DETECTORISMO DE MILHÕES

Aposentado encontra joia de R$ 15 mil ao “garimpar” praia do litoral de SP

Caminhando pelas praias de Caraguatatuba e São Sebastião, Célio já encontrou moeda de réis, alianças, brincos, relógios, e até celulares perdidos


Lenildo Silva
Publicado em 01/08/2022, às 11h10 - Atualizado em 04/08/2022, às 10h51

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Caminhando pelas praias de Caraguatatuba e São Sebastião, Célio já encontrou moeda de réis, alianças, brincos, relógios, e até celulares perdidos Detector de metais - Fotos: Salim Burihan
Caminhando pelas praias de Caraguatatuba e São Sebastião, Célio já encontrou moeda de réis, alianças, brincos, relógios, e até celulares perdidos Detector de metais - Fotos: Salim Burihan


Em um dia de sol, todos os turistas que estão no litoral de São Paulo tiram um tempo para curtir o mar das belas praias da região, correto? Talvez nem todos, para um aposentado morador do interior do estado, o hobby é descer a serra para “garimpar” a faixa de areia das praias a fim de encontrar valiosos objetos metálicos.

O aposentado Clélio Della Rosa, de 62 anos, de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, percorre mensalmente as praias de Caraguatatuba e São Sebastião em busca de joias, relógios e moedas perdidas por banhistas durante o banho de mar.

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Clélio contou ao jornalista Salim Burihan, do Notícias das Praias, que há dois meses encontrou um anel de ouro branco com brilhantes, avaliado em R$ 15 mil.

Ele já encontrou, também, alianças, brincos, relógios, moedas e telefones celulares. Nos últimos dois meses, quatro telefones foram localizados no mar.

Ele lamenta que, ultimamente, vem encontrando muita sujeira, principalmente latinhas e lacres de latinhas. “Às vezes, a gente coleta mais lixo; principalmente lacres de latinhas, que são facilmente identificadas pelo detector”, contou ao site NP.



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Clélio argumenta que prefere percorrer as praias em dias de semana, pois aos sábados e domingos estão mais cheias de banhistas dificultando o “garimpo” na água e na areia. Garimpar as praias se tornou um hobby para ele.

Há quatro anos, Clélio garimpa as praias da região. Começa pela beira da água e na volta percorre o trecho de areia, sempre acompanhado da esposa Kátia. No domingo (24), percorrendo de ponta a ponta a praia da Mococa, em Caraguatatuba, afirmou que conseguiu resgatar uma antiga “moeda de réis”, que, segundo ele, pode ser valiosa.



Moeda de réis achada em praia do litoral de SP Detector de metais no litoral (Foto: Salim Burihan)

Detectores de metais

Os aparelhos para detectar metais custam entre R$ 6 mil e R$ 12 mil. Clélio usa um modelo de R$ 6 mil. Esses detectores reconhecem a variação no fluxo magnético quando se aproximam de objetos metálicos (ouro, ferro, prata, bronze, alumínio, mercúrio) e esta variação é registrada por um medidor. Alguns aparelhos “apitam” quando identificam a presença de metais; outros, indicam “numericamente” numa espécie de GPS acoplado à haste do aparelho. 

É permitido usar detector de metais no Brasil?

Essa prática de uma espécie de "caça aos metais", chamada detectorismo pelos próprios adeptos, é bem mais comum do que se imagina. No Brasil,  de maneira bem resumida, não há proibição da prática nem penalização legal. 



Achado não é roubado?

A grande polêmica a respeito da prática de detectorismo é que os praticantes claramente acham objetos perdidos, e a pergunta que fica é: achado não é roubado?Realmente, o achado não é roubado, mas não devolver o objeto encontrado é crime.

Este crime chama-se “apropriação de coisa achada”, cuja pena é de detenção de um mês a um ano ou multa, de acordo com o art. 169 do Código Penal.

Segundo a advogada Alessandra Strazzi, coisa perdida é coisa móvel, cuja posse alguém deixa de ter (acidentalmente) e que está em local público ou de uso público.



Sendo assim, a advogada orienta sobre a obrigação de procurar devolver qualquer objeto encontrado na rua ao seu verdadeiro dono, pois, não é só um dever moral, é também uma questão jurídica.

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“Da próxima vez que encontrar um objeto perdido, antes de apropriar-se dele, caso seu senso de ética seja falho e insuficiente para fazê-lo devolver o objeto encontrado, pense que esta prática é crime e pode vir a causar-lhe problemas”, escreveu a profissional em seu artigo no site JusBrasil.



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