SOPRANDO VELINHAS

Santos sobre trilhos: linha turística do bonde comemora 25 anos

Neste 23 de setembro, a tarifa na linha turística do bonde terá 50% de desconto para todos; saiba mais sobre a história do retorno dos bondes às ruas


Redação
Publicado em 23/09/2025, às 12h00

FacebookTwitterWhatsApp

Bonde santista
Em 23 de setembro de 2000 o bonde voltou a circular pelo Centro Histórico de Santos - Prefeitura de Santos


Neste 23 de setembro um ícone de Santos sopra velhinhas. Há exatos 25 anos a relação afetiva dos santistas com os bondes, interrompida em 28 de fevereiro 1971, foi resgatada. E, em comemoração, nesta terça-feira (23), a tarifa na linha turística do bonde terá 50% de desconto. O valor integral do ingresso é R$ 7 e a meia-tarifa, nesta data festiva, vale para todos. O embarque ocorre na Estação do Valongo, em frente ao Museu Pelé, onde são vendidos os ingressos. 

Passado um quarto de século da sua inauguração, a linha turística do bonde santista celebra milhares de passeios pelo Centro Histórico e infinitas emoções revividas entre os passageiros, em especial aqueles que, no passado, utilizaram esse sistema de transporte para trabalhar e passear.

Bonde de Santos
Bonde santista na rua do Comércio, no Centro Histórico - Prefeitura de Santos



O retorno do bonde conquistou também novos corações e a atração se tornou, rapidamente, em mais um cartão-postal da cidade. E segue arrebatador. Desde a festa que marcou o início da operação, em 23 de setembro de 2000,  até o fim do mês passado, quase 2,3 milhões passageiros foram levados pelos bondes para o passeio por ruas que remontam parte da história de Santos.

Em números exatos, 2.278.082 de santistas e turistas de várias partes do país e mesmo de outros países fizeram a viagem e conheceram detalhes sobre construções que são patrimônio artístico, histórico e cultural de Santos e do Brasil.

Memórias

Antes mesmo do início a viagem, a linha turística já desperta encantamento. Motorneiros e condutores recepcionam o público trajados com uniforme característico ao da época em que os bondes serviam como principal meio de transporte de Santos. A atração conta com acessibilidade, sistema de audioguia e libras. Do total de 13 bondes que hoje integram o acervo da cidade, seis deles se revezam nas viagens da linha turística, conduzindo santistas e visitantes.



Ricardo Souza Dias era o motorneiro na primeira viagem e lembra bem como foi. “Fiquei impressionado com a reação das pessoas. Muitas choravam, relembrando histórias que viveram. Contavam que conheceram o namorado/a nas viagens de bonde e acabaram se casando”.

Ainda hoje Ricardo se mantém na função, sendo um dos profissionais remanescentes desde a criação da linha, operada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos). Após 25 anos, o clima de resgate de lembranças se mantém a cada viagens. “Entre os passageiros sempre há histórias. Recordam avós que trabalharam nos bondes. É sempre emocionante. Para os mais velhos, pelas recordações e, para os mais jovens que não viveram na época dos bondes também, pela novidade”, contou Ricardo, que nasceu quando o sistema já não mais funcionava na cidade.

Bonde de Santos primavera
Bonde santista enfeitado para o evento Primavera Criativa - Prefeitura de Santos



Pioneiro

O primeiro bonde a circular na linha turística foi o aberto de número 32, fabricado na Escócia, em 1912, remanescente do sistema original de transportes de Santos, que foi recuperado pela equipe da CET-Santos. Antes, houve muita pesquisa e estudos e a companhia formalizou convênio com a empresa operadora do sistema de bondes do bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, levando uma equipe de profissionais para conhecimento técnico sobre o modelo em funcionamento por lá.

Então diretor de Operações da CET, Eduardo Di Gregório, ainda hoje na equipe técnica da companhia, lembra que primeiro foi estudado o trajeto inicial para a volta do bonde. “Definimos o percurso com 1.700 metros de linha permanente, passando por trás da Bolsa do Café, praça Barão do Rio Branco, prefeitura/praça Mauá e retornando ao Valongo pela rua do Comércio. Depois houve a fase de recuperação dos veículos”, contou.

Outro profissional remanescente da época, Marcos Rogério Nascimento, recorda que foi necessário refazer a rede elétrica e aérea para dar vida ao sonho da volta dos bondes. E acrescentou que “todo projeto de restauração busca recompor a tecnologia e o perfeito funcionamento”.



Estrela

Nesses 25 anos, o bonde virou ‘estrela’ de vários eventos. Já em 2001 inspirou a criação do Carnabonde. O grande baile carnavalesco a céu aberto que a prefeitura de Santos promove anualmente, no Centro Histórico da cidade.

Carnabonde
No Carnaval, o bonde santista é a estrela principal do Carnabonde - Prefeitura de Santos

No ritmo de antigas marchinhas, atrai sempre multidões vindas de vários lugares. Com o tempo, tornou-se também presença certa em programações diversas que são realizadas na região central, como a Primavera Criativa, Festival Santos Café, Natal Criativo e outros.



O fascínio, beleza e charme dos “novos” bondes despertaram também a atenção de produtoras. Os elétricos de Santos já serviram de cenários para novelas, minisséries, filmes, documentários, videoclipes, fotos e comerciais.

Conforme a Santos Film Commission, criada pela prefeitura em 2005 para oferecer suporte à indústria do audiovisual que movimenta economia, os bondes já foram utilizados em mais de 30 produções e estão entre as locações mais requisitadas para filmagens e fotos.

Museu Ferroviário

Santos soma atualmente 13 bondes e aguarda a chegada de outros oito – doações feitas por cidades da Alemanha e Japão -, além de três vagões ferroviários históricos, que pertenceram a São Paulo Railway e chegaram à cidade no final de 2018, e estão na Garagem de Bonde da CET, no Valongo, onde recebem visitação monitorada. Todos os veículos farão parte do futuro Museu Ferroviário de Santos.



Anunciado pelo prefeito Rogério Santos, em abril deste ano, o equipamento será instalado no Valongo. Será um complexo turístico e ocupará áreas adjacentes à histórica Estação Ferroviária do Valongo.

A prefeitura santista já conta com recurso estadual de R$ 9 milhões para mais esse equipamento. A administração municipal acredita que o futuro museu também se transformará em um grande indutor no processo de revitalização da região central de Santos. 

Para mais conteúdos:

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!