Durante o interrogatório, ela negou participação na morte do marido e atribuiu o crime ao seu amante 'Kero-Kero'

Após dois anos do assassinato de Wesley Augusto Sant’ana, o Lelo, em São Sebastiao, sua esposa, a responsável pelo crime, Paula Regina Martins Sant'anna, foi condenada, na madrugada desta quarta-feira (29), a 18 anos e 8 meses de prisão.
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O júri popular começou na manhã de segunda-feira (27). O outro envolvido no assassinato, Robson de Souza, o 'Kero-Kero', que era amante de Paula, será julgado em outra data, após apresentação de atestado médico por sua advogada.
No primeiro dia de julgamento foram ouvidas três testemunhas e a sessão do júri interrompida às 23h, sendo reiniciada na terça-feira (28), com as oitivas da acusada e apresentações da acusação e da defesa. Durante o interrogatório Paula Regina negou participação na morte do marido e atribuiu o crime a 'Kero-Kero', com quem confirmou ter tido relacionamento fora do casamento.
Ainda na segunda-feira, familiares e amigos do arquiteto Wesley Sant’anna chegaram próximo ao Fórum vestidos com camisetas com a foto de Lelo e a palavra "Justiça". O grupo acompanhou a chegada do carro do Sistema Peniténciário trazendo 'Kero-Kero', que está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caraguatatuba, e pouco depois uma outra van com a acusada Paula Regina, vinda da cadeia de Tremembé (SP).
Lelo foi morto enquanto dormia com golpes na cabeça por objeto perfurante. O crime ocorreu no dia 6 de outubro de 2018 e teve repercussão nacional.
Paula Regina era esposa da vítima, com quem teve duas filhas. 'Kero-Kero' era amigo da família e também amante de Paula. Ela foi presa no dia 31 de dezembro de 2018, véspera de ano novo, após mandado de prisão expedido pela Justiça.
'Kero-Kero' já havia sido preso. Ele se entregou à polícia no dia 6 de novembro de 2018. Desde então, ambos estão presos.
Lelo foi presidente do Rotary Club de São Sebastião e era ex-policial militar. Ele ocupava o cargo de chefe da Divisão de Obras Particulares da prefeitura.
No relatório policial enviado ao MP na época constam vários trechos de conversas trocadas entre Paula e o amante. Os telefones celulares passaram por perícia e em uma das conversas, Paula Regina dizia o seguinte: “Eu sei que você está desesperado, eu entendo você; morro de dor no coração, mas preciso que me entenda também; olha só, não se preocupe, eu quero ficar com você, pra isso, vai ter que acontecer”.
Ainda na conversa ela continua: “Então tenha calma, eu vou te ajudar, mas não é pra ontem, tenha calma. O mais importante é eu querer ficar com você e saber que pra isso as coisas vão ter que acontecer”.
A investigação mostra que, na noite de 5 de outubro, poucas horas antes do crime, 'Kero-Kero' ligou dez vezes para Paula Regina. A primeira ligação às 22h09 e a última às 23h50.
Na noite do crime uma das filhas do casal ficou na casa da avó materna e a outra permaneceu na companhia da mãe.
Durante o dia, 'Kero-Kero' e Wesley Sant’anna estiveram juntos em um bar da região central da cidade até por volta das 22h. Pouco depois, Wesley seguiu de moto pra casa, enquanto 'Kero-Kero' o seguia.
Câmeras registraram o veículo estacionado próximo ao ginásio de esportes, no Varadouro, a cerca de 100 metros da residência da vítima. Neste local, ele permaneceu por cerca de quatro horas.
Em depoimento, a esposa disse que Lelo ingeriu mais duas cervejas e, juntos, comeram comida japonesa, e que o marido permaneceu na sala assistindo TV. Paula disse ainda que foi acordada por volta das 2h30 pela filha, que disse ter ouvido sons na parte inferior da casa. Relata que se preocupou em fazer a filha dormir e somente após meia hora desceu e chamou vizinhos.
O guarda municipal Robson de Souza, 46 anos, vulgo Kero-Kero, entregou-se à polícia, por volta da meia-noite do dia 6 de novembro de 2018, um mês depois do crime. Ele foi indiciado, dia 31 de outubro, pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte).