Viagem histórica e recursos multimídia marcam inauguração do Museu Pelé


Costa Norte
Publicado em 23/06/2014, às 09h14 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h32




Reforma do prédio que já foi sede da prefeitura e da Câmara Municipal custou R$ 50 milhões

Por Antonio Pereira

Quatro anos após o início das obras, o santuário que abriga 2.545 itens, todos da coleção pessoal do Rei do Futebol, enfim está inaugurado. A cerimônia que abriu as portas do Museu Pelé aconteceu na manhã de domingo, 15, com presença massiva dos súditos e de autoridades dos governos federal, estadual e municipal, na entrada da histórica edificação do bairro do Valongo, em Santos. Sua majestade chegou ao local no tradicional bonde, mas uma mesa interativa, logo na entrada do prédio, deixa claro que a modernidade também tem espaço em meio a tantas relíquias. A presidente da República Dilma Rousseff não participou da solenidade, e foi representada pelo vice Michel Temer. Dilma gravou um vídeo destacando a importância dos feitos de Pelé para o Brasil e o mundo. “A inauguração é um ato de grande simbolismo e reconhecimento. É a memória de um dos mais ilustres cidadãos, justo quando sediamos a Copa. Os feitos de Pelé estão na história do povo brasileiro”, declarou a presidente. Já o governador Geraldo Alckmin, santista declarado, relembrou a estreia de Edison Arantes do Nascimento contra o Corinthians, em meados de 1958. “O Santos não venceu por 1x0 e nem 2x0. Foram 7x0 e, destes, dois gols foram daquele menino que mais tarde se tornou rei”. Como seria de esperar, Pelé foi às lágrimas. O museu foi construído em dois antigos casarões, erguidos no século XIX, e restaurados para receber o acervo de Pelé. Pelos dois prédios, com 4.134 m² de área total, foram distribuídas diferentes peças, entre elas, a Bola de Ouro especial recebida da Fifa, em janeiro deste ano; a antiga caixinha de engraxate; e as camisas do Santos, do New York Cosmos e da seleção brasileira. Pelé, ladeado pelos ex-jogadores Clodoaldo e Edú, disse, na ocasião: “Eu sempre tive muito medo de avião, e minha primeira viagem foi para a Suécia. Naquela época ninguém sabia sequer qual era a capital do Brasil e nos confundiam até com a Argentina, e eu fazia questão de mostrar o que era o nosso país para o mundo. Vejam só, hoje, o mundo está no Brasil para a Copa do Mundo e o meu museu está sendo inaugurado em meio a tudo isso”. Ele também recebeu palavras de afeto do prefeito santista Paulo Alexandre Barbosa, que agradeceu a doação do prédio à prefeitura, por meio de um convênio entre estado e município. “Grandes gênios da arte como Sheakespeare e Picasso têm seus museus, e nada mais justo que o gênio do futebol, arte consagrada no Brasil, ter o seu também”. Para a procuradora da Assembleia Legislativa do estado Vanessa Ferraresi, que visitou o local acompanhada da filha Gabriela, de quatro anos, a história do rei deve ser preservada e contada para as futuras gerações. “O importante é que ele está sendo homenageado em vida. Nossa cidade tem inúmeros atrativos, como o porto e o Museu do Café, mas nada se compara ao Pelé”. Iniciadas em 2010, as obras tiveram investimento de R$ 50 milhões e a prefeitura de Santos estima que mais de 1,5 milhão de pessoas visitem o museu por ano. O local está aberto à visitação de terça a sexta-feira, das 9 às 18 horas, com entrada a R$ 18,00; estudantes e idosos pagam meia, e crianças até 12 anos não pagam.

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