Proprietário de pequena empresa viu caixa de sua empresa desaparecer após tentar realizar operação bancária pela internet e luta para ser ressarcido pelo banco. Suspeita é de invasão de computador

“Eu choro, tô tomando remédio pra me acalmar. Eu não tô muito bem não. Não durmo direito, não como direito.”, assim descreveu seu desalento o microempresário José Roberto Junior, de 45 anos.
De segunda geração de donos de uma empresa de instalação de postes que opera há 20 anos em Praia Grande, no litoral de São Paulo, José Roberto afirma que, após tentar cancelar um seguro pela internet, na última segunda-feira (17), viu todo caixa em uma conta bancária do ganha pão de sua família desaparecer.
Depois disso, o pequeno empresário procurou a polícia. Junto ao banco, ele luta para reaver o dinheiro da empresa que emprega oito funcionários. Segundo ele, o banco tem lhe prestado auxílio e trabalha com a hipótese de que seu computador tenha sido hackeado (invadido). A Polícia Civil registrou o caso como estelionato.
Por volta das 16h de segunda, durante uma operação bancária na internet, José Roberto afirma que notou um comportamento estranho de seu computador.
“No acesso ao internet banking, quando você põe a senha de entrada, começou uma atualização. Aí começou a demorar muito essa atualização. Aí, eu fechei, tentei entrar de novo, e já não deu atualização nem nada, mas também não entrou [na conta]. Aí, na mesma hora, coisa de um minuto, a minha filha acessou pelo computador e pela senha dela. Quando ela abriu a conta, já tava o desfalque.”, relembra o microempreendedor, morador da Vila Antártica.
Com um nó na garganta, ele dimensiona o prejuízo. “Quase 46 mil reais. Foi feita uma transferência do limite da conta, pra conta de uma pessoa que eu não conheço. Eu vou tá pagando juros em cima disso ainda”, lamenta.
José Roberto afirma que, tão logo notou o desaparecimento do dinheiro, acionou o banco, que bloqueou a conta. Não fosse isso, acredita, o prejuízo poderia ter sido ainda maior.
Depois do bloqueio da conta, o mesmo aparelho que apresentou comportamento estranho, diz, passou a não ligar mais. “Aí, a gente guardou o computador, porque o banco falou pra deixar do jeito que tá, que pode ser feita uma perícia pra tentar rastrear alguma coisa. “
Fora o prejuízo financeiro, José Roberto afirma que seu desespero também se deve ao prejuízo moral.
“Não é só o dano material. O psicológico da gente fica abalado. Você fica pensando o que vai acontecer, se você consegue dar a volta por cima dessa situação, porque você tem funcionários que dependem de você. Tem sua família. A minha casa é financiada, eu pago prestação de casa.”, esclarece.
Para piorar, como a transferência foi feita com o limite da conta, ele afirma que as finanças de sua empresa foram colocadas em risco. “Eu já estava propondo um empréstimo pro banco pra poder ajeitar as contas da empresa. E aí vem uma situação dessas, a gente fica sem chão”, explica, contendo a emoção.
O microempresário espera receber uma resposta sobre um ressarcimento do banco nos próximos dias. Segundo informações do 2º DP de Praia Grande, onde o caso foi registrado, não há suspeitos identificados. O Portal Costa Norte segue acompanhando o caso.
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