UPA em Praia Grande tem tumulto e confusão após médico deixar de atender pacientes. Caso foi parar na polícia. Órgão gestor da UPA promete providências

Uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) em Praia Grande, no litoral de São Paulo, teve tumulto e confusão, após um médico se recusar a atender pacientes. “Muito indignada. Não pode fazer isso. [O médico] se recusou a atender meu pai e todo mundo”, acusou, nesta quinta-feira (23), a comerciante Mônica da Costa, de 50 anos, que acompanhava seu pai, Carmelindo Costa, um idoso de 69 anos.
A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), órgão que gere a UPA, afirma que a direção da unidade tomou providências e que houve mais de 300 atendimentos registrados na data em que a comerciante lá esteve com seu pai.
Mônica afirma que, por volta das 9h do último sábado (18), após Carmelindo passar mal, o acompanhou até a UPA Samambaia, localizada no bairro Trevo. “Meu pai teve câncer, ele é muito frágil. Ele estava com dor no peito e na cabeça. E, como ele passou mal à noite, eu falei assim: 'Eu vou com o senhor, porque se acontecer alguma coisa lá eu não vou deixar o senhor esperar duas, três horaspra ser atendido’. Não deu outra”, relembra.
No entanto, segundo relato de Mônica, seu pai não recebeu atendimento. Um médico de plantão na unidade, acusa ela, fazia corpo mole para atender seu pai e os demais pacientes. Ela afirma que descobriu por acaso que havia um médico no local.
“Pra fazer a triagem, não demorou. E a gente ficou esperando. Vi o médico dizendo para as recepcionistas que não ia atender. Eu fiquei num ponto que eu enxergava o médico. Ele só olhava as fichas, continuava tomando cafezinho e virava as costas.”
A acompanhante afirma que, depois disso, as recepcionistas, visivelmente constrangidas, começaram a avisar aos pacientes que não havia médico na unidade. “Eu fui olhando tudo isso. Até as recepcionistas estavam indignadas. Uma comentando com a outra. Daí eu percebi que, quando chegavam outros pacientes, elas estavam falando que não tinha médico. Sem vergonha.”
Sentindo-se negligenciada, a comerciante relata que saiu avisando aos pacientes que aguardavam na UPA que, na realidade, havia sim um médico no local. “Eu fui no meio, assim, do saguão e avisei. ‘Gente vocês não vão ser atendidos. Eu vi o médico dizendo que ele não vai atender ninguém. Tudo que aconteceu eu vi’. Reclamei na hora lá. As próprias recepcionistas, uma delas, cochichou assim pra mim. ‘Isso mesmo, mete a boca’".
Mesmo assim, Mônica relata que saiu da UPA sem seu pai ser atendido. “A gente ficou esperando lá, mas percebi que não ia ter atendimento e fomos embora”. Três dias depois, na última terça-feira (21), a comerciante registrou um boletim de ocorrência contra o médico no 3º DP de Praia Grande, com base no Estatuto do Idoso.
“Muito indignada. Não pode fazer isso. É um descaso total com o ser humano. Eles não estão nem aí. Se o cara não quer trabalhar, deixa alguém que queira trabalhar. Eu não quero ferrar ninguém. Mas o que ele fez não foi certo. Tem que meter a boca”, justifica-se a comerciante.
Questionada sobre a acusação, a prefeitura de Praia Grande afirmou que a UPA Samambaia é gerenciada pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina.
A SPDM, por sua vez, disse, por meio de nota, que solicitou ao médico plantonista, “a recomposição da escala médica” e que tomou medidas administrativas “em relação aos profissionais médicos e à empresa que realiza a cobertura dessas escalas”. O órgão conclui afirmando que, na data da confusão relativa aos atendimentos, mais de 360 atendimentos médicos foram registrados na UPA Samambaia.