Longa viagem desde a Patagônia e exaustão extrema provocam encalhes em praias da Baixada Santista e litoral norte durante o inverno

A recente localização de pinguins-de-Magalhães sem vida, na orla marítima da Baixada Santista — como ocorreu no bairro Solemar, em Praia Grande, na noite da segunda-feira (14), chamou a atenção sobre a presença dessas aves no litoral paulista.
Longe de ser um fato isolado, o aparecimento desses animais está diretamente associado ao ciclo natural de migração que ocorre durante os meses mais frios do ano. Nesta época do ano, milhares de pinguins deixam suas colônias de reprodução na Argentina e no Chile rumo ao norte em busca de águas mais quentes e fartura de alimentos.
Essa viagem de milhares de quilômetros é feita contra intensas correntes marítimas e exige um esforço físico extremo dos animais. Muitos deles, especialmente os espécimes mais jovens e inexperientes, sofrem de desidratação, subnutrição e queda acentuada da temperatura corporal (hipotermia), um conjunto de sintomas classificado por biólogos e veterinários como a "Síndrome do Pinguim Encalhado".
Tanto no caso de segunda-feira(14), no Solemar, como no resgate de outro pinguim-de-Magalhães na praia da Aviação, na quarta-feira (2), não foi possível determinar o que provocou a morte, de acordo com informaçõe enviadas pelo Instituto Biopesca, por meio de nota:
Fizemos o recolhimento da carcaça desses pinguins, que já estavam em avançado estado de decomposição, o que impossibilita concluirmos a causa de morte. Depois que são recolhidos, essas aves são encaminhadas para a sede do Instituto Biopesca, em Praia Grande, onde é realizado o exame de necropsia".
Se encontrar um pinguim vivo na praia, mantenha distância, não faça barulho, afaste outros animais e jamais tente devolvê-lo à água. Entre em contato imediatamente com o serviço de monitoramento da sua região:
Praia Grande a Peruíbe (Instituto Biopesca): 0800 642 3341 (horário comercial) ou (13) 99601-2570 (WhatsApp/24h).
São Vicente, Santos, Guarujá e Bertioga (Instituto Gremar): 0800 642 3341 ou (13) 99711-4120.
Litoral norte - Caraguatatuba, Ubatuba, São Sebastião e Ilhabela (Instituto Argonauta): 0800 642 3341 (12) 3833-4863 ou (12) 99785 3615.
O trabalho de resgate, atendimento médico e necropsia dessas aves marinhas não ocorre de forma isolada. Instituições como o Instituto Biopesca, o Instituto Gremar e o Instituto Argonauta atuam como executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
Trata-se de uma ampla estrutura de fiscalização e conservação ambiental de caráter regional, conduzida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) como condicionante do licenciamento ambiental federal para as operações da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Pólo Pré-Sal.
Implementado em agosto de 2015, o PMP-BS cobre atualmente mais de 1.500 quilômetros de linha de costa, estendendo-se desde o município de Araruama, no Rio de Janeiro, até Laguna, em Santa Catarina.
O grande objetivo do projeto é avaliar a interferência das atividades humanas, em especial a indústria petrolífera e a pesca comercial, sobre a vida de tetrápodes marinhos, categoria que inclui mamíferos (baleias e golfinhos), tartarugas e aves marinhas.
A estrutura do projeto conta com 14 instalações distribuídas ao longo do litoral brasileiro. Na Baixada Santista, por exemplo, o Instituto Gremar gerencia o Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos - CRD instalado no município de Guarujá, preparado para tratar animais feridos ou contaminados por óleos. Já o Instituto Biopesca realiza o monitoramento diário de 75 quilômetros de praias contínuas, cobrindo as cidades de Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe.
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