ÁGUA É VIDA?

Água tóxica: cidades da Baixada Santista têm água contaminada por substâncias químicas e radioativas

Entre os nove municípios que compõem a Baixada Santista, apenas um tem níveis aceitáveis de substâncias que não oferecem risco saúde; em outras cidades há risco até de câncer


Da redação
Publicado em 09/03/2022, às 12h25 - Atualizado em 10/03/2022, às 09h38

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Pesquisa revela os casos em que o volume das substâncias químicas e radioativas estava acima da concentração máxima permitida, que é quando elas passam a oferecer risco à saúde Água tóxica: cidades da Baixada Santista têm água contaminada por substancias q - Tadeu Nascimento
Pesquisa revela os casos em que o volume das substâncias químicas e radioativas estava acima da concentração máxima permitida, que é quando elas passam a oferecer risco à saúde Água tóxica: cidades da Baixada Santista têm água contaminada por substancias q - Tadeu Nascimento


Um estudo especial realizado pela Repórter Brasil, mostra a situação da água que sai das torneiras de todo o país. O “Mapa da Água” analisado entre os anos de 2018 e 2020, revela que, entre as nove cidades da Baixada Santista, apenas uma possui substâncias químicas e radioativas dentro do limite de segurança à saúde. Todos os outros municípios contam com água contaminada que oferecem risco à saúde, e alguns até passíveis de gerar doenças como câncer.

A pesquisa revela os casos em que o volume das substâncias químicas e radioativas estava acima da concentração máxima permitida, que é quando elas passam a oferecer risco, segundo parâmetros do Ministério da Saúde.

Os dados que compõem o mapa são resultados de testes feitos pelas empresas e instituições responsáveis pelo abastecimento. Eles integram a base de controle do Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano).



“É importante entender que cada município tem diferentes estações onde a água é tratada. Assim, um resultado acima do limite não significa necessariamente que a água de todo o município tem problemas, mas sim os locais abastecidos por aquela estação. Em termos de alerta para a saúde da população, porém, um local com problema pode afetar pessoas de diferentes partes do mesmo município, já que elas circulam e estão sujeitas a consumir água em diferentes locais”, esclarece o portal responsável pela pesquisa.

Entre as nove cidades que compõem a Baixada Santistas, a única que ficou dentro do nível aceitável foi Itanhaém. Entre as mais preocupantes estão Cubatão e Bertioga, pois são as únicas que possuem substâncias com os maiores riscos de gerar doenças crônicas, como câncer. Os outros municípios também estão com alerta vermelho, pois contém substâncias que geram riscos à saúde.

Além de apontar quais as substâncias presentes na água de cada cidade, o mapa também revela quais municípios estão em alerta máximo, com três anos consecutivos acima do limite de segurança. Bertioga, Guarujá e Santos estão nesta lista.



Confira quantas e quais substâncias foram encontradas em cada cidade

Bertioga: Foi detectada uma substância com os maiores riscos de gerar doenças crônicas, como câncer: cromo; e outras duas que também geram riscos à saúde: ácidos haloacéticos total e trihalometanos total.

Guarujá: Foram detectadas duas substâncias que geram riscos à saúde: ácidos haloacéticos total e trihalometanos total.

Cubatão: Foram detectadas duas substâncias com os maiores riscos de gerar doenças crônicas, como câncer: nitrato e selênio; e uma que também gera riscos à saúde: ácidos haloacéticos total.



Santos: Foram detectadas duas substâncias que geram riscos à saúde: ácidos haloacéticos total e trihalometanos total.

São Vicente: Foi detectada uma substância que gera riscos à saúde: ácidos haloacéticos total.

Praia Grande: Foi detectada uma substância que gera riscos à saúde: ácidos haloacéticos total.



Mongaguá: Foi detectada uma substância que gera riscos à saúde: antimônio.

Itanhaém: Todas as substâncias estavam dentro do limite de segurança.

Peruíbe: Foi detectada uma substância que gera riscos à saúde: ácidos haloacéticos total.



Saiba mais sobre cada substância encontrada

Cromo (Substâncias Inorgânicas): O cromo VI é classificado como cancerígeno para o ser humano pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde. Há diversas formas de crômo na água, os mais comuns são os crômo II, III e VI. O crômo é utilizado principalmente na fabricação de ligas metálicas e estruturas da construção civil. Os compostos possuem diversos usos industriais, como tratamento de couro, preservante de madeira e na fabricação de tintas e pigmentos.

Ácidos haloacéticos total (subprodutos da desinfecção): Os ácidos dicloroacético, tricloroacético, bromoacético e dibromoacético são classificados como possivelmente cancerígeno para humanos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde. Em altas concentrações, os ácidos haloacéticos também podem gerar problemas no fígado, testículos, pâncreas, cérebro e sistema nervoso. Os ácidos haloacéticos são classificados como subprodutos da desinfecção, formado quando o cloro é adicionado à água para matar bactérias e outros microorganismos patogênicos.

Trihalometanos total (subprodutos da desinfecção): Os trihalometanos são um grupo de compostos químicos e orgânicos que derivam do metano. Ele inclui substâncias como o clorofórmio, classificado como possivelmente cancerígeno pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC). A exposição oral prolongada a esta substância pode produzir efeitos no fígado, rins e sangue. Os trihalometanos são utilizados como solvente em vários produtos (vernizes, ceras, gorduras, óleos, graxas), agente de limpeza a seco, anestésico, em extintores de incêndio, intermediário na fabricação de corantes, agrotóxicos e como fumigante para grãos. Alguns países proíbem o uso de clorofórmio como anestésico, medicamentos e cosméticos.



Nitrato (como N) (Substâncias Inorgânicas): O nitrato é classificado como provavelmente cancerígeno para humanos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde. O nitrato e seus compostos são utilizados na fabricação de fertilizantes, conservantes de alimentos, explosivos e pela indústria farmacêutica na produção de medicamentos vasodilatadores.

Selênio (Substâncias Inorgânicas): O sulfeto de selênio, um composto do elemento, é classificado como provavelmente cancerígeno para humanos pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. A exposição a altos níveis de selênio provoca descoloração da pele, deformação patológica, perda de unhas e cabelo, cárie, falta de agilidade mental e apatia. Historicamente, o principal uso do selênio foi na indústria eletrônica como fotorreceptor para fotocopiadoras. Hoje, é utilizado em aço inoxidável, esmaltes, tintas, borracha, baterias, explosivos, fertilizantes, ração animal, produtos farmacêuticos, e shampoos.

Antimônio (Substâncias Inorgânicas): O trióxido de antimônio é classificado como possivelmente cancerígeno para o ser humano pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde. Os sais solúveis de antimônio, após serem ingeridos, exercem forte efeito irritante na mucosa gástrica e provocam vômito, além de cólica, diarreia e toxicidade cardíaca. Os compostos de antimônio são usados na indústria têxtil, e fabricação de plástico, adesivo, tinta, papel e borracha. Também são usados em explosivos e pigmentos. O antimônio forma ligas com outros metais, que são utilizadas em chapas de solda, tubulações, rolamentos, armas. O sulfeto de antimônio é usado em fósforos. Outros compostos são usados para induzir o vômito em casos de intoxicação, para tratamento de leishmaniose e em produtos veterinários.



SABESP

Em resposta, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) - responsável pelo fornecimento de água na região - informou que "diferentemente do informado pela ONG Repórter Brasil, a água fornecida nos municípios da Baixada Santista não é imprópria e cumpre a legislação para potabilidade: Anexo XX da Portaria de Consolidação nº 5, alterado pelas Portarias GM/MS nº 888/21 e nº 2472/21 do Ministério da Saúde".

"Visando garantir sua qualidade, a Companhia monitora continuamente, conforme exigências do ministério, todas as etapas do sistema de abastecimento, desde o manancial, onde é feita a captação da água, as estações de tratamento, as redes de distribuição até o cavalete na entrada do imóvel dos clientes. Os dados são enviados ao Siságua, sistema do Ministério da Saúde, e são públicos, conforme mostra o acesso realizado pela ONG".

"Sempre que anomalias são constatadas, são tomadas as providências necessárias visando a regularização da situação. Conforme a legislação, o padrão de potabilidade deve ser avaliado levando-se em conta seu histórico completo. Os dados apresentados no Mapa da Água mostram resultados pontuais, sem considerar o histórico de medições exigido pela legislação brasileira. Essas medições apontam conformidade com os padrões de potabilidade e garantem a qualidade da água fornecida".



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