REFLEXOS DA PANDEMIA

"Meu sonho virou pesadelo", diz comerciante que fechou confeitaria em Santos

Doceria não sobreviveu à pandemia de covid-19 e fechou as portas na última semana


Da redação
Publicado em 15/02/2021, às 12h10 - Atualizado em 18/02/2021, às 15h46


"Meu sonho virou pesadelo", diz comerciante que fechou confeitaria em Santos - Arquivo pessoal
"Meu sonho virou pesadelo", diz comerciante que fechou confeitaria em Santos - Arquivo pessoal


O sonho de um casal de Santos virou pesadelo durante a pandemia de covid-19. Isabela Louvison Ferrari Mendes, 38, e Marcio Marques Mendes, 42, abriram uma confeitaria na cidade no dia 2 de março de 2020, 20 dias antes do anúncio da pandemia pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Após quase um ano de dívidas, incertezas e muito prejuízo, o casal decidiu fechar as portas da doceria Storge (rua Galeão Carvalhal, 34, Gonzaga, Santos).

Segunda a comerciante Isabela, a confeitaria surgiu do sonho de ter um negócio próprio para sustentar as tão sonhadas filhas: Mikaele, 5, e Helena, 2. "Tínhamos ido embora de Santos, meu marido era bancário, ficou 14 anos trabalhando em banco. Eu tive um filho que faleceu pouco tempo depois de nascer, foi um estresse muito grande. Acabamos indo pra Bahia, tivemos uma filha adotiva, que vai fazer 6 anos, e uma biológica que fez 2 anos. Aí resolvemos voltar pra Santos e montar nosso próprio negocio, por conta da criação das meninas. Era um sonho muito grande termos filhos", conta a autônoma.

"Meu sonho virou pesadelo", diz comerciante que fechou confeitaria em Santos (Arquivo pessoal)

O negócio começou no início de março de 2020 e quase na mesma época, o casal comprou um ponto para Isabela, uma pequena cafeteira embaixo de um prédio comercial. "Veio a pandemia, tivemos um problema com o antigo proprietário, que ficou no local por 10 anos, antes da gente. Ele tinha outra confeitaria e fornecia os produtos pra gente, mas parou de fornecer e tivemos que nos virar. Contratamos uma excelente confeiteira, a Gabriele, e ela tocou praticamente sozinha a produção. Trabalhou de sábado, domingo, feriado, vestiu a camisa", explicou.

Apesar da dedicação da funcionária, a somatória de imprevistos enfrentados pela família atrapalhou o negócio e deu lugar a um mar de dívidas. "Nosso pequeno café ficou fechado por seis meses e o local que vivia cheio de funcionários ficou vazio com a chegada do home office. Hoje está melhor, dá pra pagar os custos e algumas contas pessoais, mas ainda não tem o mesmo movimento".

O casal decidiu então fechar confeitaria do Gonzaga. "Pode ter acontecido má administração, muitas empresas que abrem acabam fechando em um ano, ainda mais uma doceria. É uma coisa supérflua, ainda mais lá que era voltado pra festa (bolo, doce, salgadinho...). Não teve festa em 2020 e não teve faturamento. Meu marido não conseguiu ver uma luz no fim do túnel".

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Segundo Isabela, o marido, Marcio, está desempregado e vai trabalhar como motorista de aplicativo até conseguir um novo emprego. "Tudo que eu mais queria na minha vida era minhas filhas e hoje eu tenho. Mas veio uma pandemia e complicou as nossas vidas. Meu marido se esforçou, fez o que podia, não foi culpa dele", lamentou.

Sucesso na internet

O fim da confeitaria foi anunciado por Isabela em um página do Facebook, no intuito de dar satisfação aos clientes e conseguir uma nova oportunidade para a confeiteira. "Temos muito carinho por ela e queríamos ajudá-la. Ela não era registrada e não pudemos nem pagar os direitos dela. Com a publicação, a Gabriele recebeu oito propostas de emprego, fiquei muito feliz", declarou a empresária.



A publicação, feita na comunidade Viver em Santos, alcançou 5 mil curtidas, mais de mil curtidas e 300 compartilhamentos. As mensagens, em sua maioria, eram de apoio à família.

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