ONDA DE EXECUÇÕES NO LITORAL

Santos e Praia Grande registram 9 das 14 execuções ocorridas na Baixada Santista em menos de 2 meses

Secretaria de Segurança Pública diz que, até o momento, não há indícios de relação entre os casos


Da redação
Publicado em 25/08/2022, às 12h32 - Atualizado às 14h19

FacebookTwitterWhatsApp

Corpo de jovem encontrado em rodovia, em Guarujá e corpo de policial civil encontrado em ciclovia de Santos capa capa - Mortos a tiros com membros amarrados seguem aparecendo no litoral de SP: Já são 14 cadáveres em 58 dias Corpo de jovem encontrado em rod - Imagem: Reprodução
Corpo de jovem encontrado em rodovia, em Guarujá e corpo de policial civil encontrado em ciclovia de Santos capa capa - Mortos a tiros com membros amarrados seguem aparecendo no litoral de SP: Já são 14 cadáveres em 58 dias Corpo de jovem encontrado em rod - Imagem: Reprodução


Ocorrências policiais indicam que ao menos 14 corpos com marcas de tiros foram encontrados nas cidades da Baixada Santista, em um intervalo de 58 dias, entre 25 de junho, há dois meses, e a última segunda-feira (22).

Os corpos seguem aparecendo na calada da noite ou à luz do dia, sob viadutos, beiras de estradas ou ciclovias do litoral de SP, parte deles com cordas atadas aos pés ou às mãos ou enrolados em lençóis ou sacos de lixo.

Fique bem informado, faça parte do nosso grupo no WhatsApp  ➥  https://bit.ly/matériasexclusivasemtemporeal 📲



Dos 14 cadáveres, cinco foram encontrados em Santos e quatro em Praia Grande. Outros dois foram encontrados em Guarujá, um em Peruíbe, um em Itanhaém e um em Cubatão (veja abaixo a linha do tempo das execuções).

Três mortos eram agentes ou ex-agentes de segurança, incluindo um policial civil. Em um único dia, na última sexta (19), quatro corpos, todos com marcas de tiros, parte com mãos ou pés amarrados, foram encontrados em quatro cidades diferentes.

Saiba mais - 14 cadáveres em 58 dias:Mortos a tiros com membros amarrados seguem aparecendo no litoral de SP



Questionada, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) disse, em nota, que “não há indícios de relação entre os casos”. O órgão estadual também disse que as investigações prosseguem, pelas Delegacias Especializadas de Santos e de Praia Grande.

A SSP acrescentou que, em 2022, a 3ª Delegacia de Homicídios do DEIC “identificou 18 suspeitos relacionados a casos do tipo”, mas não especificou quantos destes suspeitos estão relacionados às 14 execuções no litoral de SP.

O que diz a prefeitura de Santos sobre as execuções



Esclarecemos que o combate e a investigação de delitos são de responsabilidade das autoridades policiais. A Guarda Civil Municipal (GCM) faz rondas diuturnas em toda a Cidade e quando flagra atitudes suspeitas, os autores são apreendidos e encaminhados ao distrito policial.

 A Administração também destaca que todas as imagens captadas pelas mais de 1.700 câmeras ligadas ao Centro de Controle Operacional (CCO) do Município são disponibilizadas em tempo real às forças de segurança, que mantêm equipes no CCO.

O que diz a prefeitura de Praia Grande sobre as execuções



A Prefeitura de Praia Grande informa, por meio da Secretaria de Assuntos de Segurança (Seasp), que a Administração Municipal colabora não apenas nas investigações policiais, como também na prevenção à criminalidade, por meio de sua Guarda Civil Municipal (GCM) e de modernos recursos como as mais de 3 mil câmeras de monitoramento e softwares como os de reconhecimento de caracteres.

Na última semana, um veículo suspeito de ter sido utilizado em um dos homicídios relatados foi identificado e apreendido pela GCM. Um homem também foi detido e o caso segue sendo investigado pela Polícia Civil. Cabe ressaltar ainda que em alguns dos casos mencionados, as vítimas não residiam na Cidade.

As prefeituras de Guarujá, Peruíbe e Cubatão também disseram que estão à disposição da polícia.



Linha do tempo das execuções na Baixada Santista

(cadáver / circunstâncias / delegacia de registro)

O primeiro corpo, de um homem de 22 anos, foi encontrado no bairro Caneleira, em Santos. Segundo a ocorrência, registrada na CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Santos, a vítima tinha os punhos amarrados e marcas de tiros.



Uma semana depois, em 2 de julho, os corpos de dois homens foram encontrados enrolados em sacos de lixo e lençóis no bairro Jabaquara, também em Santos. Eles tinham 20 e 22 anos. Os dois casos também foram registrados na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos.

No dia seguinte, em Guarujá, o corpo de um homem de 25 anos foi avistado por caminhoneiros no km 6 da rodovia Cônego Domenico Rangoni, perto do bairro Jardim Conceiçãozinha. Os caminhoneiros avisaram policiais militares rodoviários. A vítima estava sem camisa e com diversas marcas de disparo de armas de fogo.

48 horas depois, em 5 de julho, em Praia Grande, o corpo de um homem de 31 anos foi encontrado por moradores em um canal nas proximidades da rodovia Padre Manoel da Nóbrega, no bairro Vilamar.



O homem tinha uma marca de disparo na cabeça, estava com as calças abaixadas e com os braços e pernas amarrados. A suspeita é  de que o assassinato do homem possa estar relacionado com o estupro de uma criança da região.

Um dia depois, outro homem morto foi encontrado às margens da rodovia Cônego Domênico Rangoni, em Guarujá. Além de braços e pernas amarrados, a vítima também tinha ferimentos no rosto.

Oito dias depois, na manhã de 15 de julho,  um corpo foi encontrado ao lado de um canal no bairro Anhanguera, a cerca de 10 km do centro de Praia Grande, com mais de dez marcas de tiros, segundo moradores. O homem era guarda civil municipal lotado em Paulínia, no interior do estado, e chegou a trabalhar por dois meses como GCM em Praia Grande após ser aprovado em um concurso em 2016.



Na tarde da última quinta (18),os corpos de uma mulher, não identificada, e de um homem de 28 anos foram encontrados por volta das 15h, na Avenida Diamantino Cruz Ferreira Mourão, no Jardim Melvi, em Praia Grande.

A avenida é paralela à Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, uma das principais da cidade. Uma terceira vítima, uma mulher de 29 anos, foi encontrada ferida e socorrida pelo SAMU. O caso foi registrado no 3º DP de Praia Grande

Na manhã seguinte, um corpo foi encontrado no km 339 Leste da rodovia Padre Manoel, em Peruíbe. Informações apontam que o cadáver estava enrolado em um cobertor e tinha duas perfurações de arma de fogo (Delegacia Sede de Peruíbe).



Na tarde do mesmo dia, o cadáver de um homem foi encontrado  sob a ponte do Rio Monte Cabrão, na Rodovia Cônego Domênico Rangoni, em Santos, perto da divisa com Guarujá (1º DP de Santos).

De acordo com a Polícia Militar Rodoviária, uma testemunha cuja identidade foi preservada disse que o homem chegou no local vivo, em um veículo com mais quatro pessoas. Segundo a versão da testemunha, os matadores desembarcaram a vítima, dispararam contra ela e fugiram, no sentido Guarujá.

Também na sexta (19), um ex-agente penitenciário de 53 anos foi encontrado morto debaixo de uma ponte próxima à Estrada Metalúrgico Ricardo Reis, na Ilha Caraguatá, em Cubatão (SP). Segundo informações da PM, a vítima estava com as pernas e mãos amarradas e tinha marcas de tiros.



No mesmo dia, um homem de 26 anos foi encontrado morto, com um tiro no crânio, em uma área de mangue, no bairro Belas Artes, em Itanhaém.

➥ 𝗦𝗶𝗴𝗮 𝗼 𝗖𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗡𝗼𝗿𝘁𝗲 𝗲𝗺 𝘁𝗼𝗱𝗮𝘀 𝗮𝘀 𝗽𝗹𝗮𝘁𝗮𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝘀: https://linktr.ee/costanorteoficial

Três dias depois, na noite desta segunda (22) foi registrada a décima quarta execução. O corpo de um policial civil foi encontrado perfurado por tiros e com uma corda entre as mãos e as pernas, em uma ciclovia, em Santos.  O corpo foi encontrado no bairro Caneleira - o mesmo onde a onda de encontro de corpos começou.



A SSP lamentou a morte do policial civil. “Policiais da 3ª Delegacia de Homicídios da Deic de Santos realizam diligências em busca de elementos que auxiliem na identificação e prisão dos autores do crime”, disse o órgão estadual.

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!