“Me sentindo injustiçado”, afirma motorista de aplicativo que sofreu insultos, pediu para passageira descer do carro e tomou tapa na cara; empresa para a qual ele presta serviços repudiou violência, baniu passageira e afirma que tem prestado suporte ao motorista agredido

Um motorista de aplicativo a serviço da 99 foi agredido com um tapa na cara por uma passageira durante uma corrida em Praia Grande (SP) na madrugada desta terça-feira (26). “Me sentindo injustiçado”, afirmou Alexandre Lima, de 24 anos, em entrevista ao Portal Costa Norte nesta quarta-feira.
Após a agressão, o motorista chamou a polícia e afirma que pretende judicializar o caso. A Polícia Civil registrou o caso como lesão corporal e encaminhou o motorista para realização de exame de corpo de delito.
A 99, que figura entre as grandes startups de corridas por aplicativo, lamentou a agressão e afirma que baniu a passageira. A empresa também se colocou à disposição da polícia em eventuais diligências sobre o caso e afirmou que colocou uma equipe para prestar "acolhimento" e "suporte" ao motorista.
Alexandre, que trabalha como motorista de aplicativos há cerca de um ano para custear a faculdade de biomedicina, afirma que uma passageira acompanhada de outras duas mulheres embarcaram em seu veículo para uma corrida.
Entretanto, o que prometia ser uma breve viagem de cerca de 10 minutos, de uma rua a outra do bairro Nova Mirim, porém, acabaria com o jovem estudante e motorista insultado e agredido.

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Assim que embarcou, diz Alexandre, a passageira que aparentava ter cerca de 30 anos, com sinais de embriaguez, sugeriu que ele tentava lhe passar a perna.
“Ela começou a reclamar que a rota sugerida pelo próprio aplicativo estava distante”, relembra Alexandre, que prossegue. “Respondi com toda educação que ela poderia sugerir uma outra rota melhor que eu seguiria sem problema nenhum. Aí, quando eu falei isso, ela se exaltou mais ainda. Começou a falar que ela não podia sugerir outra rota”.
Enquanto as outras duas passageiras permaneciam em silêncio, a mulher se exaltou ainda mais com a resposta do motorista, relembra o jovem, morador do bairro Caiçara.
“Eu não sei o que deu na cabeça dela, porque eu só estava informando ela das opções, mas pra ela a gente estava discutindo. Ela falava gritando. 'Não posso, não posso [alterar a rota]', e eu tentando falar que ela poderia sim".
Em seguida, os gritos da passageira bêbada degringolaram para agressões verbais e Alexandre resolveu encerrar a corrida.
“Ela começou a agir de maneira realmente agressiva, na fala, me ofendendo. Me acusou de fazer a rota que eu queria e me gritou mandando eu calar a boca. Aí, nesse momento eu parei o carro, encostei, e disse que não poderia mais fazer a corrida. Falei na maior educação: ‘a senhora pode, por gentileza, descer, que eu não vou mais fazer a viagem pra vocês’".

Nesta altura, o motorista e passageiras já haviam chegado à avenida Presidente Kennedy, mais ou menos no meio do caminho da corrida. E foi na Kennedy, avenida com nome de presidente estadunidense baleado dentro de um carro, que Alexandre foi estapeado, dentro de seu carro.
Ao ser convidada a se retirar do veículo, a passageira ainda tinha mais uma surpresa em seu arsenal de agressividade. “Ela estava sentada no banco de trás com as outras duas passageiras e questionou meu pedido. Pedi pra ela descer de novo. Aí, quando pedi de novo, ela me deu um tapa na minha cara pelas costas”, relembra o jovem motorista.
Apesar da agressão, Alexandre afirma que procurou manter a calma e chamou a polícia. “Eu fiquei com muita raiva. Mas pensei que estava na minha razão e as autoridades poderiam tomar alguma atitude que fizessem ela entender que ela estava errada”, relembra.
Em seguida, a passageira desceu do carro e continuou insultando o motorista. Alexandre afirma que, ao perceber que ele havia chamado a polícia, a mulher tentou fugir, mas foi seguida por ele que informava sua localização em tempo real à central policial, com a qual permaneceu em contato por telefone.
Após a chegada da polícia, cerca de 20 minutos depois, a agressora foi liberada e Alexandre registrou um boletim de ocorrência no 1º DP de Praia Grande. O caso foi registrado como lesão corporal.
Alexandre afirma que apesar do desconcerto com a situação vai buscar justiça. “Estou me sentindo injustiçado. Ela não teve motivo nenhum pra fazer isso. Não sei porque, talvez para se mostrar, talvez por estar alcoolizada, não sei. Mas não posso deixar isso passar, não posso deixar não acontecer nada. Fiz exame de corpo de delito e vou dar entrada em um processo criminal por agressão”, conclui o jovem motorista.
A reportagem não conseguiu contatar a passageira acusada de agressão.
O Portal Costa Norte questionou a 99 sobre os protocolos adotados pela empresa quando motoristas são agredidos e sobre que tipo de suporte foi oferecido a Alexandre, que afirma ter comunicado a empresa da agressão.
“A 99 lamenta profundamente o caso e repudia o ato de violência contra o motorista parceiro Alexandre Lima”, afirmou a empresa, por meio de nota.
“Assim que tomamos conhecimento, bloqueamos o perfil da passageira e mobilizamos uma equipe que realizou contato com o Alexandre para acolhimento e suporte necessários. Estamos disponíveis para colaborar com as investigações da polícia caso necessário”.
A startup também esclareceu que não admite agressões entre motoristas e passageiros. “Respeito mútuo é a base de tudo e obrigatório para utilização do app. A empresa possui uma política de tolerância zero em relação a qualquer comportamento ofensivo ou atitudes agressivas.”
A empresa disse também que as interações entre os motoristas parceiros e passageiros devem ser pautadas pelo respeito e que investe nesta direção.
“Investimos continuamente em segurança e educação para promover respeito, gentileza e empatia nas corridas. Por meio do Guia da Comunidade 99, a empresa traz orientações de como passageiro ou condutor deve agir, quais comportamentos não são aceitos pela plataforma e as medidas aplicadas em casos de ocorrências, que podem incluir o bloqueio do usuário na plataforma”.