Casa acastelada foi construída sobre as rochas de marco da fundação de Santos, no centro histórico, inspirada nos castelos medievais

Você sabia que no coração do centro histórico de Santos existe uma casa inspirada nos castelos italianos? Ela fica na rua Visconde do Rio Branco, 48, mais precisamente no Outeiro de Santa Catarina, considerado o marco inicial do povoamento santista. A casa foi construída na década de 1880 pelo médico oftalmologista italiano João Éboli.
Da região de Salermo, na Itália, Éboli veio morar no Brasil em 1876, a princípio no Rio de Janeiro. Até que, anos mais tarde, ele se estabeleceu em Santos e comprou o terreno que continha as duas rochas remanescentes da demolição do Outeiro de Santa Catarina, para o calçamento de ruas.
Para lembrar de sua terra natal, mandou construir sobre as rochas uma casa acastelada, já que os castelos medievais eram comuns no seu local de origem. Hoje, a antiga casa de João Éboli é a sede administrativa da Fundação Arquivo e Memória de Santos, cuja área externa pode ser visitada gratuitamente de segunda a sexta-feira das 9h às 17 horas.
Em Santos, João Éboli foi ainda concessionário da FerroCarril Santista, empresa que explorou o serviço de bondes a tração animal, fundou a Casa Bancária Éboli & Cia., trouxe a luz elétrica para as ruas de Santos e foi vereador de setembro de 1892 a fevereiro de 1893.

O Outeiro de Santa Catarina é o marco da fundação da Vila de Santos. No século XVI, Luiz de Góes e sua mulher Catarina de Aguillar ergueram, na base do pequeno morro, a Capela de Santa Catarina de Alexandria (daí o nome Outeiro de Santa Catarina).
Junto ao lugar, Brás Cubas, fundador da Vila de Santos, e o próprio Luiz de Góes ergueram suas moradias. Próximo dali surgiram, logo depois, a primeira Santa Casa do Brasil e o Colégio São Miguel, dos padres jesuítas. Assim, a região foi sendo ocupada e começou a estender-se ao local que mais tarde seria ‘Vila de Santos’ e, por fim, Santos.
Em 1591, piratas ingleses, liderados por Thomas Cavendish, atacaram e saquearam a vila, destruindo a capela e lançando a imagem da santa ao mar. Após 72 anos, escravos dos jesuítas, enquanto pescavam, tiraram-na da água com uma rede, casualmente.
O então reitor do Colégio de Santos, padre Alexandre de Gusmão, levantou, com a ajuda da população, outra capela para a santa, desta vez no alto do Outeiro, onde permaneceu por quase dois séculos.
O pequeno monte de Santa Catarina foi desaparecendo aos poucos: no começo do século XIX, começaram a retirar terra e extrair pedras do local e, em 1869, a Câmara Municipal autorizou o desmanche do que ainda restava do Outeiro, para demarcação de ruas e quadras. Porém, permaneceram duas grandes pedras, sobre as quais João Éboli construiu a casa acastelada.
Em 22 de outubro de 1922, a Câmara Municipal reconheceu o Outeiro de Santa Catarina como marco inicial do povoamento de Santos. Mas, nem esse fato serviu para proteger e conservar o lugar que foi o berço da cidade e testemunha de sua história.
O abandono do Outeiro contribuiu para que famílias se instalassem dentro da casa, transformando-a em cortiço. Quando já estava quase destruído, foi tombado em 1985 e, depois de quase 100 anos de deterioração, passou a ser recuperado. A conclusão dos trabalhos ocorreu em outubro de 2000, com a entrega da praça construída ao seu lado.
Com informações de Fundação Arquivo e Memória de Santos