Complexo Hospitalar apresenta déficit de R$600 mil, em São Sebastião


Costa Norte
Publicado em 05/06/2015, às 08h52 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h46

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Audiência pública apresentou dados do último quadrimestre de 2014

Por Marina Veltman

Os gestores do Complexo Hospitalar de São Sebastião, que engloba as unidades do Samu (centro/costa sul), pronto atendimento de Boiçucanga, pronto-socorro central e Hospital de Clínicas, estiveram em audiência pública na última quarta-feira, dia 3, na Câmara Municipal, para apresentar os resultados do 3º quadrimestre de 2014. Durante a apresentação, foi exposto o déficit do complexo hospitalar, que ficou em torno de R$ 600 mil mensais, neste período, apesar do repasse feito pelo município à entidade, da ordem de R$ 3 milhões por mês. Segundo os dados apresentados, a receita neste período foi de R$ 13.539.000,00, porém as despesas ficaram em R$ 14.596.00. Teria ocorrido um aumento devido ao dissídio dos funcionários, o que fez a folha de pagamento subir de cerca de R$ 760 mil para R$ 838 mil, em dezembro, acarretando também em aumento dos encargos sociais, de R$ 76 mil para R$ 192 mil. Marcos Fuly, vereador do PP, questionou de que forma o complexo hospitalar absorve tal déficit. Em resposta, o administrador do hospital, Clebson Carvalho Soares, informou que é necessário reduzir a capacidade de investimento e, às vezes, devido ao atraso no pagamento de alguns fornecedores, é obrigado a comprar produtos mais caros. “É importante que os vereadores continuem a buscar emendas parlamentares”. Apesar disso, neste período, foram feitos investimentos no Hospital de Clínicas, dentre eles, a aquisição de um novo gerador de energia, dois novos leitos na UTI com camas eletrônicas, além de compressor para a usina de oxigênio. Soares explicou: “Todos estes investimentos foram feitos com o objetivo de melhorar cada vez mais o atendimento prestado à população. Além de todos estes equipamentos, nós também investimos na climatização do hospital com a aquisição de 40 novos aparelhos de ar condicionado”.

Entre Boiçucanga e Centro, a cada quatro meses toda São Sebastião é atendida



Ainda de acordo com os dados apresentados na audiência, o Complexo Hospitalar de São Sebastião realiza uma média de 63 mil atendimentos mensais - somente no que se refere ao chamado pronto atendimento. Segundo exposto, no P.S. central foram 33.609 atendimentos e, em Boiçucanga, um total de 29.266. Em número de consultas são mais de 12 mil, sendo que a maioria delas (8.491) na especialidade clínica médica. O diretor técnico Dr. Valdir Pereira informou que “nós somos referência na região e, justamente por causa disso, muita gente vem para ser atendida no nosso hospital. Sendo assim, o nível de urgência é muito alto e contamos com um número maior de médicos plantonistas no pronto-socorro. Hoje, somente no PA central, temos no quadro quatro médicos durante a noite e cinco de dia; e lá na costa sul, são três plantonistas durante a noite e quatro de dia”. Em relação ao tempo de espera para o atendimento, questionado pelos vereadores Marcos Fuly (PP) e Edivaldo Pereira Campos (PSB), o Teimoso, que compareceram à audiência, Clebson Soares afirmou que o problema de superlotação em prontos-socorros vem de uma cultura errada existente não só em São Sebastião, mas no Brasil todo. “As pessoas não têm paciência de esperar a marcação de consulta e, por causa disso, acreditam que no hospital tudo será resolvido com mais facilidade. E é justamente neste ponto que encontramos nossos entraves. Se fizermos a classificação de risco em todos os pacientes que chegam ali, pelo menos 50% das pessoas deveriam ser encaminhadas novamente para as Unidades Básicas de Saúde”, disse. Em média, a taxa de ocupação do hospital ficou em 72%, mas, em alguns dias na semana, a ocupação foi maior, principalmente no início do ano, período de alta temporada, e também por causa da epidemia da dengue. “Se considerarmos o atendimento, a cada quadrimestre, o pronto atendimento de Boiçucanga e centro atendem toda a população de São Sebastião”, destacou Soares. O vereador Teimoso reclamou da falta de participação popular e sugeriu que, na próxima audiência pública, sejam desvinculados os dados referentes às unidades de Boiçucanga e da Topolândia do Hospital de Clínicas. “Fica difícil compreender como é feito a aplicação desse recurso”, afirma. O parlamentar conta que conseguiu uma emenda parlamentar de R$ 114 mil para compra de respiradores e afirma que, em sua opinião, os serviços da Samu devem ser desvinculados do Hospital de Clínicas, entre outros, para que o repasse de R$ 3 milhões feito pelo município possa ser mais aproveitado pelo hospital. Entre as iniciativas recentes dos gestores para melhorar as condições do complexo, foi citado o fato de o hospital ter-se habilitado e passar a ser considerado de fins filantrópicos, o que resultou em economia de 30% do valor da folha de pagamento. Também há o trabalho em busca de um novo convênio do hospital com o projeto IGH (Incentivo à Gestão Hospitalar), do governo federal, voltado apenas para os hospitais filantrópicos, que representará um repasse de R$ 200 mil mensais, caso seja aprovado. Foi pedido o apoio dos vereadores para que São Sebastião faça parte do projeto Santas Casas Sustentáveis, do governo estadual, que escolhe as Santas Casas mais relevantes, para receber um aporte financeiro de mais R$ 500 mil/ mês.

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