Sem infraestrutura comercial, o destino exige caminhada por trilha e atrai turistas em busca de mar calmo e natureza preservada

A praia de Calhetas destaca-se como um capricho da natureza no litoral norte paulista. Localizada entre as praias de Toque-Toque Pequeno e Toque-Toque Grande, a região fica a cerca de 18km do centro de São Sebastião.
O cenário é quase intocado e recebe poucos visitantes mesmo na alta temporada, mas a entrada exige planejamento prévio do turista pelo acesso estar em propriedade particular com regras estritas.
O local abriga uma península que divide o mar e forma duas faixas de areia distintas, ambas apropriadas para banho. O lado direito possui areia clara e proporciona um banho com a sensação das ondas. O lado esquerdo possui algumas pedras e apresenta águas muito tranquilas, ideais para relaxar.
Na ponta da formação geológica, o visitante encontra o mirante Ponta de Calhetas. O acesso é simples e garante uma vista espetacular, com posição privilegiada para fotos e contemplação do pôr do sol.
Pelo mesmo caminho da praia, o turista descobre uma cachoeira. A queda d’água tem 40 metros de altura e forma um poço natural. O volume de água não é muito grande, contudo a recomendação de segurança é ter cuidado e não consumir a água do local. A contemplação da mata ao redor compõe uma experiência agradável.
O local também é procurado por turistas para a prática de rapel e proporciona uma vista incrível para a ilha de Toque-Toque.
Durante os meses de inverno, entre junho e agosto, a Praia de Calhetas torna-se um dos melhores pontos de observação terrestre de baleias-jubarte no litoral norte paulista.
A localização estratégica da Ponta de Calhetas, que avança em direção ao canal de São Sebastião, permite avistar os cetáceos em sua rota migratória para águas mais quentes. Segundo dados do Instituto Argonauta, o número de registros de baleias na região tem crescido anualmente.
O visitante que deseja observar os animais deve levar binóculos e ter paciência: os saltos e borrifos costumam ocorrer em pontos mais distantes da costa, mas são visíveis do alto do mirante. A passagem desses animais reforça a importância da preservação ambiental da área, que serve como corredor biológico vital.
Devido à ausência de ocupação urbana direta na areia, o local mantém historicamente a classificação de praia própria para banho. O lado esquerdo da península, protegido por pedras, apresenta águas rasas e sem ondas, o que favorece a prática de mergulho livre (snorkeling) para observação de fauna marinha.
Com o início da temporada de swell sul em maio de 2026, as correntes marítimas tornam-se mais intensas no canal de São Sebastião. Embora o formato da enseada de Calhetas proteja a areia da arrebentação direta, o período exige atenção redobrada dos banhistas devido às correntes de retorno nas laterais das rochas.
Não há postos de salvamento fixos na areia, portanto a recomendação do Corpo de Bombeiros é evitar o nado em dias de mar agitado. O surfe não é comum na areia de Calhetas, mas a praia serve como ponto de apoio para embarcações que levam surfistas até a laje da ilha de Toque-Toque Grande durante grandes ondulações.
Por ser um recanto deserto acessado por área restrita, a orla não possui infraestrutura comercial nem opções de hospedagem. O turista precisa levar água e lanches para todo o período de permanência. Para hospedagem, as praias vizinhas suprem a necessidade.
A presença de mata e cachoeira atrai insetos como borrachudos e mutucas. O uso de repelente é indispensável. O recolhimento de todo o lixo produzido na areia é obrigatório para a preservação ambiental.
Para manter a preservação da área, a prefeitura de São Sebastião estabelece normas rígidas. Segundo a lei municipal 848/92, é proibida a presença de cães ou quaisquer animais domésticos na areia e na água. A medida visa evitar a transmissão de doenças e proteger a fauna local. Também é vetado acampar, acender fogueiras ou utilizar churrasqueiras em toda a extensão da praia.
O uso de drones para captação de imagens deve seguir as regulamentações da Anac e do Decea, sendo necessária autorização prévia para voos sobre áreas de condomínio ou de proteção ambiental. O descarte de resíduos deve ser feito exclusivamente em lixeiras instaladas na entrada da trilha ou levado de volta pelo visitante.
O turista enfrenta uma barreira logística ao chegar de carro: não há estacionamento na entrada. As pessoas costumam deixar os veículos em recuos na rodovia Rio-Santos, o que é arriscado, pode gerar multas e atrai furtos constantes. A alternativa segura é estacionar longe ou utilizar ônibus do transporte público municipal.
Para alcançar a areia, o acesso ocorre exclusivamente para pedestres, de forma gratuita, mediante autorização na portaria do condomínio fechado (Sítio Calhetas). A partir da guarita, o visitante percorre uma trilha pavimentada com duração de 10 minutos. O percurso de volta costuma ser cansativo por se tratar de uma subida.
A partir de São Paulo: trajeto via rodovias Dutra ou Ayrton Senna até a Mogi-Bertioga soma cerca de 180km. A rota de descida pelo Sistema Anchieta-Imigrantes e rodovia Cônego Domênico Rangoni (antiga Piaçaguera-Guarujá) totaliza 190km. Ambas terminam na Rio-Santos.
A partir do Vale do Paraíba: motorista desce a serra pela rodovia dos Tamoios até Caraguatatuba e segue para o destino pela Rio-Santos.
A qualidade da água na Praia de Calhetas é monitorada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Por ser uma praia isolada, sem ocupação urbana imediata, ela apresenta frequentemente condições próprias para o banho, recebendo a bandeira verde.
O banhista deve ter atenção redobrada no lado direito da península, onde a inclinação da areia é mais acentuada e a formação de ondas é mais vigorosa. Já o lado esquerdo é protegido por pedras, o que reduz a correnteza. Após períodos de chuvas fortes, recomenda-se evitar o mergulho na foz da cachoeira devido ao transporte de sedimentos e detritos naturais da mata.