DEMOGRAFIA

Qual é a cidade mais envelhecida da Baixada Santista?

Dados do Censo 2022 mostram avanço da população idosa na região; em Santos, mais de 106 mil moradores tinham 60 anos ou mais na época do levantamento

Foto de idosas em atividades
Santos concentra a maior proporção de idosos da Baixada Santista - Divulgação/Prefeitura de Santos


Em Santos, encontrar um idoso nas ruas não é apenas uma percepção do cotidiano. Os números mostram o tamanho dessa transformação: 106.033 moradores tinham 60 anos ou mais em 2022, segundo dados do último Censo Demográfico do IBGE.

Eles representam 25,33% da população da cidade. Na prática, era como se uma em cada quatro pessoas que viviam no município fosse idosa. O cenário coloca Santos em uma posição incomum no Brasil.

Com 175,7 idosos para cada 100 crianças e adolescentes de 0 a 14 anos, a cidade consta  como a mais envelhecida entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, segundo análise baseada nos dados do Censo 2022.

O indicador mostra que, em Santos, a população idosa já supera com folga a população mais jovem. A mudança também pode ser observada quando os dados são colocados lado a lado ao longo do tempo.

Em 2000, as pessoas com mais de 60 anos representavam 15,6% da população santista. Em 2010, a participação subiu para 19,2%. No Censo 2022, chegou a 25,33%. Ou seja, em pouco mais de duas décadas, a parcela da população com 60 anos ou mais cresceu quase 10 pontos percentuais.

Não se trata, portanto, de uma alteração pontual registrada no último Censo, mas de uma mudança demográfica que vem se acumulando há anos.



A condição está presente quando o número de idosos é comparado ao de crianças e adolescentes. Em outra metodologia, que considera pessoas com 65 anos ou mais, e a população com menos de 15 anos, Santos passou de um índice de envelhecimento de 79,51 em 2000, para 114,38 em 2010, e 129,72 em 2022.

Os números utilizam critérios diferentes dos 175,7 registrados no indicador com pessoas de 60 anos ou mais e, por isso, não podem ser comparados diretamente. O resultado, porém, aponta na mesma direção: a pirâmide etária da cidade está mudando

Santos não está sozinha

O envelhecimento também é registrado em outras cidades da Baixada Santista, embora com intensidades diferentes. Em São Vicente, aproximadamente 17% da população tinha 60 anos ou mais em 2022.



O município registrou cerca de 93 idosos para cada 100 moradores de 0 a 14 anos, ficando próximo de uma situação de equilíbrio entre os dois grupos. Quando utilizado o indicador que considera a população de 65 anos ou mais, São Vicente passou de 49,22 em 2010 para 63,95 em 2022.

A mesma comparação mostra avanço em outras cidades. Cubatão passou de 32,68 para 45,43, enquanto Guarujá saltou de 37,77 para 50,14 no período. Considerando toda a Baixada Santista, o índice de envelhecimento passou de 59,45 em 2010 para 73,93 em 2022.

Em Itanhaém, o Censo contabilizou 112.476 habitantes, dos quais aproximadamente 21,75% tinham 60 anos ou mais. Já Bertioga, com 64.188 habitantes, tinha 8.466 moradores com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 13,2% da população.



No Brasil, a idade mediana da população passou de 29 anos em 2010 para 35 anos em 2022. No estado de São Paulo, chegou a 36 anos. O índice de envelhecimento brasileiro, considerando pessoas de 60 anos ou mais em relação à população de 0 a 14 anos, também praticamente dobrou: passou de 44,8 em 2010 para 80,0 em 2022.

Em outras palavras, o país saiu de uma realidade na qual havia aproximadamente 45 idosos para cada 100 crianças e adolescentes, para outra em que essa relação chegou a 80 para cada 100.

O Censo 2022 é o levantamento demográfico mais recente do Brasil. O IBGE divulga estimativas populacionais municipais todos os anos, mas elas não apresentam a mesma riqueza de dados por faixa etária. Por isso, para medir oficialmente o tamanho da população idosa em cada município, o Censo 2022 continua como a principal referência disponível.



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