árvore como suporte, sem prejudicar e sugar nada. “Neste grupo, estão as orquídeas, bromélias, aráceas e samambaias”, comentou. “Essa relação é chamada simbiose, um tipo de associação onde uma planta colabora com a sobrevivência da outra, sem nenhum prejuízo entre elas”, acrescentou. “A importância delas no ambiente vai muito além da beleza, sendo bioindicadoras do estado de conservação da floresta; elas contribuem, dependendo da espécie, com o fornecimento de recursos alimentares e água à cadeia alimentar e na ciclagem de nutrientes na mata”. Ainda de acordo com ela, muitas pessoas confundem espécies de epífitas com parasitas, “mas os verdadeiros parasitas de árvores na natureza são muito poucos, sendo o mais comum a erva-de-passarinho e o cipó-chumbo, e nunca as epífitas”, frisou. Durante a visita, os técnicos do Parque Estadual – Núcleo São Sebastião sugeriram que a reintrodução das primeiras espécies resgatadas sejam em árvores próximas às trilhas da Praia Brava e Ribeirão de Itu, ambas em Boiçucanga, na costa sul do município. E, quanto às sementes ainda a ser coletadas, a bióloga Cintia sugeriu que fossem entregues às Casas de Agricultura (Cati) para destinação aos índios da aldeia do Ribeirão Silveira, em Boraceia, também na costa sul, e pequenos agricultores familiares da região.

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