Tubulação submarina no canal do porto e novas represas buscam manter fornecimento estável durante a alta temporada e períodos de chuva extrema

Para tentar impedir colapsos recorrentes no fornecimento de água, causados por estiagens, temporais severos ou pela superlotação na temporada de verão, a Sabesp iniciou um pacote de obras estruturais na Baixada Santista.
O plano, detalhado na quinta-feira (24), prevê a aplicação de R$2,5 bilhões até 2029,, exclusivamente na área de recursos hídricos, interligando as redes municipais para transferir água tratada de uma cidade para outra em momentos de escassez.
O montante integra um pacote global de saneamento orçado em R$10,6 bilhões no litoral entre 2024 e 2029. De acordo com os dados operacionais, as cidades da região enfrentam historicamente vulnerabilidades operacionais: quando um município sofre picos de consumo ou problemas técnicos, os sistemas isolados não conseguem socorrer a demanda vizinha com agilidade.
A principal aposta da intervenção é a travessia Santos-Guarujá, orçada em R$134,7 milhões e atualmente em fase final de montagem. O trajeto totaliza 5,6km de canalizações e inclui um trecho complexo de 1,7km de canos submersos a cerca de 35m de profundidade no leito do Canal do Porto de Santos.
A estrutura foi projetada para injetar até 500 litros de água tratada por segundo na rede de Guarujá, atendendo mais de 450 mil pessoas.
O cronograma estabelece também a entrega de 23 novos reservatórios até 2028 para ampliar a retenção local. No sistema Mambu-Branco, situado em Itanhaém, quatro unidades entram em operação em novembro de 2026, acrescentando 40 milhões de litros à reserva regional.
O planejamento distribui outras unidades em Cubatão (cinco); Guarujá (cinco); Itanhaém (seis); Santos (quatro); Praia Grande (dois) e Peruíbe (um). Paralelamente, seis tanques já foram instalados em Bertioga, Guarujá, Itanhaém, Peruíbe, Santos e São Vicente.
As mudanças visam amenizar um problema crônico enfrentado pelos moradores litorâneos: o corte de água após temporais. As chuvas torrenciais arrastam lama, detritos vegetais e partículas sólidas para os mananciais, turvando a água bruta de forma repentina.
Essa sujeira sobrecarrega as estações de tratamento e obriga os técnicos a desacelerar a produção para limpar filtros e decantadores, gerando desabastecimento mesmo com rios e represas cheios.
A diretora-executiva de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp, Samanta Souza, explica o impacto desse cenário no consumidor: “Ter água no manancial não significa automaticamente conseguir produzir água tratada na mesma velocidade. Quando chove muito, a qualidade da água bruta pode mudar em poucas horas. Nosso desafio é tratar essa água dentro dos padrões de qualidade e, ao mesmo tempo, manter o máximo possível da capacidade de produção”.
A concessionária aguarda ainda o licenciamento ambiental do projeto Itatinga-Perequê, voltado a criar um reforço independente para abastecer Bertioga e Guarujá.